O governo federal lançou a Política Nacional de Conectividade em Rodovias, medida que institui o roaming obrigatório entre operadoras de telefonia móvel nas estradas do Brasil a partir de 2027. Apresentado em 15 de outubro de 2026 em evento na sede da B3, em São Paulo, o plano estabelece a meta de elevar a cobertura de celular nas rodovias federais dos atuais 27,2 mil quilômetros para 57,1 mil quilômetros até 2030, índice equivalente a 77% da malha federal.
Elaborada pelos ministérios das Comunicações e dos Transportes, a diretriz determina que celulares de qualquer operadora nacional ou regional passem a se conectar automaticamente às redes 4G ou 5G de empresas concorrentes sempre que o motorista cruzar um trecho sem cobertura da própria prestadora. “A ideia é que já em 2027 a população sinta o impacto”, afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
Como vai funcionar o roaming obrigatório para os motoristas em 2027
O compartilhamento de sinal, chamado tecnicamente de itinerância ou roaming, ocorrerá de maneira direta nos aparelhos dos viajantes quando a regra entrar em vigor. O usuário que transitar por uma rodovia onde a sua operadora de origem não tem antena ativa será transferido para a rede de outra companhia que atenda àquela região, sem precisar trocar de chip, mudar de número telefônico ou pagar taxas adicionais no plano contratado.
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Isoladamente, o compartilhamento obrigatório das redes já existentes responderá pelo atendimento de 13.161 quilômetros de rodovias federais e de 42.449 quilômetros de rodovias estaduais. Com essa abertura de sinal entre as empresas, a disponibilidade de conexão na malha rodoviária federal subirá de 36,6% (27,2 mil quilômetros) para 58,9% (44,1 mil quilômetros). Ao somar as estradas federais e estaduais em todas as frentes do projeto, o plano governamental prevê levar sinal 4G ou superior a um total de 72,3 mil quilômetros de vias pelo país.
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Cronograma da BR-101 e metas de expansão nas estradas
Para o ano de 2027, o cronograma oficial projeta a inclusão de 16.090 quilômetros adicionais conectados em rodovias federais, além da totalidade dos 42.449 quilômetros previstos para a malha estadual via roaming. Dentro dessa primeira etapa está a cobertura integral da BR-101, que receberá conexão contínua ao longo de seus cerca de 4,8 mil quilômetros de extensão ainda em 2027.
Nos trechos rodoviários onde nenhuma empresa de telefonia possui sinal instalado atualmente, a chegada da conexão exigirá a montagem de novas antenas e estações rádio-base (ERBs), equipamentos que transmitem o sinal de celular. Essa expansão física ocorrerá por meio de diferentes instrumentos regulatórios e financeiros, que dividem as metas de cobertura e as prioridades do governo da seguinte forma:
- Seis rodovias federais prioritárias para cobertura integral: BR-101, BR-116, BR-135, BR-163, BR-242 e BR-364;
- Compromissos do leilão da faixa de 700 MHz: cobertura de 6.426 quilômetros;
- Termo de adaptação de outorga da operadora Claro: atendimento de 4.306 quilômetros;
- Contratos de concessão rodoviária: inclusão de 1.275 quilômetros;
- Obrigações de Fazer aplicadas pelo poder público: expansão em 988 quilômetros;
- Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust): uso de recursos para financiar novas estruturas em áreas sem atendimento.
Regras da Anatel e prazos da ANTT para concessões rodoviárias
A regulamentação técnica e econômica do compartilhamento de redes ficará sob a responsabilidade da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), instituição que já vinha discutindo a revisão das regras de roaming em estradas nos últimos anos com a participação das prestadoras. O governo federal determinou que não haverá repasse de dinheiro público nem compensação financeira direta aos caixas das empresas de telefonia pelo uso cruzado das antenas. “Não terá, porque será uma troca. As operadoras vão acertar entre si, vão ceder em uma parte e cobrar em outra”, declarou o ministro Frederico de Siqueira Filho.
No caso das rodovias administradas pela iniciativa privada, caberá à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), na pasta comandada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, editar a norma específica com as obrigações do setor. Antes do anúncio da nova política nacional, a conectividade móvel já estava implantada em oito das 39 concessões rodoviárias federais do país, enquanto outras nove concessões estavam com obras de instalação em andamento. O governo descarta qualquer aumento no valor das tarifas de pedágio em decorrência das novas exigências de sinal.
Participação da Vivo, Claro e TIM entre motoristas de aplicativo
A ausência de sinal contínuo nas estradas e vias de acesso afeta diretamente a rotina de trabalhadores do transporte remunerado e de logística. Um levantamento realizado entre maio e setembro de 2025 pelo Data Gaudium, núcleo de inteligência da empresa de tecnologia em mobilidade Gaudium (desenvolvedora da plataforma Machine), e divulgado em janeiro de 2026, mostra que as operadoras Vivo e Claro concentram juntas mais de 80% dos chips utilizados por profissionais do setor no Brasil.
No grupo dos motoristas de aplicativo, a Vivo lidera com 41% das linhas ativas, seguida pela Claro, com 40,7%, e pela TIM, que detém 13,1%. Já entre os entregadores de aplicativo, a Claro ocupa a primeira posição com 45,7% dos acessos, enquanto a Vivo registra 33,8% e a TIM soma 16,3%. O coordenador de conteúdo e comunidade da Machine e da Gaudium, Vinícius Guahy, afirma que o peso das duas operadoras reflete a necessidade de manter o aplicativo conectado durante o expediente. “Motoristas e entregadores dependem de cobertura estável para maximizar ganhos e evitar prejuízos causados por falhas de conexão. Em um setor em que cada minuto offline pode significar perda de corridas ou entregas, a escolha da operadora deixa de ser apenas uma questão de conveniência e passa a ser decisiva para o rendimento diário”, disse Guahy.
Apesar de o início da obrigatoriedade estar fixado para 2027, a data exata em que o roaming automático começará a funcionar na prática para os celulares dos usuários finais ainda não está confirmada, pois a ativação depende da conclusão da regulamentação técnica pela Anatel. Já para as rodovias sob gestão privada, assim que a ANTT publicar o seu regulamento específico, as concessionárias terão o prazo de 180 dias para apresentar os planos de conectividade detalhando metas por trecho e o cronograma de execução.
