Fiat Grizzly Fastback adota plataforma Smart Car e antecipa nova geração do SUV cupê produzido em Betim

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Fiat Grizzly Foto: Fiat Grizzly - Divulgação

A Stellantis oficializou a apresentação do utilitário esportivo cupê Fiat Grizzly Fastback durante o Salão do Automóvel de Paris, na França, revelando a arquitetura e a identidade visual que servirão de base para a segunda geração do Fiat Fastback produzido no Brasil. Construído sobre a estrutura modular Smart Car, o veículo está programado para chegar à linha de montagem de Betim, em Minas Gerais, no período entre 2027 e 2028.

O modelo fez sua estreia para o público europeu em 12 de outubro de 2026 no centro de exposições Parc des Expositions de la Porte de Versailles, dividindo o estande da marca italiana com o SUV de formato tradicional Grizzly, projeto que dará origem ao substituto do Fiat Pulse na América do Sul. De acordo com o diretor-executivo (CEO) da Fiat e diretor global de marketing (CMO) da Stellantis, Olivier Francois, a dupla de utilitários amplia a estratégia iniciada pelo compacto Grande Panda para atender diferentes perfis de consumidores. “O Grande Panda marcou o retorno da Fiat aos veículos familiares acessíveis. Com o Grizzly e o Grizzly Fastback, estamos completando esta linha com dois veículos projetados em torno de diferentes necessidades, diferentes estilos de vida, mas compartilhando a mesma ideia: inteligentes, acessíveis e enraizados no DNA de design da Fiat. Juntos, eles trazem a Fiat de volta ao coração do mercado de mobilidade familiar com uma linha completa e coerente”, declarou o executivo, em tradução livre.

Formas geométricas do Grande Panda inspiram a carroceria e a cabine digital

A carroceria do Grizzly Fastback descarta os vincos arredondados da primeira geração comercializada no mercado brasileiro e adota traços retilíneos herdados diretamente do hatch Grande Panda, modelo que receberá o batismo de Argo X quando for lançado no país. Na parte frontal, o utilitário exibe capô mais alto e uma grade escurecida que abriga luzes diurnas de LED fragmentadas em pequenos blocos, imitando o formato de pixels, enquanto o caimento traseiro em estilo cupê conecta as lanternas de LED por meio de uma régua horizontal escura. Por dentro, o painel prioriza a disposição horizontal ao integrar o quadro de instrumentos totalmente digital a uma tela multimídia elevada, além de trocar a alavanca convencional de transmissão por um seletor compacto do tipo joystick no console.

Fiat Fastback Abarth
Foto: Fiat Fastback Abarth – Foto: Divulgação

Na composição dos materiais de revestimento, a montadora aplicou plástico rígido em toda a porção superior do painel e nos painéis de porta, concentrando as superfícies forradas em tecido nos apoios de braço laterais e na faixa central dianteira. O habitáculo incorpora ainda o volante de base e topo achatados característico da família Grande Panda, assentos com costuras em alto-relevo e, no catálogo europeu mais caro chamado La Prima Hybrid, um pacote ampliado de itens de conveniência e auxílio ao motorista.

As especificações oficiais divulgadas pela fabricante na capital francesa detalham as medidas estruturais e a lista de recursos de série que compõem a variante topo de linha apresentada no evento:

  • Espaço interno e porte externo: a cabine soma 3,5 metros cúbicos de volume total, com comprimento total registrado nas fichas e comunicados entre 4,49 metros e 4,50 metros — avanço em relação aos 4,44 metros do Fastback nacional em linha e aos 4,39 metros a 4,40 metros do irmão Grizzly de teto reto.
  • Volume do compartimento de bagagem: o porta-malas comporta de 600 litros nos dados gerais de divulgação a 608 litros na medição técnica detalhada, superando os 545 litros entregues pela carroceria SUV convencional.
  • Lista de conforto da configuração La Prima Hybrid: central multimídia com visor de 10,25 polegadas, rodas de liga leve de 18 polegadas, sistema de iluminação ambiente em LED, base para recarga de smartphone sem fio por indução, ar-condicionado digital automático e freio de estacionamento com acionamento eletrônico.
  • Pacote de proteção ativa e passiva: seis airbags de série, alerta de fadiga para o condutor e frenagem autônoma de emergência equipada com sensores capazes de identificar pedestres e ciclistas na via.

