Observatório Swift da Nasa reentra na atmosfera sobre a Indonésia após fracasso de resgate e 22 anos de missãoPor Jeronimo Santos
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O Observatório Neil Gehrels Swift, da Nasa, de 1.451 kg, mergulhou de volta na atmosfera da Terra sobre a Indonésia em 4 de novembro de 2026, por volta das 9h39 no horário de Brasília. Dados da Força Espacial dos Estados Unidos indicam o momento e o ponto aproximado da queda, e a agência americana previu que a maior parte da nave se desfaria no caminho, mas que alguns pedaços poderiam sobreviver.
O observatório, lançado em novembro de 2004 para estudar as explosões de raios gama mais poderosas do universo, operou por quase 22 anos. Não ficou imediatamente claro se algum destroço atingiu o solo. Antes da reentrada, a própria Nasa havia estimado em aproximadamente 1 em 2.100 a chance de dano a qualquer pessoa na Terra.
Por que o Swift caiu antes do previsto?
A Nasa sabia havia muito tempo que o Swift acabaria em uma reentrada descontrolada, porque o observatório não tem propulsão para se manter na órbita. Nos últimos anos, explosões intensas e ejeções de massa coronal expandiram e aqueceram a atmosfera da Terra, o que aumentou o arrasto sobre a nave e a fez descer mais depressa. Sem motor, o Swift não pode escolher o momento nem o local da queda, e a agência só pôde acompanhar a descida.
Missão de resgate com a LINK falhou em agosto
A Katalyst Space Technologies, sediada no Arizona, teve menos de um ano para projetar, construir e lançar a LINK, uma espaçonave que deveria agarrar o observatório e erguê-lo a uma órbita estável. O contrato, de US$ 30 milhões, foi assinado em setembro de 2025. A LINK foi lançada em 3 de julho de 2026 por um foguete Pegasus XL, mas começou a girar sem controle no fim de julho. Em 19 de agosto, a Nasa e a Katalyst anunciaram que a LINK não capturaria nem elevaria o Swift.
Datas da queda do Swift
- 3 de julho de 2026: a LINK é lançada por um foguete Pegasus XL.
- 25 de julho de 2026: a LINK começa a girar fora de controle no espaço.
- 19 de agosto de 2026: a Nasa e a Katalyst confirmam que a LINK não elevará o Swift.
- 20 de outubro de 2026: o observatório faz sua última observação científica.
- 4 de novembro de 2026: o Swift reentra na atmosfera sobre a Indonésia.
Nasa encerrou as observações científicas em 275 km
A espaçonave desceu até cerca de 275 km de altitude, abaixo do ponto em que os instrumentos conseguem manter um alvo fixo. Em comunicado à imprensa, a Nasa afirmou que a nave “não era mais capaz de compensar os efeitos do aumento do arrasto” (em tradução livre) e entrou em modo de segurança. Um porta-voz da agência disse que não há planos, por ora, para outra missão de reforço do Swift.
Ao longo da vida, o Swift registrou mais de 2.000 explosões de raios gama e mais de 1.400 supernovas, e seus dados sustentaram cerca de 7.000 artigos científicos, segundo a Nasa. “Swift entregou um retorno incrível e duradouro para a nação”, disse Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica da Nasa (em tradução livre). Em 2005, o observatório captou pela primeira vez o brilho de uma explosão curta, de apenas 0,03 segundo, o que reforçou a teoria de que essas explosões nascem da fusão de duas estrelas de nêutrons.
Reentrada descontrolada: destroços e risco para pessoas
Como a queda não é controlada, a Nasa não pode direcionar os restos para uma área remota do oceano. Segundo a própria agência, peças de tungstênio, mais densas que o chumbo, e partes de espelhos podem resistir ao atrito. Um porta-voz da The Aerospace Corporation, centro de pesquisa financiado pelo governo federal dos EUA, disse que os padrões atuais exigem, em reentradas descontroladas, expectativa de vítimas graves ou mortes inferior a 1 em 10.000. Se o Swift fosse lançado hoje, precisaria seguir regras ainda mais rígidas de planejamento de fim de vida.
Para quem vive no Brasil ou em qualquer outra região, não há medida de segurança a tomar. As previsões de reentrada costumam se estreitar apenas nos últimos dias, e relatos de um local específico de queda nas redes sociais só devem ser levados a sério depois de confirmação oficial.
Nasa pede ideias para o Hubble com prazo em 2032
Em 29 de outubro de 2026, a Nasa publicou um pedido de informações (RFI), e não uma solicitação formal de propostas, para saber o que empresas comerciais poderiam fazer com o Hubble: elevar a órbita, dar serviço no espaço ou conduzir uma reentrada controlada. O telescópio, lançado em 1990, tem 10% de chance de reentrar até setembro de 2032 e 50% até dezembro de 2033, segundo a análise de julho da agência. Por isso, qualquer missão teria de acontecer até 2032 e não poderia danificar o telescópio. Ainda não há verba reservada para a empreitada.
Os interessados têm até 30 de novembro de 2026, às 15h do horário de Nova York (17h em Brasília), para enviar as respostas.







