A Polícia Federal intimou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a entregar seus passaportes nesta segunda-feira (26), em Brasília. O parlamentar, derrotado no segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro de 2026 por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
A íntegra da decisão judicial que fundamentou a intimação permanece sob sigilo. Na sexta-feira (23), em entrevista nos Estados Unidos, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu a saída do irmão caso perdesse o pleito. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”, declarou Eduardo. Antes da confirmação da medida policial, os deputados federais Duda Salabert (PSOL-MG), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o STF pedindo a retenção do documento. “Ele não vai fugir do país porque o negão aqui não vai deixar”, afirmou Otoni de Paula.
Inquéritos contra Flávio Bolsonaro sobre Willer Tomaz e o filme Dark Horse
O primeiro inquérito no STF, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, teve origem na Polícia Federal no Rio Grande do Sul e apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas, plataformas de pagamento e o advogado Willer Tomaz. Os investigadores identificaram que o senador constava cadastrado até pelo menos 22 de maio de 2025 como usuário com acesso privilegiado, denominado “master”, em uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, ligada ao advogado. Flávio Bolsonaro e a defesa de Willer Tomaz negam irregularidades, sustentam que mantêm apenas relação de amizade sem movimentação financeira conjunta e classificam o bloqueio judicial como desproporcional.
A segunda frente de investigação na Corte é o Inquérito 5.070, sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal analisa mensagens e áudios sobre supostos repasses negociados pelo parlamentar com o empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para esclarecer a origem dos recursos e eventual lavagem de dinheiro. O senador nega irregularidades e afirma que os valores negociados tinham natureza privada.
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Valores e prazos das investigações sobre Flávio Bolsonaro no STF
- Limite de bloqueio judicial: até R$ 6 bilhões em bens e valores determinados contra o advogado Willer Tomaz em 23 de outubro de 2026, além da quebra de sigilos bancário, fiscal e cambial e da suspensão de empresas.
- Movimentação sob análise: aproximadamente R$ 130 milhões registrados em operações entre março e maio de 2025 em uma conta investigada ligada às empresas do advogado.
- Financiamento audiovisual: cerca de US$ 12,3 milhões em transferências até setembro de 2025 apontados em relatórios policiais sobre o filme Dark Horse.
- Diligências pendentes: 90 dias de prorrogação de prazo solicitados pela Polícia Federal ao ministro André Mendonça para concluir a apuração com cooperação internacional.
Fuga de Alexandre Ramagem em 2025 e cancelamento de passaportes
A retenção de documentos de viagem tem precedentes entre investigados próximos ao parlamentar. Em agosto de 2026, Willer Tomaz viajou para os Estados Unidos durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o que levou ao cancelamento de seus passaportes, incluindo um diplomático, na decisão de outubro. Além disso, em 2025, o deputado cassado Alexandre Ramagem (PL-RJ), aliado do senador, deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana na véspera de ser condenado pelo STF por tentativa de golpe.
Mandato de Flávio Bolsonaro no Senado e regras de foro no STF até 2027
Por volta das 11h desta segunda-feira (26), o candidato derrotado visitou o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília, após o fim de uma suspensão de visitas de 90 dias imposta por Moraes em julho e encerrada em 11 de outubro de 2026. O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado se encerra em fevereiro de 2027. Mesmo sem o cargo, os inquéritos podem continuar no STF: em março de 2025, por 7 votos a 4, o tribunal definiu que investigações por crimes cometidos durante o mandato e em razão da função permanecem na Corte, cabendo aos ministros analisar o enquadramento dos fatos.
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