Sabina Donadelli lista cardápio que protege a saúde hepática

9 min de leitura
Figado Foto: Figado - Foto: peakSTOCK/istock

Trinta por cento da população brasileira apresenta algum grau de acúmulo de gordura nas células hepáticas, segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Para reverter e prevenir esse quadro, conhecido clinicamente como esteatose hepática, a nutricionista clínica e especialista em longevidade Sabina Donadelli selecionou seis ingredientes naturais capazes de auxiliar na filtragem de impurezas do organismo. A inclusão diária desses itens ricos em compostos bioativos favorece a renovação celular, reduz quadros inflamatórios e estimula a síntese de enzimas essenciais. A adoção de medidas preventivas na mesa busca frear complicações graves decorrentes do depósito de tecido adiposo na região.

A manutenção da atividade plena dessa glândula responde pela filtragem do sangue, pelo processamento adequado dos macronutrientes e pela eliminação de substâncias tóxicas. O excesso de produtos industrializados e de bebidas alcoólicas sobrecarrega essa engrenagem biológica e provoca manifestações físicas claras, entre elas dores de cabeça, cansaço contínuo e perda de viço na pele. De acordo com a avaliação de Sabina Donadelli, tais sintomas operam como alertas fisiológicos que demandam ajustes imediatos nas escolhas alimentares.

Alimentos Saudaveis
Alimentos Saudaveis – Foto: YelenaYemchuk/iStock

A dinâmica de filtragem e os reflexos do estilo de vida sobre o órgão envolvem três fatores diretos observados na prática clínica:

  • Processamento contínuo: toda substância ingerida pelo ser humano, desde refeições cotidianas até fórmulas farmacológicas complexas, passa obrigatoriamente pela metabolização na estrutura hepática.
  • Efeitos da má alimentação: o aporte elevado de gorduras de baixa qualidade e de carboidratos simples acelera a retenção de tecido adiposo local e favorece a instalação de doenças crônicas.
  • Ação antioxidante: cardápios abastecidos com substâncias antioxidantes preservam o desempenho máximo da capacidade de filtragem orgânica.

Cinarina presente na alcachofra estimula a secreção da bile

A alcachofra lidera a lista de indicações elaborada por Sabina Donadelli por reunir concentrações elevadas de cinarina em sua estrutura. Esse composto antioxidante age diretamente na ampliação do fluxo biliar, fluido encarregado de digerir moléculas lipídicas e eliminar resíduos acumulados ao longo do tubo digestivo. Estudos científicos atestam a capacidade hepatoprotetora da planta comestível na defesa dos tecidos contra danos estruturais e na reversão de estágios iniciais de depósito gorduroso. O ingrediente pode integrar a rotina por meio de pratos frios, preparações cozidas ou infusões.

O aproveitamento nutricional atinge seu ápice quando o vegetal acompanha carnes de baixo teor de gordura nas refeições principais. Pessoas com diagnóstico de cálculos na vesícula biliar ou de insuficiência hepática grave, por outro lado, dependem de autorização médica antes de iniciar o consumo, já que o aumento na produção de bile pode intensificar essas condições. A cocção a vapor representa a técnica culinária mais adequada para conservar as vitaminas em uma cota diária estipulada entre 100 e 150 gramas.

Sulforafano do brócolis ativa enzimas que dissolvem toxinas

Integrante do grupo das plantas crucíferas, o brócolis atua na proteção orgânica por fornecer sulforafano em abundância. Segundo explica a nutricionista clínica, o elemento químico natural funciona como um ativador das chamadas enzimas de fase dois, moléculas responsáveis por diluir toxinas que ficam retidas em partículas de gordura. Essa propriedade bioquímica promove a remoção de detritos celulares e reduz a ocorrência de processos inflamatórios persistentes e de morte tecidual.

O preparo cru ou submetido apenas a um breve choque térmico em água aquecida preserva as propriedades originais do alimento. A recomendação estabelece a ingestão de aproximadamente 200 gramas da hortaliça em três dias da semana, acompanhada de azeite extravirgem para otimizar a assimilação dos compostos bioativos pelo trato digestivo. O volume expressivo de fibras presentes na composição ainda regula o funcionamento intestinal e diminui a carga de dejetos metabólicos direcionada ao sistema hepático.

Veja também: Sociedade Brasileira de Hepatologia alerta para gordura no fígado e nutricionista indica cardápio protetor

Betalaínas e ferro da beterraba ampliam o transporte de oxigênio

A coloração intensa da beterraba decorre da alta concentração de betalaínas, pigmentos naturais que neutralizam o estresse oxidativo nas células. Conforme a análise nutricional, tais substâncias ampliam a oferta de oxigênio nos tecidos e agilizam o transporte de vitaminas pelo corpo, condição necessária para sustentar os mecanismos de depuração interna. A presença de ferro na raiz também atua na prevenção da anemia, preserva o vigor físico e alivia a sobrecarga sobre o metabolismo basal.

