Geraldo Alckmin desponta como favorito para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula

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Alckmin - Foto: instagram

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), desponta nesta segunda-feira (26) como o nome mais cotado para comandar o Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A articulação em Brasília e em São Paulo ocorre um dia após a vitória no segundo turno das eleições presidenciais sobre o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e busca sinalizar compromisso com o equilíbrio das contas públicas ao mercado financeiro.

Questionado sobre a possibilidade de o vice-presidente assumir a pasta econômica a partir de 2027, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a escolha caberá a alguém da estrita confiança do chefe do Executivo e que o governo não abrirá mão do superávit fiscal. “Ele pode ser o que quiser. É um excepcional vice”, declarou o dirigente partidário sobre o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Apoio de Lula a Geraldo Alckmin e promessa de novas reformas

A aproximação política entre o presidente e seu vice consolidou-se desde o início do terceiro mandato, em 2023. Nos dois pronunciamentos realizados na noite de domingo, 25 de outubro de 2026, em um hotel na cidade de São Paulo para celebrar o resultado das urnas, o petista fez questão de colocar o companheiro de chapa para discursar à sua frente. “Feliz do presidente que tem um vice da qualidade, lisura de comportamento e lealdade que tenho no Alckmin”, afirmou Lula durante a comemoração.

Ao conversar com jornalistas após atender apoiadores no local, o vice-presidente agradeceu os votos recebidos pelo projeto político e destacou que a gestão terá como foco o avanço de medidas estruturais no Congresso Nacional. “Agora vamos trabalhar de maneira ainda mais redobrada, avançar em mais reformas, como a reforma tributária que o presidente Lula fez, e estar à altura da confiança do povo”, disse Alckmin.

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Disputa interna no PT por Rafael Fonteles e mudanças na Esplanada

Apesar do favoritismo de Geraldo Alckmin devido à necessidade de acalmar os investidores que apoiaram majoritariamente a candidatura de Flávio Bolsonaro no pleito, uma ala do PT trabalha por uma solução interna da sigla para o comando da economia. Esse grupo defende a nomeação do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que atuou na coordenação da campanha presidencial no segundo turno ao lado de Edinho Silva e do ex-ministro da Educação Camilo Santana, além de ter exercido o cargo de secretário da Fazenda do Piauí entre 2015 e 2022.

A tendência no Palácio do Planalto, contudo, é priorizar um perfil de confiança direta do presidente que tenha trânsito livre entre agentes financeiros e não pertença aos quadros petistas. Essa movimentação no núcleo econômico também abre discussões sobre o preenchimento de outras pastas estratégicas para a próxima gestão.

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  • Ministério da Fazenda: tem como principal cotado o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e, como alternativa defendida por setores do PT, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
  • Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC): caso Alckmin migre para a Fazenda, Dario Durigan é o nome cotado para assumir o comando da pasta.
  • Casa Civil ou Ministério da Educação (MEC): o ex-ministro e coordenador de campanha Camilo Santana é cotado para chefiar a articulação política no Planalto ou retornar à pasta educacional.

Meta de 2% do PIB no ajuste fiscal e histórico de Geraldo Alckmin

O principal desafio do futuro titular da Fazenda será evitar que a deterioração dos indicadores financeiros afete a economia real, o que exigirá a apresentação rápida de um plano de contenção de despesas. Na avaliação de economistas, o equilíbrio das contas públicas no quarto mandato demandará a revisão de gastos tributários (desonerações e benefícios fiscais concedidos a setores econômicos), além de mudanças nas regras de indexação do salário mínimo e nos pisos constitucionais destinados à saúde e à educação.

O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, aponta os gastos tributários como o alvo prioritário para o corte de despesas neste momento de transição. “O ajuste fiscal deve mirar um superávit primário de 2% do PIB”, afirmou Salto sobre o resultado das contas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública.

Interlocutores do governo relatam que o vice-presidente tratou do tema do ajuste fiscal diversas vezes com Lula ao longo do mandato iniciado em 2023, demonstrando preocupação constante com o crescimento da dívida pública, embora defenda que a contenção não provoque recessão a curto prazo nem recaia sobre a população mais pobre. Governador de São Paulo por quatro mandatos, Alckmin construiu reputação de austeridade interna: em 2024, viajou de classe econômica em missão oficial para a China, diferentemente de outros ministros que utilizaram a classe executiva, e reduziu as despesas da Vice-Presidência na comparação com seu antecessor, o general Hamilton Mourão.

Além do controle de gastos internos, o histórico recente à frente do MDIC reforça sua cotação junto ao empresariado. Durante o tarifaço comercial imposto pelo governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, contra produtos brasileiros, o então ministro conduziu as negociações com as autoridades norte-americanas e acolheu as demandas dos setores industriais afetados.

Apesar das declarações de lideranças partidárias e das projeções de integrantes do governo, ainda não há anúncio oficial ou decisão definitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre quem será nomeado para o Ministério da Fazenda para o mandato que se inicia em 2027.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração