Os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro acumulam R$ 17,34 bilhões em dívidas totais na virada de 2025 para 2026, segundo o painel de solvência publicado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) responsável pelo fair play financeiro (controle de gastos dos times). A união de compromissos trabalhistas, impostos e parcelamentos fiscais responde pela maior fatia desse passivo, com R$ 5,13 bilhões, o equivalente a 30% do montante geral da primeira divisão.
Logo atrás das obrigações trabalhistas e tributárias, a aquisição e a transferência de jogadores aparecem como o segundo item de maior peso no orçamento das equipes, somando R$ 4,85 bilhões, ou 28% do passivo total. Um terceiro grupo, formado por empréstimos e similares — categoria que engloba financiamentos bancários e valores a pagar em processos de recuperação judicial —, completa a base principal do endividamento.
Juntas, essas três categorias concentram 83% de tudo o que os clubes da elite nacional devem, alcançando a marca de R$ 14,44 bilhões no balanço encerrado na quarta-feira, 31 de dezembro de 2025. Os outros tipos de dívidas fora desse recorte principal representam os 17% restantes e somam R$ 2,90 bilhões nas contas das agremiações. Dentro do grupo específico de encargos trabalhistas, salários, impostos e parcelamentos fiscais, os três maiores devedores da primeira divisão são o Corinthians, com R$ 949 milhões, o Fluminense, com R$ 578 milhões, e o Atlético-MG, com R$ 518 milhões, enquanto o detalhamento individual dessa rubrica para os outros 17 participantes não foi confirmado pela Anresf.
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Ranking das dívidas da Série A por clube no painel da Anresf
No levantamento geral que soma os balanços dos 40 clubes das Séries A e B, o endividamento total atinge R$ 19,99 bilhões, sendo R$ 2,65 bilhões referentes apenas às 20 equipes da segunda divisão. Horas após lançar o painel de solvência, a Anresf alterou a metodologia de cálculo para retirar as receitas recebidas antecipadamente pelos times e considerar somente os valores que ainda terão de ser desembolsados, ajuste que reduziu o passivo consolidado das duas divisões de R$ 25 bilhões para o patamar atual de R$ 19,99 bilhões.
Após a revisão metodológica nos dados da primeira divisão, sete clubes superam individualmente a barreira de R$ 1 bilhão em passivos totais acumulados até o fechamento de 2025. A distribuição completa do endividamento geral entre os 20 participantes da Série A apresenta os seguintes valores totais por clube:
- Atlético-MG: R$ 2,21 bilhões
- Corinthians: R$ 2,08 bilhões
- Botafogo: R$ 1,78 bilhão
- Cruzeiro: R$ 1,28 bilhão
- Palmeiras: R$ 1,13 bilhão
- Internacional: R$ 1,05 bilhão
- Fluminense: R$ 1,04 bilhão
- Santos: R$ 999 milhões
- Vasco: R$ 963 milhões
- Flamengo: R$ 950 milhões
- São Paulo: R$ 917 milhões
- Grêmio: R$ 811 milhões
- Red Bull Bragantino: R$ 727 milhões
- Athletico-PR: R$ 374 milhões
- Bahia: R$ 357 milhões
- Vitória: R$ 288 milhões
- Chapecoense: R$ 171 milhões
- Coritiba: R$ 155 milhões
- Remo: R$ 37 milhões
- Mirassol: R$ 7,4 milhões
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Atrasos fiscais na Série A e risco de transfer ban para quatro clubes
A existência de dívidas nos balanços anuais não significa automaticamente falta de pagamento, mas o acompanhamento semestral do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) da CBF — apresentado em novembro de 2025 e implementado em 1º de janeiro de 2026 com três janelas anuais de autodeclaração — verificou o cumprimento dos compromissos no dia a dia. Nos relatórios do meio do ano, com data de corte em 30 de junho de 2026, apenas seis clubes da Série A declararam não ter nenhuma pendência financeira em atraso: Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino. Na outra ponta, Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Fluminense, Grêmio, Internacional, Remo, Santos, São Paulo, Vasco e Vitória registraram à agência atrasos com impostos ou compromissos junto ao poder público, casos em que o órgão regulador aplicou advertências e recomendou a quitação dos parcelamentos tributários.
Na segunda-feira (19), a Anresf concluiu o julgamento em primeira instância de 12 clubes da Série A por atrasos verificados até o corte de junho e aplicou advertências públicas e punição de transfer ban condicional (proibição de registrar novos atletas) a quatro equipes. Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo receberam o prazo de 45 dias para quitar débitos de transferências contraídos em 2026 sob pena de bloqueio no registro de jogadores.
Nos processos julgados pela entidade em 19 de outubro de 2026, o Atlético-MG respondeu por pendências financeiras com Bahia e Santos, enquanto o Internacional foi cobrado por dívidas com Athletico-PR e Juazeiro. O Grêmio entrou na pauta por débitos com Capivariano e Votuporanguense, e o São Paulo por uma dívida ativa com o Esporte Clube São José. Além dos 45 dias para evitar o bloqueio de registros, Grêmio e Internacional receberam prazo de 15 dias úteis para regularizar débitos diretos com atletas, sob pena de multa de R$ 100 mil.