Diferenças de motorização entre as versões europeias e a fábrica de Minas Gerais

Desenvolvida como uma variação de custo reduzido da plataforma CMP — originária das marcas Peugeot e Citroën e já compartilhada por veículos como Citroën C3, Citroën C3 Aircross e Opel Frontera —, a base Smart Car foi projetada para receber múltiplos tipos de propulsão na mesma linha de montagem. No mercado europeu, cujas unidades iniciais saem da planta da Stellantis em Kenitra, no Marrocos, a gama do Grizzly Fastback contempla três opções mecânicas: uma versão de entrada com motor 1.2 turbo a gasolina de 100 cv e câmbio manual, uma intermediária híbrida leve de 48 volts (MHEV) que combina o bloco 1.2 turbo de até 145 cv a uma caixa automatizada de dupla embreagem, e uma configuração 100% elétrica com alcance homologado de 400 quilômetros por carga.

Para os veículos que serão produzidos no polo automotivo de Betim, a engenharia local descartou o uso dos propulsores europeus e optou pela continuidade da família de motores flex GSE, já nacionalizada e adaptada ao etanol. Com essa decisão industrial, o futuro SUV cupê brasileiro preservará nas versões de volume o motor 1.0 turbo flex T200 associado ao sistema híbrido leve de 12 volts e à transmissão continuamente variável (CVT), mantendo nos catálogos mais caros e na divisão esportiva Abarth o conjunto 1.3 turbo flex T270 acoplado ao câmbio automático epicíclico de seis velocidades.

Cronograma global de vendas e renovação da linha nacional até 2030

A criação da família Grizzly faz parte do plano global de produtos da Stellantis para comercializar a nova gama em mais de 100 países distribuídos por três regiões internacionais, incluindo a meta específica de colocar cinco modelos inéditos da Fiat nas concessionárias brasileiras até 2030. A instalação progressiva da arquitetura Smart Car no complexo industrial mineiro aposentará de uma só vez a plataforma MLA, empregada nos atuais Pulse e Fastback, e a base MP1 que sustenta o veterano Argo. Enquanto o Grizzly Fastback antecipa o design do cupê nacional, a variação de teto plano Grizzly — tratada internamente pela engenharia brasileira sob o código F2U — já roda com camuflagem pesada em estradas de Minas Gerais, avaliando configurações internas capazes de acomodar cinco ou sete ocupantes.

Apesar do avanço nos testes de rodagem, a direção da Stellantis ainda não estabeleceu a data oficial de estreia nem a faixa de preços que será praticada para a nova geração do Fastback no comércio brasileiro. Permanece indefinido também o grau de simplificação estética e de acabamento que o projeto sofrerá ao ser nacionalizado em Betim, processo semelhante ao programado para o futuro Argo X, que abrirá mão dos frisos em baixo-relevo estampados nas chapas das portas e receberá para-choques e conjuntos ópticos redesenhados para reduzir custos de produção.

Na Europa, onde o utilitário teve sua primeira imagem oficial divulgada em 3 de junho de 2026 e passou por uma exibição prévia no Salão de Turim entre 11 e 13 de setembro de 2026, o cronograma comercial já está fechado pela matriz italiana. Os pedidos de reserva para o Grizzly e para o Grizzly Fastback serão abertos nas concessionárias europeias em 5 de janeiro de 2027, com valor inicial estipulado em 20.000 euros e entrega dos primeiros lotes aos compradores confirmada para fevereiro de 2027.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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