Zeptoverso descoberto por cientistas no acelerador de partículas Cern abre nova fronteira físicaPor Maria
3 min de leitura
![]() |
Cientistas que atuam no Grande Colisor de Hádrons da Organização Europeia para Pesquisa Nuclear detectaram sinais físicos na menor escala da natureza já registrada, em dimensão cem bilhões de vezes menor que um átomo. A medição foi confirmada nesta quarta-feira (04) por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. O território subatômico explorado recebeu a denominação de zeptoverso, em alusão ao zeptômetro, grandeza que equivale a um sextilionésimo de metro.
Os dados resultam de colisões de alta energia promovidas na estrutura subterrânea situada na fronteira entre a Suíça e a França. O teste tem o potencial de abrir caminhos práticos para solucionar o mistério da matéria escura, componente que forma cerca de 25% de toda a energia do Universo, mas que nunca interagiu diretamente com a radiação luminosa.
Interações do quark beauty revelam dimensões subatômicas
As análises se concentraram nos fragmentos gerados após choques intensos entre núcleos atômicos. Entre os elementos gerados estava o quark beauty, também chamado de quark bottom, partícula que possui estabilidade efêmera e resiste por apenas 1,5 trilionésimo de segundo antes de se desintegrar.
Mesmo diante de um ciclo tão veloz, os instrumentos conseguiram registrar a interação dessa partícula em distâncias equivalentes a 0,000000000000000000001 metro. “Estamos batendo às portas desse zeptoverso”, afirmou o físico Harry Cliff, da Universidade de Cambridge, responsável por coordenar a interpretação estatística dos parâmetros colhidos.
A relevância do processo reside na suscetibilidade teórica dessa camada infinitesimal à gravidade invisível da matéria escura. Os desvios identificados durante as transformações subatômicas sugerem a presença de forças ou partículas ainda ignoradas pelo Modelo Padrão da física.
Cortes de verbas colocam continuidade do projeto em risco
Para aprofundar as buscas e decifrar quais estruturas habitam essa escala, vinte e oito nações pactuaram um plano de modernização do detector avaliado em 150 milhões de libras, quantia próxima a R$ 1,1 bilhão. A intervenção técnica pretende multiplicar por dez a capacidade de registro desses eventos quânticos.
A continuidade dos trabalhos britânicos, contudo, sofre ameaças orçamentárias. A agência governamental Pesquisa e Inovação do Reino Unido decidiu congelar sua cota de investimento nas melhorias tecnológicas do colisor europeu e suspendeu recursos em outras frentes de astronomia, como o telescópio Lovell.
O corte provocou reação direta de pesquisadores e de representantes da comunidade acadêmica. O coordenador da equipe do experimento, professor Tim Gershon, avaliou que a saída do projeto ameaça o protagonismo de novas gerações de físicos no cenário global.
Em posicionamento público, a agência britânica argumentou que optou por priorizar infraestruturas voltadas a diagnósticos médicos e energias limpas, mantendo apenas a transferência anual obrigatória de 175 milhões de libras destinada à manutenção básica do laboratório multinacional. A identificação definitiva das partículas que atuam nessa dimensão depende do processamento da próxima rodada de colisões.







