Eleições 2026: Lula é reeleito presidente no segundo turno após virada inédita sobre Flávio Bolsonaro

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Luís Inácio Lula da Silva - Instagram Foto: Luís Inácio Lula da Silva - Instagram

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais realizado neste domingo (25) e conquistou o quarto mandato no Palácio do Planalto. No balanço oficial divulgado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, o petista somou 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), contra 59.826.041 votos (48,21%) do adversário.

Após a confirmação da vitória, que mantém Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, o Geraldo Alckmin (PSB), como vice-presidente da República para o período de 2027 a 2030, o chefe do Executivo atribuiu o resultado a manifestações de “honradez, nacionalismo e democracia” do eleitorado e discursou sobre a relação com o Legislativo. “Não vou falar em unidade nacional, porque essa palavra nem sempre cabe neste país. Mas, se depender de mim, esse país só tem que ter civilidade. Este país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos. Foi eleito para governar com base no respeito à Constituição, na relação com o Congresso Nacional. Eu não escolhi o Congresso; foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar”, declarou Lula.

Como foi a apuração que reelegeu Lula no segundo turno?

A totalização dos votos registrou alternância na liderança ao longo da noite de 25 de outubro de 2026. Lula abriu a contagem na frente e manteve a primeira posição até as 19h46, horário em que Flávio Bolsonaro assumiu a dianteira. O senador permaneceu na liderança durante 38 minutos, mas o candidato do PT retomou o primeiro lugar às 20h24 e sustentou a vantagem até o encerramento da apuração.

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Às 21h08, o sistema do TSE confirmou matematicamente a reeleição quando 97,69% das seções estavam totalizadas. O placar é o primeiro desde a redemocratização em que um candidato presidencial reverte no segundo turno a desvantagem do primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 2026, quando Flávio Bolsonaro havia terminado à frente com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do petista, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.

Quando o índice de urnas apuradas atingiu 99,9%, o ministro Kassio Nunes Marques telefonou para Lula para cumprimentá-lo pelo resultado e também ligou para Flávio Bolsonaro, destacando a votação obtida pelo parlamentar. Em pronunciamento oficial, o presidente do TSE dedicou o processo aos votantes. “Esta noite não pertence apenas às chapas eleitas. Ela pertence, sobretudo, à eleitora e ao eleitor brasileiros, principais protagonistas das eleições e os destinatários de todo o trabalho realizado pela Justiça Eleitoral”, afirmou Nunes Marques, que acrescentou: “Ao presidente Lula, registro o reconhecimento da Justiça Eleitoral por sua participação em mais este processo democrático e pela vitória nas urnas. Sua trajetória política atravessa diferentes períodos da história democrática brasileira. Participou como candidato de oito eleições, tendo vencido 4 delas”.

Prorrogação no STF até as 19h e pedido de anulação de Flávio Bolsonaro

A votação teve uma decisão inédita na história recente do país tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Às 17h02, o magistrado determinou a prorrogação do funcionamento até as 19h para todas as seções eleitorais em que as urnas ainda estivessem abertas após as 17h, sem reabertura dos locais já encerrados. A medida atendeu a um requerimento da coligação Brasil Pronto Pra Mais, da campanha de Lula, que relatou falhas e falta de ônibus no transporte de eleitores em diversos estados, principalmente na Bahia e em São Paulo. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia protocolado pedido no TSE para estender o horário até as 19h, sob a justificativa de que chuvas e interrupções no fornecimento de energia elétrica prejudicaram a locomoção de votantes em cidades de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

O TSE chegou a liberar os dados de 0,25% das urnas logo após as 17h, mas suspendeu a divulgação em cumprimento à ordem do STF e só retomou a publicação dos números depois do fechamento definitivo às 19h. Derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro declarou que não reconhece o resultado e anunciou que acionará a Justiça para tentar invalidar o pleito por causa da ampliação do horário. “O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável. Pela primeira vez na história um ministro do STF dá uma canetada e muda a regra do jogo. As eleições deveriam ter sido anuladas. É impossível reconhecer o resultado”, afirmou o senador.

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Números e cronologia do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro

  • Eleitores aptos a votar no segundo turno: cerca de 158 milhões.
  • Comparecimento total às urnas: 128,2 milhões de eleitores.
  • Taxa de abstenção: 19,21% (menor índice para um segundo turno desde 2018 e abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno).
  • Votos brancos e nulos somados: 3,24% do total.
  • Placar da confirmação matemática às 21h08 (97,69% das urnas): 62,6 milhões de votos (51,74%) para Lula contra 58,4 milhões (48,26%) para Flávio Bolsonaro.

Recorde de Lula em eleições diretas e trajetória da chapa com Geraldo Alckmin

Com a vitória de 2026, Lula torna-se o 40º presidente do Brasil e amplia o recorde de triunfos em eleições diretas para a Presidência da República, tendo vencido em 2002, 2006, 2022 e 2026, à frente de Dilma Rousseff (2010 e 2014), Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998) e Rodrigues Alves (1902 e 1918). Nascido em Garanhuns (PE) em 27 de outubro de 1945, o petista completa 81 anos nesta terça-feira (27). Torneiro mecânico formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema entre 1975 e 1980, participou da fundação do PT em 1980 e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1983, foi deputado federal constituinte (1987-1991) e concorreu ao Planalto em 1989, 1994 e 1998 antes do primeiro mandato. Em abril de 2018, foi preso e permaneceu 580 dias detido na Polícia Federal no Paraná, impedido de disputar a eleição daquele ano com base na Lei da Ficha Limpa (legislação que barra candidatos condenados por órgãos colegiados), até que o STF anulou as condenações em abril de 2021.

A chapa reeleita mantém na Vice-Presidência o médico anestesista Geraldo Alckmin, nascido em Pindamonhangaba (SP) em 7 de novembro de 1952. Ex-governador de São Paulo por quatro mandatos (2001 a 2006 e 2011 a 2018), ele migrou para o PSB em março de 2022 e acumulou a Vice-Presidência da República com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços entre janeiro de 2023 e abril de 2026. A cerimônia de posse de Lula e Alckmin para o novo mandato está marcada para 5 de janeiro de 2027, em Brasília.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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