O manejo doméstico desse tubérculo exige atenção à temperatura e às quantidades para evitar a perda de princípios ativos:

  • Formas de consumo: o ingrediente aceita preparo ralado in natura, extração em sucos ou assamento combinado a especiarias.
  • Porção recomendada: a medida diária corresponde a cerca de 150 gramas da raiz íntegra ou a um copo médio do suco extraído a frio.
  • Sensibilidade térmica: o calor excessivo degrada as betalaínas, motivo pelo qual o tempo de fogão deve ser reduzido ao mínimo necessário.

A combinação da beterraba com sucos cítricos ou fragmentos de gengibre multiplica o potencial depurativo da receita. Pacientes com predisposição a cálculos renais, entretanto, precisam controlar a frequência de consumo devido à presença expressiva de oxalato na raiz, componente ligado à formação de pedras nos rins.

Glutationa e gorduras monoinsaturadas do abacate controlam lipídios

O abacate destaca-se entre as frutas pela oferta elevada de glutationa, considerada o principal agente antioxidante voltado à manutenção das atividades filtrantes do corpo. A molécula protege os hepatócitos contra a degradação provocada pelos radicais livres durante o desmonte de substâncias nocivas. Em conjunto, a presença de gorduras monoinsaturadas na polpa regula o metabolismo de triglicerídeos e do colesterol, evitando a fixação de lipídios nas estruturas internas.

A cota diária indicada pela especialista equivale a meia fruta, passível de inclusão em saladas, torradas ou vitaminas. O aporte expressivo de vitamina E na composição fortalece a parede das células diante de agentes agressores externos. Para manter a eficácia terapêutica do alimento, o preparo deve excluir totalmente a adição de produtos industrializados ou de açúcares refinados.

Curcumina presente no açafrão-da-terra bloqueia vias inflamatórias

Conhecida na gastronomia funcional como açafrão-da-terra, a raiz de cúrcuma concentra a curcumina como substância ativa de alto valor biológico. Esse composto age no bloqueio de rotas inflamatórias no interior da glândula e contém o avanço do acúmulo patológico de gordura. Dados clínicos apontam que a ingestão regular do tempero estabiliza os índices de colesterol e modula as descargas de insulina na corrente sanguínea.

O aproveitamento seguro da especiaria na rotina alimentar baseia-se em critérios específicos de combinação e tolerância gástrica:

Confira também: Saúde do fígado: pesquisa aponta quais alimentos protegem e quais elevam risco de doenças

  • Uso culinário: a medida de uma colher pequena ao dia pode ser incorporada a bebidas matinais, caldos quentes ou ao feijão.
  • Absorção ampliada: o acréscimo de uma pitada de pimenta-preta aumenta a biodisponibilidade da curcumina no trato digestivo.
  • Cuidados gástricos: quantidades excessivas do pó podem provocar desconforto na mucosa do estômago e quadros de azia em indivíduos sensíveis.

A utilização da cúrcuma em infusões ou no preparo de temperos caseiros configura a via mais segura de administração contínua. Sabina Donadelli alerta que a suplementação por meio de cápsulas concentradas depende estritamente de prescrição médica, pois dosagens isoladas em alta concentração apresentam risco de interação adversa com medicamentos de uso regular.

Ácido ascórbico do limão estimula a liberação de enzimas digestivas

O limão encerra a relação de seis alimentos protetores graças ao teor elevado de ácido ascórbico e de elementos que freiam a oxidação das células. De acordo com a nutricionista, o suco extraído da fruta cítrica funciona como um estímulo químico para que a glândula hepática libere maior volume de enzimas voltadas à digestão. O ingrediente adapta-se ao preparo de marinadas, temperos para folhas ou à ingestão diluída em água morna no início da manhã.

Beber o líquido em jejum logo após o despertar condiciona o sistema gastrointestinal para processar as refeições seguintes do dia. A recomendação prática consiste em espremer um limão inteiro em um copo de água filtrada. Pessoas diagnosticadas com refluxo gastroesofágico ou gastrite devem elevar a proporção de água na mistura para proteger o revestimento estomacal contra a acidez.

Corte de ultraprocessados, hidratação e sono completam a proteção

A adoção desses seis itens perde eficácia caso o indivíduo mantenha a ingestão rotineira de agentes agressores ao metabolismo. A suspensão severa do álcool, de doces e de salgadinhos embalados constitui a base para proporcionar alívio funcional à glândula. Esse intervalo de recuperação metabólica depende ainda da prática regular de exercícios e da reposição hídrica adequada ao longo do dia.

Três medidas comportamentais sustentam a regeneração física e a eliminação dos resíduos processados pelo órgão:

  • Consumo de água: a ingestão mínima de dois litros diários fornece o meio líquido indispensável para excretar as toxinas filtradas.
  • Exercício físico: atividades aeróbicas e cardiovasculares elevam a circulação sanguínea e agilizam a passagem do sangue pelo sistema de filtragem.
  • Descanso noturno: um período de oito horas contínuas de sono assegura o tempo biológico exigido para a reparação dos tecidos danificados.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas