Pesquisa aponta que só 27% dos líderes têm empresas prontas para a IA

Conceito de tecnologia, Inteligência Artificial - FAMILY STOCK/ shutterstock.com

Conceito de tecnologia, Inteligência Artificial - FAMILY STOCK/ shutterstock.com

O coach executivo, palestrante e autor do livro Liderança Nada Artificial, Adriano Lima, elencou nesta quarta-feira (21) cinco sinais de que a liderança corporativa está ficando ultrapassada na era da Inteligência Artificial (IA). O levantamento destaca que a automação de tarefas operacionais evidencia a diferença prática entre gerenciar processos e liderar pessoas dentro das empresas no Brasil.

Para o especialista, a entrada de ferramentas tecnológicas na rotina de trabalho expõe falhas de comando que antes ficavam ocultas pela entrega de indicadores operacionais. “A IA não vai substituir líderes. Vai revelá-los. Durante décadas, confundimos bons gestores com bons líderes. Promovemos profissionais porque dominavam processos, entregavam indicadores ou conheciam profundamente o negócio. Mas nada disso garante que saibam inspirar, desenvolver e mobilizar pessoas”, afirmou Adriano Lima.

Dados da McKinsey e da Gallup sobre Inteligência Artificial e gestão

Foto: Inteligência artificial na educação – Wanan Wanan/ Shutterstock.com

A análise sobre o mercado de trabalho baseia-se em levantamentos internacionais das consultorias McKinsey e Gallup citados pelo autor em 21 de outubro de 2026. Os números demonstram um descompasso entre a preparação individual dos trabalhadores para operar novas ferramentas e a maturidade estrutural das chefias para conduzir mudanças em larga escala e manter as equipes motivadas.

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  • 70% é o percentual de funcionários que afirmam estar pessoalmente preparados para usar Inteligência Artificial, segundo pesquisa da McKinsey.
  • 27% é a fatia de líderes que consideram suas organizações prontas para fazer as mudanças necessárias para adotar a tecnologia em escala, de acordo com a McKinsey.
  • 57% das tarefas burocráticas e gerenciais já podem ser automatizadas pela Inteligência Artificial, conforme levantamento da McKinsey apresentado por Adriano Lima.
  • 72% dos trabalhadores brasileiros estão desengajados de suas funções, aponta dado da consultoria Gallup citado pelo especialista.
  • 70% da parcela do engajamento de uma equipe depende diretamente da atuação de seu líder, segundo o mesmo estudo da Gallup.

Quais são os 5 sinais de liderança ultrapassada na era da Inteligência Artificial?

Segundo Adriano Lima, o trabalho de um gestor se divide em duas frentes distintas: a administração de processos, sistemas, recursos e fluxos de trabalho, sobre a qual a tecnologia avança com rapidez, e a liderança de pessoas, voltada para inspiração, reconhecimento e resultados sustentáveis. “A tecnologia está avançando rapidamente sobre a primeira dimensão. Mas a segunda continua exigindo algo que nenhum algoritmo entrega: legitimidade, confiança, coragem, exemplo e presença humana. Na era da IA, liderar nunca foi tão humano. E nenhum prompt vai salvar um líder ruim”, declarou o palestrante.

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O primeiro sinal de defasagem apontado pelo autor ocorre quando o profissional confunde gerenciar com liderar, acreditando que o domínio de indicadores e ferramentas tecnológicas basta para engajar um time. “O problema começa quando o gestor dedica toda a sua energia aos processos e quase nenhuma às pessoas. A IA vai ampliar extraordinariamente nossa capacidade de gestão, mas não vai construir confiança nem inspirar alguém a dar o seu melhor”, disse Adriano Lima. O segundo indício é acreditar que o cargo formal é suficiente para ser seguido pela equipe, ignorando que a influência independe de perfis de personalidade introvertidos ou extrovertidos. “Cargo se recebe. Legitimidade se conquista. E não existe inteligência artificial capaz

de conquistar respeito no lugar de um gestor. As pessoas podem obedecer ao seu cargo, mas só vão segui-lo verdadeiramente quando reconhecerem sua liderança”, explicou.

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O terceiro ponto de atenção é a incapacidade de transformar estratégia em execução e valores em comportamentos diários, delegando decisões difíceis. “Estratégia também é decidir o que não vamos fazer. Cultura não é o que está escrito na parede, mas aquilo que os líderes praticam, reconhecem e, principalmente, não toleram. A IA apresenta cenários. O líder dá a direção”, afirmou o especialista. O quarto sinal manifesta-se quando o gestor entrega resultados de curto prazo, mas deixa pessoas destruídas pelo caminho devido à pressão por velocidade e eficiência, comprometendo a saúde das equipes e a capacidade de crescimento da empresa.

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O quinto comportamento que indica uma gestão ultrapassada é negligenciar a própria sustentabilidade física, mental, emocional, familiar e social diante de demandas crescentes. Adriano Lima aponta que não há separação absoluta entre a vida pessoal e o desempenho profissional. “Líder que não se sustenta desaba sobre os outros. Não adianta falar de segurança psicológica, confiança e desenvolvimento humano quando o próprio gestor está permanentemente esgotado, desequilibrado e incapaz de cuidar de si.”, declarou.

Trajetória de Adriano Lima e o livro Liderança Nada Artificial

Os conceitos sobre o equilíbrio do gestor fazem parte da metodologia criada pelo executivo e detalhada em sua obra mais recente. Antes de atuar como palestrante, Adriano Lima ocupou o cargo de vice-presidente de Recursos Humanos em grandes corporações e desenvolveu ferramentas voltadas à formação de chefias.

  • Itaú Unibanco, Mastercard, Dasa e Minerva Foods são as empresas nas quais Adriano Lima atuou como executivo e vice-presidente de Recursos Humanos.
  • Editora Qualitymark é a responsável pela publicação do livro Liderança Nada Artificial, escrito pelo especialista.
  • Diego Barreto, sócio e diretor-executivo (CEO) do iFood, assina o prefácio da obra.
  • Agosto de 2026 foi o mês de divulgação do lançamento do livro, que apresenta o Sistema L5 de desenvolvimento de lideranças e o conceito de Lastro — a capacidade de sustentar as dimensões profissional, familiar, física, mental, social, financeira e espiritual sob pressão.
  • Maio de 2026 marca o registro anterior em que o autor apontou, em entrevista, que o principal desafio contemporâneo é manter a originalidade e que a tecnologia iria expor bons e maus gestores.
Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing