Nintendo Switch 2: exploit ns2jb extrai dados de Deltarune e The Duskbloods e leva à remoção de aplicativo

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Nintendo Switch 2 - foto Foto: Nintendo Switch 2 - foto: Divulgação

O desbloqueio via software ns2jb para o Nintendo Switch 2 resultou na extração inicial de arquivos internos de Deltarune, da versão beta de The Duskbloods e de Mario Kart World no sábado (24). Como reação direta ao avanço da falha de segurança, a Nintendo removeu o aplicativo de programação SmileBASIC 4 da loja digital eShop para bloquear o método utilizado pelos pesquisadores.

Os relatos sobre a cópia dos dados internos dos jogos, processo técnico conhecido como dump, ganharam força nas redes sociais durante o fim de semana. “As primeiras ROMs do Nintendo Switch 2 estão oficialmente sendo extraídas, começando com Deltarune (Capítulos 1 a 4)! Um vazamento do Discord Underminers revela que os controles de mouse de PC estão mapeados para simular ambos os Joy-Cons nos minijogos de Mike. A cena de mineração de dados está decolando!”, afirmou o perfil Project Lightning, em tradução livre.

Como funciona o exploit ns2jb no firmware 23.0.1 do Nintendo Switch 2

O responsável pelo desenvolvimento da ferramenta ns2jb é o pesquisador de segurança Sammy Hajhamid, conhecido na comunidade pelo apelido pepsipu, que construiu o projeto com o auxílio da ferramenta de inteligência artificial Codex, da OpenAI. O método funciona especificamente na versão 23.0.1 do sistema operacional do Nintendo Switch 2 e se aproveita de uma vulnerabilidade de estouro de inteiro (integer overflow, quando um cálculo matemático ultrapassa o limite de memória reservado) de 32 bits no gerenciamento de matrizes dentro do aplicativo SmileBASIC 4, lançado originalmente para o primeiro console da linha e executado no novo aparelho por meio do recurso de retrocompatibilidade.

A brecha aberta pelo aplicativo permite ao usuário executar códigos nativos arbitrários diretamente no sistema, criar cópias de segurança de arquivos de progresso das partidas (saves) e aplicar modificações em títulos comerciais sem a necessidade de abrir o videogame para instalar um modchip físico. Nas primeiras demonstrações públicas da falha de segurança em Mario Kart World, que repercutiram na quinta-feira (22), usuários conseguiram inserir personagens modificados nas corridas, incluindo Sonic, Hatsune Miku, Cinnamoroll, Peter Griffin e o pássaro Red, da franquia Angry Birds.

Jogos expostos e dados extraídos no Nintendo Switch 2

Além da inserção de personagens externos nas corridas, a exploração dos diretórios do sistema com o ns2jb levou à descoberta de materiais internos em três títulos específicos disponibilizados na plataforma:

Acompanhe: Nintendo Switch 2: falha no aplicativo SmileBASIC 4 libera execução de homebrew e mods sem abrir o console

  • Deltarune (Capítulos 1 a 4): extração dos arquivos internos do RPG e identificação de comandos de mouse de computador configurados para simular os dois controles Joy-Con nos minijogos do personagem Mike.
  • The Duskbloods: divulgação de imagens da análise de arquivos referentes à versão de testes (beta) do jogo desenvolvido pelo estúdio FromSoftware.
  • Mario Kart World: localização de um novo modelo tridimensional da personagem Princesa Peach guardado dentro das pastas internas do título de corrida.

Limitações do desbloqueio no Nintendo Switch 2 em relação ao primeiro console

Apesar de permitir a leitura de pastas de jogos e a aplicação de modificações visuais, o exploit ns2jb apresenta barreiras técnicas que impedem a pirataria ou o controle total do aparelho. Diferentemente do primeiro Nintendo Switch, que teve sistemas alternativos completos (custom firmwares) como o Atmosphère desenvolvidos pela comunidade e exigia intervenção física ou chips soldados na placa em revisões posteriores de hardware, a ferramenta atual do Switch 2 atua exclusivamente via software, mas permanece restrita ao espaço de usuário comum.

Na prática, o método é classificado como um desbloqueio temporário (tethered), condição na qual todas as alterações são apagadas da memória volátil assim que o videogame é desligado ou reiniciado, exigindo que o procedimento seja repetido a cada nova inicialização. O ns2jb também não concede acesso ao núcleo do sistema operacional (kernel) nem às chaves de criptografia de hardware da fabricante, o que impossibilita a criação de um sistema modificado permanente ou a execução das cópias extraídas em emuladores de computador.

Reação da Nintendo e o que ainda não foi confirmado sobre o Switch 2

A retirada do SmileBASIC 4 do catálogo da eShop foi a primeira medida pública tomada pela fabricante japonesa para conter a multiplicação do desbloqueio entre os proprietários do console. Nos bastidores, o pesquisador de segurança Gezine, conhecido pelo desenvolvimento de falhas para o PlayStation 5, relatou ter recebido um e-mail oficial enviado pela Nintendo logo após a repercussão do caso.

Até esta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o conteúdo da mensagem enviada pela empresa a Gezine e a eventual existência de notificações extrajudiciais ou ameaças de processos legais não foram revelados. Também permanecem sem comprovação independente a extensão exata e a autenticidade completa dos arquivos atribuídos à versão beta de The Duskbloods e ao modelo tridimensional da Princesa Peach. Enquanto a compatibilidade do ns2jb com futuras atualizações de sistema segue indefinida, pesquisadores de segurança investigam em estágio inicial a viabilidade de uma nova brecha pelo motor de navegação WebKit, alternativa que dispensaria o uso do aplicativo removido da loja virtual.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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