Portos de Itajaí e Navegantes entram em plano contra El NiñoPor Luís Henrique Costa
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Portos de Itajaí e Navegantes entram em plano de contingência contra os efeitos do El Niño em Santa Catarina. Os portos recebem cerca de 20 navios por semana e a articulação prevê transferir cargas para outros terminais do estado caso eventos climáticos extremos interrompam as operações.
A FACISC (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina) lidera a iniciativa, por meio do Fórum de Infraestrutura e do CONCENI (Conselho de Comércio Exterior e Negócios Internacionais). Na reunião realizada em 3 de novembro de 2026, os participantes encaminharam a criação de um grupo de trabalho que vai levantar o que os órgãos federais conseguem atender e estabelecer regras para emergências.
Imbituba e Itapoá entram na lista de alternativas
Entre as alternativas estão os portos de Imbituba e Itapoá, que poderiam receber parte das cargas caso as operações de Itajaí e Navegantes sejam interrompidas. A FACISC ainda não informou quanto Itapoá poderia receber. Uma reportagem anterior citou que a capacidade ociosa do terminal é limitada, e um executivo do Porto Itapoá disse que a operação já está acima de 80% da capacidade.
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Lito Guimarães, diretor setorial da FACISC, disse que o primeiro passo é identificar a capacidade real de cada instituição e as possibilidades de reforço nas unidades que poderiam receber cargas desviadas. Segundo ele, “sabemos que não existe uma contingência capaz de absorver toda a demanda de Itajaí e Navegantes. Os portos também operam próximos da capacidade. Mas precisamos entender o que cada órgão consegue atender e quais alternativas temos dentro de Santa Catarina. Se for necessário, queremos levar essa demanda à esfera estadual ou nacional para que o empresário tenha condições de se antecipar”.
Porto de Imbituba pode receber capacidade extra temporária
Segundo a estimativa apresentada na reunião, o Porto de Imbituba pode receber capacidade adicional temporária sem comprometer a segurança operacional. A capacidade é medida em TEU, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, usada para contar a movimentação de cargas nos portos. Foram apontadas, porém, limitações nos processos de movimentação de contêineres, principalmente para mercadorias refrigeradas e congeladas.
- Imbituba: 10 mil TEUs de capacidade adicional temporária, estimativa apresentada na reunião
- Crise de 2023: canal de acesso fechado por 16 dias, em outubro
- Crise de 2023: mais de 40 navios impedidos de movimentar cargas nos dois terminais
- Porto Itapoá: operação acima de 80%, segundo executivo citado em reportagem anterior
Crise de 2023 serve de referência para o plano de contingência
A preocupação toma como base a crise de outubro de 2023, quando o fechamento do canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes gerou atrasos nas operações e custos extras para importadores e exportadores. O canal ficou fechado durante 16 dias, e o plano agora busca evitar que um episódio semelhante paralise a entrada e a saída de mercadorias sem alternativas definidas.
Para quem importa e exporta, a principal mudança prevista é a previsibilidade. A FACISC e o CONCENI querem transformar as articulações em rotinas com responsáveis e alternativas já identificados, para que o empresário saiba antecipadamente onde sua carga pode ser movimentada.
Receita Federal, Anvisa e Vigiagro têm papéis no plano
A Receita Federal informou que pode remanejar servidores e elaborar uma portaria local para autorizar transferências excepcionais de cargas entre recintos alfandegados, isto é, locais autorizados pela aduana para guardar mercadorias importadas. A transferência, porém, depende também de fiscais, procedimentos aduaneiros específicos e armazenagem adequada, sobretudo para cargas refrigeradas e congeladas.
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmou que possui um plano de contingência de saúde pública revisado. Como as análises técnicas de mercadorias importadas são centralizadas em Brasília, o órgão deverá esclarecer até onde vai sua capacidade de resposta caso a demanda aumente. O Vigiagro (Vigilância Agropecuária Internacional) relatou reforços recentes nas equipes de Itajaí e Navegantes, com admissões feitas entre 2024 e 2025, e sinalizou apoio remoto e presencial às unidades de Imbituba e Itapoá.
Daise Santos, integrante do CONCENI, disse que a comunicação entre os órgãos pesou na crise anterior. Segundo ela, “um dos fatores que complicaram a última crise foi a interlocução com os diversos órgãos envolvidos. Se tivermos uma ou duas pessoas previamente definidas em cada instituição, saberemos com quem falar, como esclarecer as situações e encaminhar as demandas. As decisões não podem ser antecipadas em sua totalidade, mas precisamos ter os caminhos definidos para tratar cada assunto”.
Grupo de trabalho ainda não tem prazo nem nomes definidos
Cada órgão e entidade deverá indicar representantes para o grupo de trabalho e apresentar informações sobre disponibilidade de pessoal, capacidade de atendimento e procedimentos em uma situação excepcional. Os operadores portuários também deverão detalhar seus limites de absorção de cargas e as possíveis adequações de infraestrutura.
Não há prazo para o grupo concluir o mapeamento, e não há data para o plano de contingência ser aprovado. Também não se sabe se haverá paralisação dos portos de Itajaí e Navegantes em 2026, já que as fontes falam em risco a partir de novembro. Os nomes e cargos dos representantes ainda não foram divulgados, e o detalhamento das regras da portaria da Receita Federal ainda não foi publicado.








