Localizada nas encostas do Planalto de Patom, a Cratera de Patom permanece sem um consenso científico definitivo sobre a sua formação no sudeste da Sibéria, na Rússia. Descoberta pela ciência em 1949 no distrito de Bodaibo, na região de Irkutsk, a estrutura rochosa gigante teve a hipótese inicial de impacto espacial enfraquecida ao longo das décadas e hoje é atribuída principalmente a processos geológicos internos da Terra, como erupções profundas de gases e fluidos subterrâneos.
Também batizada de Cone de Kolpakov e chamada pelos moradores locais de Ninho da Águia de Fogo, a formação destaca-se no meio da floresta densa da taiga pela cor clara de suas pedras em contraste com a vegetação. Embora leve o nome de cratera, o local não é uma simples cavidade no solo, mas sim um grande monte em formato de cone composto por rochas quebradas que foram empurradas de camadas subterrâneas para a superfície. Uma publicação de 2024 na revista científica Priroda reiterou que a gênese exata do monumento natural segue como uma questão em aberto.
Cratera de Patom: dimensões, peso e localização na Sibéria
O formato peculiar da Cratera de Patom reúne uma coroa em formato de anel na parte superior, onde há uma depressão, e um monte menor posicionado exatamente no centro. A maior parte desse relevo é constituída por blocos de calcário cinza fragmentado, mas levantamentos geológicos identificaram a presença conjunta de outros tipos de rocha na mistura, incluindo arenitos e xistos.
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A identificação da composição mineral e a medição exata das proporções do cone servem de base para que as equipes científicas tentem calcular a energia necessária para erguer o material do subsolo. As medidas físicas e referências geográficas verificadas nos levantamentos de campo incluem os seguintes dados:
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- Altura total da estrutura: cerca de 40 metros.
- Diâmetro na base do cone: aproximadamente 160 metros.
- Altura da elevação central interna: cerca de 12 metros.
- Volume estimado de material: entre 230.000 e 250.000 metros cúbicos.
- Massa total aproximada: 1 milhão de toneladas.
- Distância até a cidade mais próxima (Lensk): cerca de 180 km.
- Distância até o centro distrital de Bodaibo: cerca de 360 km.
De impacto de meteorito a processos internos na Cratera de Patom
O primeiro registro científico do local ocorreu em 1949, quando o geólogo soviético Vadim Kolpakov encontrou a formação durante um levantamento geológico na região de Irkutsk. Dois anos depois, em 1951, o próprio Kolpakov publicou um artigo sugerindo que a estrutura teria sido produzida pela queda de um meteorito na floresta siberiana.
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Essa teoria espacial motivou o envio de uma expedição do Comitê Siberiano sobre Meteoritos da Academia de Ciências da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) ao local em 1963, mas os pesquisadores saíram da campanha sem chegar a um acordo. Com o avanço de novas expedições multidisciplinares, que contaram com instituições da Divisão Siberiana da Academia Russa de Ciências, análises geológicas e geoquímicas enfraqueceram e descartaram a tese do meteorito.
O principal obstáculo para sustentar a colisão espacial foi a ausência completa de fragmentos meteóricos no terreno. Além disso, a divisão dos setores da cratera e a composição das amostras recolhidas não correspondiam ao padrão esperado para um choque vindo do espaço. Já naquela época, o vulcanologista S. V. Obruchev propôs que o relevo só poderia ter se formado pela erupção profunda de gás ou vapor.
Em 2006, uma nova expedição reuniu geólogos, geoquímicos, geofísicos e astrônomos na área. Os trabalhos resultaram em um estudo publicado em 2008 pelos pesquisadores Viktor Antipin e Aleksandr Fedorov, que apresentou dados geoquímicos e geológicos apontando para uma origem endógena isto é, provocada por forças do próprio interior do planeta ocorrida em múltiplas etapas.
O que os anéis das árvores revelam sobre a idade da Cratera de Patom
Como o achado de Vadim Kolpakov em 1949 marcou apenas o conhecimento oficial da estrutura pela ciência, as equipes precisaram buscar métodos indiretos para descobrir quando as rochas emergiram. A ferramenta adotada foi a dendrocronologia, técnica científica que analisa os anéis de crescimento no interior dos troncos das árvores que crescem tanto sobre o monte de calcário quanto na floresta ao redor.
Os cientistas examinaram a idade das árvores em setores distintos do cone, a presença de troncos inclinados ou danificados por movimentações do solo e variações na largura dos anéis que indicam alterações ambientais bruscas. Os registros biológicos comprovaram que a Cratera de Patom não nasceu de um único evento instantâneo, mas teve seus setores erguidos em etapas diferentes ao longo do tempo.
Os cálculos de dendrocronologia indicam que a formação surgiu há algumas centenas de anos, sem que haja um número único aceito por todas as instituições que compilam os estudos da área, já que a idade das árvores reflete o período após a estabilização das pedras e não o instante exato do início do fenômeno.
Hipóteses em debate sobre os gases e o gelo na Cratera de Patom
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Mesmo com a confirmação de que o material veio de camadas subterrâneas, o mecanismo exato e definitivo que deslocou 1 milhão de toneladas de blocos de calcário e moldou a configuração circular com um monte no meio continua em debate. Os pesquisadores dividem as possibilidades entre o vulcanismo gasoso, a circulação de fluidos por fraturas na rocha, explosões freáticas quando a pressão extrema do vapor d’água subterrâneo fragmenta o terreno e processos ligados ao congelamento do subsolo.
Nesta última linha de investigação, os cientistas avaliam se a formação de gelo subterrâneo teve força suficiente para deformar as camadas superiores de rocha ou se houve liberação repentina de gases que estavam armazenados em estruturas congeladas sob a terra, seguida pelo abatimento e acomodação dos blocos. O acesso difícil à região remota da taiga siberiana impõe obstáculos logísticos às campanhas de campo, e o esclarecimento definitivo de qual força ergueu o Cone de Kolpakov depende da realização de novos levantamentos e investigações diretas do subsolo local.
