Criminosos usam modo Skynet em IA para invadir redes e minerar

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Hacker Foto: Hacker - Stock photo and footage/ Istockphoto.com

A equipe de pesquisadores da Symantec Threat Hunter descobriu nos Estados Unidos um agente de inteligência artificial ofensivo que opera de forma autônoma, sem intervenção humana. O relatório publicado em 21 de outubro de 2026 mostra que a ferramenta usa uma diretiva batizada de modo Skynet para sequestrar modelos de linguagem na internet e executar até 100 mil etapas de ciberataques.

A identificação ocorreu por meio de um honeypot de IA, um sistema isca criado pelos especialistas que simula um serviço desprotegido na rede para atrair invasores e registrar seus métodos. Com esse monitoramento, a empresa capturou o conjunto completo de instruções da ferramenta e mapeou como os criminosos automatizam o planejamento das invasões.

Como o agente de IA executa o LLMjacking e o modo Skynet?

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Foto: inteligência artificial – tadamichi/Shutterstock.com

O programa malicioso atua por meio de uma técnica chamada LLMjacking, que consiste no sequestro e uso não autorizado de modelos de linguagem de grande porte (LLMs) expostos na internet ou com chaves de acesso vazadas. O agente vasculha a rede em busca de servidores de IA, estruturas de hospedagem própria e gateways desprotegidos para utilizar a capacidade de processamento computacional de terceiros sem pagar pelo serviço. Ao transferir os custos de inferência e operação diretamente para as vítimas proprietárias dos sistemas invadidos, os criminosos conseguem rodar campanhas extensas enquanto reduzem o risco de terem suas próprias contas bloqueadas ou identificadas pelos provedores oficiais.

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Nas instruções enviadas ao sistema da Symantec, os operadores incluíram o comando de modo Skynet, que estabelece um ciclo contínuo de ataque para procurar novos alvos, infectar máquinas, instalar programas ilegais e reinfectar os servidores. Para superar as travas de proteção dos modelos comerciais de inteligência artificial, o código aplica técnicas de jailbreak em camadas, instruindo o sistema a ignorar controles de segurança e a tratar atos ilícitos, como a coleta de senhas, como tarefas rotineiras de desenvolvimento de software.

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Os dados numéricos levantados pela Symantec durante o monitoramento do sistema isca detalham o volume da operação e a capacidade configurada no código invasor:

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  • Período de operação da armadilha: entre maio e setembro de 2026.
  • Volume de acessos registrados: cerca de 127 mil requisições externas.
  • Origem do tráfego: mais de 32 mil endereços IP distintos, sendo aproximadamente um terço voltado ao teste de chaves de acesso roubadas.
  • Capacidade de ferramentas: cerca de 74 definições de utilitários ofensivos integrados às instruções.
  • Autonomia de execução: limite configurado de até 100 mil ações ou etapas seguidas sem necessidade de aprovação humana.

Mineração da criptomoeda Monero e ações do agente da Symantec

Após se conectar a um modelo vulnerável, o agente coordena o arsenal técnico para cumprir a meta definida pelo operador humano. Uma requisição separada, interceptada pelos pesquisadores no dia seguinte à captura da instrução principal, carregava um código disfarçado para instalar o minerador XMRig, usado para gerar a criptomoeda Monero. Esse script foi adaptado para ambientes de servidores de câmeras do tipo go2rtc e programado para esconder o arquivo malicioso e apagar os registros de atividade do computador infectado.

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De acordo com a análise da Symantec, as técnicas isoladas de invasão não são inéditas, mas a união do planejamento por inteligência artificial com programas de ataque em um único agente altera a dinâmica das campanhas. Em vez de tentar enganar chatbots públicos com engenharia de texto, os invasores conectaram o raciocínio do modelo diretamente à execução técnica, o que reduz o conhecimento exigido para disparar operações em larga escala.

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Durante o ciclo de operação autônoma, o sistema sequestrado recebe ordens para cumprir diferentes tarefas técnicas nas redes atacadas:

  • Mapeamento de redes externas e varredura em busca de novos alvos vulneráveis.
  • Exploração de falhas de segurança em estruturas web comuns.
  • Extração não autorizada de bancos de dados corporativos.
  • Roubo de credenciais e senhas de acesso.
  • Controle de redes de dispositivos infectados, conhecidas como botnets.

Medidas de proteção contra o agente de IA e fatos em apuração

A Symantec informou que o seu sistema isca não executou os comandos recebidos durante o experimento. A empresa esclareceu que a captura do material comprova a intenção dos invasores e a existência do ferramental automatizado, mas não há confirmação de ataques reais bem-sucedidos de ponta a ponta ou de sistemas comprometidos por esse agente específico fora do ambiente de testes. A identidade e a origem dos criminosos que criaram o código também não foram divulgadas.

Para evitar o sequestro de modelos de inteligência artificial e a ação de ferramentas autônomas, os pesquisadores orientam que as organizações apliquem autenticação nos pontos de acesso (endpoints) de IA e protejam as chaves de interface de programação (API). As equipes de tecnologia também devem restringir os privilégios de agentes automatizados, limitar as conexões de saída dos servidores e exigir aprovação manual para a execução de ações sensíveis nos sistemas.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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