Chuva de meteoros Orionídeas segue visível no Brasil até novembro

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Cometa Halley Foto: Cometa Halley - ccangikhsan/ Shutterstock.com

A passagem da Terra pela trilha de fragmentos do cometa Halley levou a chuva de meteoros Orionídeas ao pico de atividade entre a noite de quarta-feira (21) e a madrugada de quinta-feira (22) em todo o Brasil. O fenômeno astronômico mantém visibilidade a olho nu até o próximo mês, com vantagem geográfica para observadores na Bahia e nos demais estados das regiões Norte e Nordeste.

De acordo com o astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do Projeto Exoss, iniciativa de monitoramento de meteoros parceira do Observatório Nacional, o evento pode ser acompanhado sem equipamentos ópticos em todas as regiões do território nacional. “A boa notícia é que todo o Brasil pode observar. O radiante em Órion é visível de norte a sul, com leve vantagem no norte e nordeste, onde ele sobe mais alto”, afirmou o especialista.

Velocidade de 66 km/s e taxas da chuva de meteoros Orionídeas

Os rastros luminosos ocorrem quando a Terra atravessa a nuvem de partículas deixadas pelo cometa Halley em passagens antigas pelo Sistema Solar interior. Ao entrarem na atmosfera terrestre em alta velocidade, esses detritos queimam por atrito com o ar e formam os riscos de luz popularmente conhecidos como estrelas cadentes, mas a contagem real de avistamentos em cada município varia conforme a cobertura de nuvens e o índice de poluição luminosa urbana.

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Segundo Marcelo De Cicco, os meteoros das Orionídeas têm como características principais a rapidez, o forte brilho e a formação de trilhas luminosas persistentes após a passagem pela atmosfera. Durante o período de máxima intensidade do fenômeno, diferentes instituições astronômicas divulgaram estimativas técnicas sobre o volume e o comportamento físico das partículas espaciais em condições ideais de céu limpo e escuro:

  • Velocidade de entrada na atmosfera terrestre: até 66 quilômetros por segundo (km/s).
  • Estimativa da International Meteor Organization (IMO), organização internacional de observação de meteoros, e do Observatório Nacional: taxa de 20 ou mais meteoros por hora durante o pico.
  • Estimativa da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos: produção de 10 a 20 meteoros por hora sob condições ideais.
  • Fase e iluminação lunar no ápice: Lua crescente com 77% do disco iluminado.

Localização na constelação de Órion e influência da Lua em 2026

O ponto de origem aparente dos meteoros no céu, chamado na astronomia de radiante, fica localizado na constelação de Órion, próxima à estrela gigante vermelha Betelgeuse. Para encontrar a região correta no firmamento sem o auxílio de aplicativos ou mapas celestes, a referência direta no céu brasileiro é o alinhamento de três estrelas conhecido popularmente como Três Marias, que integra a mesma constelação e surge entre as direções leste e nordeste após a meia-noite, subindo ao longo da madrugada.

Confira também: Orionídeas em outubro de 2026 alcançam pico no dia 21 com meteoros a 66 km por segundo no céu

Na posição geográfica do Norte e do Nordeste, incluindo todo o estado da Bahia, a constelação de Órion alcança uma elevação maior em relação à linha do horizonte do que nas regiões Sul e Sudeste, o que amplia a área de visualização dos rastros. Apesar de o radiante servir como guia de direção, os astrônomos orientam a não manter o olhar fixo apenas nas Três Marias, pois os meteoros podem riscar qualquer parte do céu.

Acompanhe: Chuva de meteoros Orionídeas alcança pico visível no Brasil na noite de 21 de outubro

A interferência da luz natural da Lua é o principal fator astronômico que reduz a capacidade do olho humano de captar os meteoros de menor brilho. Nas noites de quarta-feira (21) e quinta-feira (22), o satélite natural da Terra estava na fase crescente e apresentava mais de três quartos da superfície visível iluminada pelo Sol, mas o pôr da Lua ocorreu pouco depois da meia-noite, deixando o céu escuro na segunda metade da madrugada.

Cronograma da chuva de meteoros Orionídeas e relação com o cometa Halley

A corrente de poeira cósmica associada ao cometa Halley provoca duas chuvas de meteoros anuais na Terra em períodos distintos do calendário astronômico. A primeira ocorre no mês de maio, denominada Eta Aquáridas, enquanto a segunda é a Orionídeas, concentrada entre outubro e o início de novembro, quando o planeta cruza novamente a órbita de detritos do cometa. O calendário de atividade do fenômeno na temporada atual registra as seguintes etapas:

  • 2 de outubro de 2026: início do período anual de atividade da chuva de meteoros Orionídeas.
  • 21 de outubro de 2026: noite de abertura do pico de atividade no território brasileiro.
  • 22 de outubro de 2026, a partir de 1h40: janela de melhor visibilidade da madrugada do pico até o amanhecer, após o pôr da Lua.
  • 7 de novembro de 2026: encerramento oficial da passagem da Terra pela faixa de detritos das Orionídeas.

Para quem pretende observar os meteoros remanescentes nas próximas madrugadas, a recomendação técnica é buscar locais abertos e escuros, afastados de postes de iluminação pública, prédios e faróis de veículos. O uso de binóculos ou telescópios não é indicado, pois esses equipamentos restringem o campo de visão a uma fração pequena do céu e dificultam o acompanhamento de objetos que se deslocam em alta velocidade.

O horário mais favorável para a observação a olho nu permanece concentrado nas horas entre a saída da Lua do horizonte e o início do crepúsculo matutino, com variações de minutos conforme a latitude e o fuso de cada município. Com o fim do pico de outubro, a frequência de meteoros por hora diminui gradualmente a cada madrugada até a conclusão do ciclo da chuva Orionídeas em 7 de novembro de 2026.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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