Porto de Itajaí fatura R$ 174,65 mi e prevê R$ 180 mi em 2026

Porto de Itajaí

Porto de Itajaí -Juliano Cruz Fotografia / Shutterstock.com

A Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), no Litoral Norte de Santa Catarina, divulgou nesta quarta-feira (21) o balanço de dois anos da retomada da gestão federal com a quitação de cerca de R$ 150 milhões em dívidas. O terminal alcançou em 2025 o maior faturamento anual nominal da série histórica iniciada em 2016, somando R$ 174,65 milhões, e projeta encerrar 2026 com uma receita inédita de R$ 180 milhões.

O resultado financeiro de 2025 superou a marca anterior de R$ 139,86 milhões, registrada em 2021. Até setembro de 2026, a receita acumulada pelo terminal somava R$ 135,15 milhões, valor correspondente a 75,1% da meta estipulada para o ano. Do montante de aproximadamente R$ 150 milhões em passivos regularizados pela atual administração, R$ 48 milhões referiam-se a serviços de dragagem e R$ 102 milhões a outras obrigações financeiras, medida que assegurou a reorganização das contas e a continuidade operacional.

“Hoje, o cenário é outro: recuperamos as operações, quitamos dívidas, retomamos a dragagem e devolvemos ao Porto sua capacidade de gerar receitas e oportunidades”, afirmou o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira.

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Cargas e fluxo de caminhões no Porto de Itajaí em 2025 e 2026

A recuperação financeira do terminal catarinense caminhou junto com a expansão da atividade logística após a federalização consolidada em janeiro de 2025. O volume de mercadorias operadas exclusivamente no Porto Público de Itajaí, sem contabilizar os demais terminais privados que integram o Complexo Portuário, saltou de 370,8 mil toneladas em 2023 para 4.763.245 toneladas em 2025, com estimativa de atingir 5,1 milhões de toneladas no fechamento de 2026.

Esse avanço no transporte marítimo refletiu diretamente na movimentação de contêineres, medida em TEUs (unidade equivalente a um contêiner padrão de 20 pés), e no tráfego terrestre de veículos pesados que acessam a estrutura portuária. O balanço operacional detalha os números consolidados de 2025 e as projeções da autoridade portuária para o encerramento de 2026:

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  • Movimentação geral de cargas no biênio: soma de aproximadamente 9,86 milhões de toneladas entre o volume consolidado de 2025 e a meta de 2026;
  • Operação de contêineres em 2025: 366.089 TEUs movimentados no terminal público;
  • Projeção de contêineres para 2026: estimativa de 480 mil TEUs, totalizando 846.089 TEUs nos dois anos;
  • Fluxo rodoviário em 2025: registro de 440.049 passagens e operações de caminhões;
  • Estimativa de tráfego pesado em 2026: previsão de 510.450 movimentações de veículos, alcançando 950.499 operações rodoviárias no biênio (o indicador mede o fluxo de viagens, e não o número de motoristas distintos).

Renda de trabalhadores no Porto de Itajaí sobe até 115,1% e impulsiona ISS

O aumento das operações nos berços de atracação elevou os ganhos dos profissionais do setor e a arrecadação tributária do município. Segundo levantamento do Órgão de Gestão de Mão de Obra do Trabalho Portuário de Itajaí (OGMO Itajaí), a remuneração média nominal de seis categorias de trabalhadores portuários avulsos registrou crescimento expressivo na comparação entre 2022 e 2026, refletindo a maior oferta de escalas de trabalho, e não reajustes salariais lineares.

A maior variação positiva ocorreu na categoria dos consertadores, cuja renda média nominal subiu 115,1% no período de quatro anos. Na sequência do levantamento do OGMO Itajaí figuram os trabalhadores de bloco, com elevação de 102,4%, os vigias portuários, com ganho médio de 97,1%, e os profissionais da estiva, que tiveram alta de 92,3%. Os conferentes de carga registraram evolução de 63,8% na média salarial, enquanto os arrumadores obtiveram crescimento de 56,7%.

Para os cofres públicos da Prefeitura de Itajaí, a retomada dos serviços gerou impacto direto no recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS) vinculado às atividades do porto. A arrecadação municipal do tributo somou cerca de R$ 4,5 milhões em 2025 e tem projeção de alcançar R$ 4,7 milhões no encerramento de 2026, injetando R$ 9,2 milhões no orçamento local ao longo do biênio, além de movimentar empresas de comércio, transporte e logística da região.

Dragagem do Porto de Itajaí tem contrato de R$ 63,8 milhões com a Van Oord

Para garantir a entrada segura de navios de grande porte e dar previsibilidade às manobras, a administração retomou a manutenção da profundidade aquaviária em abril de 2026. A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), estatal federal à qual a gestão do terminal catarinense passou a se subordinar em 2026 após ter ficado vinculada à Autoridade Portuária de Santos (APS) durante 2025, emitiu a ordem de serviço em 1 de abril de 2026 para a empresa holandesa Van Oord, vencedora da licitação.

Os trabalhos efetivos de limpeza do leito marinho começaram em 4 de abril de 2026, amparados por um contrato de R$ 63,8 milhões com vigência inicial de 12 meses e possibilidade de prorrogação contratual. A meta técnica da SPI é assegurar profundidades de referência de 14 metros no canal externo e de 13,5 metros no canal interno, parâmetros que sofrem influência contínua das batimetrias (medições da profundidade da água), da força da correnteza e da vazão do Rio Itajaí-Açu, além das normas da autoridade marítima.

Prejuízo de R$ 1 bilhão na crise e leilão de R$ 2,66 bilhões no Porto de Itajaí

A atual estabilidade operacional sucede uma grave crise vivida pelo terminal após o período de administração municipal, que vigorou entre 2019 e 2022 enquanto a União estruturava modelos de desestatização. Durante os anos de 2023 e 2024, a drástica retração nas atracações causou prejuízos estimados pela atual gestão em mais de R$ 1 bilhão para a economia, resultando no fechamento de mais de 600 postos de trabalho diretos e na interrupção de renda para cerca de 400 trabalhadores portuários avulsos.

A reversão teve início no fim de 2024, quando o governo federal reassumiu o controle por meio de contrato transitório e manteve o pagamento regular da folha salarial durante a reestruturação. No comando local, Artur Antunes Pereira, que atuava como chefe de gabinete, assumiu a superintendência em 2 de abril de 2026 em substituição a João Paulo Tavares Bastos, gestor que esteve à frente da SPI desde março de 2025 e deixou o posto para disputar vaga de deputado estadual em Santa Catarina.

O planejamento do governo federal para os próximos anos prevê duas frentes estruturais: a concessão do canal de acesso ao Complexo Portuário e o arrendamento definitivo do terminal, denominado projeto ITJ01. Em 8 de outubro de 2026, durante apresentação da carteira de concessões para o período de 2027 a 2030 em Brasília, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, confirmou que o leilão do projeto ITJ01 exigirá investimentos estimados em R$ 2,66 bilhões.

“Estamos garantindo a continuidade de um serviço essencial para o funcionamento do porto e para a economia local. Esse trabalho conjunto assegura mais previsibilidade, fortalece a logística e cria as condições para que Itajaí avance em um novo ciclo de crescimento com mais investimentos e geração de oportunidades”, declarou o ministro Tomé Franca.

Apesar da inclusão do terminal na carteira prioritária do Ministério de Portos e Aeroportos, a data exata para a realização do leilão de arrendamento do projeto ITJ01 ainda não foi definida pelo governo federal. O cronograma oficial prevê a publicação do edital de licitação ao longo do ano de 2027.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.