Universidade da Virgínia associa morte inesperada a nascimento mais cedoPor Carolina Costa
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Uma análise de 1.678 relatos de crianças sobre supostas lembranças de vidas passadas encontrou ligação entre a forma da morte e o tempo até o novo nascimento. Pesquisadores da Universidade da Virgínia, em Charlottesville, nos Estados Unidos, observaram que, quando a morte da pessoa identificada foi totalmente inesperada, o intervalo mediano até o nascimento caiu para 12 meses. Nas mortes previsíveis, a mediana foi de 21 meses.
Os resultados foram detalhados em comunicado oficial da UVA Health, a partir de um artigo publicado na revista científica Psychology of Consciousness: Theory, Research, and Practice, editada pela Associação Americana de Psicologia (APA, na sigla em inglês). Os dados vieram da Divisão de Estudos da Percepção (DOPS), unidade da Escola de Medicina da universidade que investiga esse tipo de relato. Dos registros examinados, 1.319 tinham dados temporais completos, e a mediana geral do tempo de espera entre a morte e o nascimento foi de 16 meses.
Quem assina o trabalho e quem financiou a pesquisa
- Registro inicial nos arquivos da divisão: 21 de agosto de 2026
- Divulgação do comunicado da UVA Health: 19 de outubro de 2026
- Autores: Saeedeh Sadeghi, Marieta Pehlivanova e Philip J. Cozzolino
- Financiamento: TMT Foundation, The Philip B. Rothenberg Legacy Fund, BIAL Foundation e The Dreamery Foundation
Variáveis familiares e religiões que rejeitam a reencarnação
Os pesquisadores classificaram como inesperadas as mortes por acidente, violência intencional, suicídio ou crise médica súbita. Doenças prolongadas e velhice ficaram no grupo oposto. Em seguida, a equipe cruzou causa do óbito, idade do falecido e previsibilidade do evento com posição social, contato prévio entre as famílias, precisão dos relatos das crianças e qualidade das informações apuradas.
A relação entre mortes súbitas e intervalos menores se manteve estatisticamente significativa depois dos testes e foi mais forte entre famílias de religiões que não apoiam a crença na reencarnação. Autora principal e pesquisadora de pós-doutorado na Divisão de Estudos da Percepção da Escola de Medicina da Universidade da Virgínia, um relatório anterior já apontava a ligação entre morte violenta e tempo menor até o nascimento. A equipe testou a hipótese de forma mais sistemática e, segundo ela, a associação persistiu em um número muito maior de casos. Para surpresa dos pesquisadores, ela não foi explicada pelos fatores sociais, culturais e psicológicos examinados.
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O coautor Philip J. Cozzolino, psicólogo social e pesquisador da Divisão de Estudos da Percepção, destacou o peso das variáveis familiares na análise. Ele indicou que o efeito continuou após a consideração de fatores culturais e psicológicos e foi mais forte em famílias de religiões que não apoiam a reencarnação. “Esses resultados não sustentam a ideia de que as crenças sociais estejam impulsionando esse padrão”, declarou Cozzolino.
O que o estudo não explica e o arquivo aberto em 1967
Os autores lembram que o levantamento usa dados observacionais e não é um experimento controlado de causa e efeito. O trabalho também não comprova a existência de reencarnação. Embora mais de 30% dos norte-americanos acreditem no fenômeno, não há comprovação científica de que ele ocorra. A imprevisibilidade da morte explica apenas de 2% a 3% da variação total no intervalo mediano analisado.
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O estudo não identificou o mecanismo que liga mortes súbitas a intervalos menores e também não eliminou explicações convencionais, como a circulação de informações entre comunidades e distorções de memória. O banco de dados começou a ser formado na década de 1960 e reúne o acervo da Divisão de Estudos da Percepção, fundada em 1967 pelo psiquiatra Ian Stevenson, falecido em 2007. Os autores declararam não ter interesses financeiros no trabalho e defendem a continuidade das investigações sobre o padrão estatístico.







