NEOWISE: queda de satélite da NASA com 660 kg mobiliza monitoramento sobre rotas no Brasil e no mundoPor Carolina Costa
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O telescópio espacial NEOWISE da NASA entrou na fase final de reentrada atmosférica descontrolada na Terra, mobilizando equipes de monitoramento orbital em todo o mundo. A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos confirmou que a estrutura de 660 quilos perdeu sustentação devido ao aumento do arrasto nas camadas superiores do planeta. Embora a rota orbital sobrevoe regiões situadas entre as latitudes que englobam grande parte da América do Sul e o Brasil, a probabilidade de danos materiais ou ferimentos a pessoas em solo é considerada estatisticamente remota.
A desintegração ocorre pela fricção violenta gerada pela velocidade orbital ao cruzar as camadas mais densas da atmosfera. A imensa maioria dos componentes metálicos e sensores ópticos evapora antes de tocar o solo ou a superfície dos oceanos.
Dinâmica da reentrada e risco para o continente
Modelos matemáticos desenvolvidos pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA apontam que o calor extremo gerado pela desaceleração a mais de 27 mil quilômetros por hora decompõe estruturas compostas de alumínio e carbono. Especialistas em rastreamento espacial destacam os fatores centrais que afastam perigo iminente para a população:
- Destruição quase integral da carcaça do telescópio durante a passagem pelas camadas atmosféricas intermediárias
- Extensão territorial oceânica sob a órbita de inclinação do satélite cobrindo mais de 70% da trajetória
- Índice de risco individual de impacto calculado em menos de uma chance em dezenas de milhares
- Monitoramento em tempo real feito por radares da Força Espacial dos Estados Unidos
Caso algum fragmento denso de aço inoxidável ou berílio resista ao estresse térmico, o destino mais provável é o fundo do mar ou áreas florestais remotas. A chance de um habitante específico ser atingido por lixo espacial dessa magnitude fica abaixo do risco ordinário de ser atingido por um raio.
Atividade solar acelerou perda de altitude
A descida do observatório ocorreu muito antes das projeções iniciais em decorrência do pico de atividade do Ciclo Solar 25. Tempestades solares frequentes ejetaram partículas que aqueceram a termosfera da Terra, provocando a expansão dos gases atmosféricos para altitudes onde o instrumento operava.
Com o ar rarefeito mais denso na borda do espaço, a fricção aumentou progressivamente desde o primeiro semestre. Sem motores de manobra capazes de elevar a órbita, o satélite iniciou uma espiral descendente inevitável.
Legado científico de caça aos asteroides
Originalmente lançado em 14 de dezembro de 2009 sob a designação Wide-field Infrared Survey Explorer, o equipamento mapeou o céu em quatro comprimentos de onda no infravermelho. Depois de esgotar o refrigerante criogênico em 2011 e passar por um hiato de dois anos, o projeto ganhou novo fôlego em 2013 sob o nome NEOWISE, voltado para detectar objetos próximos da Terra que pudessem representar risco de colisão.
O instrumento descobriu dezenas de milhares de asteroides e cometas escuros, incluindo o cometa C/2020 F3, avistado a olho nu em 2020. O comando final de desativação foi transmitido pela equipe de controle de missão em 8 de agosto de 2024, cortando a transmissão de rádio e deixando o observatório à deriva até o mergulho definitivo na atmosfera terrestre.








