Carga tributária e burocracia travam 88% das empresas do país

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Dinheiro, pagamento, restituição imposto de renda Foto: Dinheiro, pagamento, restituição imposto de renda - Foto: rafastockbr/ Shutterstock.com

O jornalista e comentarista João Paulo Messer abordou os entraves provocados pela alta carga tributária e pelo excesso de burocracia para os empreendedores no Brasil durante a edição desta quarta-feira (21) em Criciúma, no sul de Santa Catarina. O tema afeta diretamente o ambiente de negócios nacional, onde 9 em cada 10 empresários apontam os custos estruturais do país como uma barreira direta para a expansão de suas atividades.

A análise em vídeo sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo tem duração de 2 minutos e 44 segundos, foi ao ar às 13h19 (horário de Brasília) de 21 de outubro de 2026 e faz parte da cobertura voltada aos municípios da região sul catarinense. O conteúdo integral da fala de João Paulo Messer não consta transcrito, pois a publicação ocorreu exclusivamente em formato de vídeo.

Pesquisa do Sebrae detalha o impacto da carga tributária e dos juros

Os obstáculos citados na discussão refletem o chamado Custo Brasil, expressão usada para definir o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que encarecem o funcionamento das empresas no território nacional. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), dimensiona como essas exigências pesam na rotina de quem tenta produzir e gerar empregos.

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Os dados apurados pela pesquisa da CNDL, do SPC Brasil e do Sebrae mostram os principais problemas relatados pelos donos de negócios no país:

  • 88% dos empresários consideram os custos e as burocracias do Brasil uma barreira direta para o crescimento de suas empresas;
  • 44% apontam os juros altos no mercado financeiro como a principal dificuldade enfrentada na gestão;
  • 34% relatam como maior entrave o excesso de burocracia exigido na hora de abrir, manter ou fechar empresas, bem como para contratar ou dispensar funcionários;
  • 32% citam a alta carga tributária incidente sobre produtos e serviços, somada à elevada tributação sobre a folha de pagamento, entre os maiores problemas do dia a dia.

Burocracia nas três esferas reduz a sobrevivência de microempresas

Além de travar a expansão de negócios já consolidados, o excesso de exigências formais compromete a própria continuidade das operações nos primeiros anos de atividade. Um estudo técnico elaborado pelo Sebrae com base em registros oficiais da Receita Federal demonstra que a burocracia acumulada nas esferas federal, estadual e municipal impacta diretamente a sobrevivência dos empreendimentos no período de até 5 anos após a abertura. De acordo com o levantamento, a taxa de sobrevivência nessa faixa de tempo é de apenas 57,7% entre os Microempreendedores Individuais (MEIs), percentual que sobe para 74,3% entre as Microempresas (MEs) e atinge 78,6% no grupo das Empresas de Pequeno Porte (EPPs).

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Transição da Reforma Tributária exige adaptação de pequenos negócios

O debate sobre a simplificação de impostos e obrigações ocorre no momento em que o setor produtivo se prepara para a transição da Reforma Tributária. As micro e pequenas empresas respondem atualmente por 30% de todo o Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país), movimentando um volume financeiro de R$ 3,8 trilhões anuais, e precisam ajustar seus sistemas operacionais ao novo modelo do Imposto sobre Valor Agregado Dual (IVA Dual). Esse formato substitui tributos atuais por duas novas cobranças principais: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), voltado a estados e municípios.

Em um debate realizado em outubro de 2026 para discutir as mudanças nas regras fiscais, o gerente de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, Augusto Togni, afirmou que o período de transição tributária exige preparo técnico por parte dos pequenos negócios diante do alto volume de desinformação que ainda circula sobre o funcionamento do novo modelo de arrecadação.

Para evitar que os donos de pequenos negócios sejam penalizados por erros de adaptação às novas regras, o Sebrae Nacional mantém ações conjuntas com a Receita Federal, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon) voltadas à orientação de micro e pequenas empresas durante a implantação da CBS e do IBS.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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