Pelo menos 80 mil pontos de torres de telefonia celular nos Estados Unidos estão na mira da SpaceX, que iniciou negociações privadas com empresas de infraestrutura para expandir sua atuação no país. O movimento busca transformar a Starlink Mobile na quarta grande operadora móvel de alcance nacional, provocando queda nas ações de AT&T, Verizon e T-Mobile nesta sexta-feira (23).
A estratégia da companhia liderada pelo diretor-executivo (CEO) e controlador Elon Musk consiste em combinar sua constelação de satélites com uma rede sem fio terrestre para competir diretamente com as três maiores operadoras tradicionais do mercado norte-americano. Na terça-feira (20), durante uma teleconferência de resultados da empresa espacial, Musk confirmou os planos de construir a estrutura em solo para complementar o serviço via satélite e declarou que a iniciativa com conectividade expandida pode “se tornar, em última instância, um negócio que gera várias centenas de bilhões de dólares em receita por ano”, em tradução livre.
Queda de AT&T, Verizon e T-Mobile na bolsa dos Estados Unidos
A notícia sobre a busca da SpaceX pela estrutura terrestre alterou a cotação das companhias do setor de telecomunicações nas negociações de pré-mercado e na abertura do pregão em Nova York em 23 de outubro de 2026. Enquanto as operadoras tradicionais como a Verizon, comandada pelo diretor-executivo Dan Schulman, perderam valor de mercado diante da perspectiva de um novo concorrente nacional, as empresas proprietárias de torres registraram valorização com a possibilidade de novos contratos de locação de espaço para antenas.
Os percentuais exatos de baixa das três operadoras oscilaram entre 3% e 5% conforme o horário de aferição entre o pré-mercado e o início das negociações regulares na bolsa norte-americana:
- AT&T: queda registrada de 3,74% (cotada a US$ 21,89) a 5,06% (cotada a US$ 21,59) entre o pré-mercado e o início do pregão.
- Verizon: recuo de 3,25% (cotada a US$ 43,73) nas negociações de pré-mercado.
- T-Mobile: baixa de 3,13% a 5% nas ações ao longo da manhã.
- Crown Castle (CCI): alta de 7,7% no pré-mercado com a perspectiva de locação de torres para a SpaceX.
- American Tower (AMT): valorização de 5,6% nas negociações de pré-mercado.
Negociações da SpaceX com a Crown Castle e infraestrutura nos EUA
A Crown Castle está entre as companhias do setor de infraestrutura envolvidas ou mencionadas nas tratativas privadas conduzidas pela empresa de Elon Musk, ao lado de outras grandes proprietárias do ramo nos Estados Unidos, grupo que inclui a American Tower e a Vertical Bridge Holdings. Questionado durante uma teleconferência de resultados sobre a existência de conversas com provedores de conexão via satélite, como a SpaceX e o projeto Amazon LEO, o diretor-executivo da Crown Castle, Chris Hillabrant, afirmou que “você pode assumir que estamos conversando com todas as partes”.
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O volume pretendido pela controladora da Starlink representa mais da metade da estrutura dedicada disponível em território norte-americano, de acordo com o levantamento da Wireless Infrastructure Association (associação que representa as empresas de infraestrutura sem fio nos Estados Unidos):
- Meta mínima da SpaceX: 80 mil locais (sites) de antenas de telefonia celular nos Estados Unidos.
- Torres dedicadas nos EUA: 158.500 unidades construídas especificamente para esse fim até o final de 2025.
- Macrocélulas em operação: 254.850 estruturas adicionais registradas no país no encerramento de 2025.
- Frota espacial autorizada: 15.000 satélites de nova geração aprovados para conexão direta a aparelhos celulares da SpaceX.
Compras de espectro pela SpaceX entre 2025 e outubro de 2026
A tentativa de assegurar espaço em dezenas de milhares de torres ocorre após uma série de investimentos bilionários da companhia para garantir as frequências de rádio necessárias para operar uma rede móvel em solo. No início de outubro de 2026, a SpaceX fechou um acordo avaliado em cerca de US$ 8 bilhões para adquirir licenças de espectro de banda baixa da firma de investimentos Grain Management, garantindo até 14 MHz pareados na faixa de 800 MHz, frequência que permite melhor penetração de sinal através de paredes e dentro de edifícios.
Antes dessa transação, a empresa já havia desembolsado valores mais altos em 2025 para comprar licenças de espectro sem fio pertencentes à operadora de telecomunicações EchoStar. A primeira aquisição com a EchoStar foi firmada em setembro de 2025 por cerca de US$ 17 bilhões, seguida por uma segunda compra em novembro de 2025 no valor de US$ 2,6 bilhões.
Como a rede da Starlink Mobile vai funcionar para os usuários?
Para os consumidores de telefonia móvel nos Estados Unidos, a implantação da Starlink Mobile tem como finalidade oferecer uma quarta alternativa de operadora com cobertura nacional, integrando o sinal emitido pelos satélites em órbita com as antenas instaladas nas torres terrestres e o espectro de 800 MHz voltado para ambientes internos. Até o momento, a empresa não divulgou datas de lançamento comercial, preços de planos mensais ou regras de contratação para os usuários finais, e a operação descrita restringe-se ao mercado dos Estados Unidos.
Nenhum contrato formal de locação geral de torres (modalidade conhecida no setor como master lease) foi assinado ou protocolado oficialmente até esta sexta-feira (23), e a SpaceX não comentou publicamente os detalhes das negociações com as proprietárias de infraestrutura. Além do fechamento dos acordos comerciais para o uso das antenas, a transferência das licenças de espectro adquiridas da Grain Management aguarda a aprovação regulatória da Comissão Federal de Comunicações (FCC, o órgão regulador de telecomunicações dos Estados Unidos), cuja conclusão está prevista para o início de 2027.
