Fóssil com sangue descoberto no Ceará revela semelhança surpreendente entre dinossauros e humanosPor Beatriz
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Pesquisadores identificaram resquícios químicos de sangue fóssil preservados há 115 milhões de anos no interior de ossos do dinossauro Aratasaurus museunacionali, animal que viveu na região onde hoje fica o município de Santana do Cariri, no Ceará. A análise laboratorial detectou moléculas intactas de heme, estrutura responsável pelo transporte de oxigênio na hemoglobina, além de glóbulos vermelhos mineralizados nos canais vasculares do espécime. O achado foi divulgado formalmente em 2 de novembro de 2026. Comprovou-se, dessa maneira, a homeotermia desses animais pré-históricos. Dinossauros mantinham a temperatura corporal constante e um metabolismo ativo similar ao de aves e mamíferos, em vez de depender do calor do ambiente como os répteis modernos.
Essa constatação encerra um debate histórico sobre o ritmo biológico e a fisiologia dos dinossauros fósseis encontrados em solo brasileiro. Animais de sangue quente podiam se deslocar por longas distâncias, caçar sem pausas prolongadas para termorregulação solar e resistir a oscilações térmicas sem perder velocidade motora. A pesquisa demonstrou que a estrutura molecular associada à respiração celular nos tecidos vasculares do Aratasaurus apresenta princípios compartilhados com os humanos e outros vertebrados endotérmicos contemporâneos. A detecção dessas hemácias intactas em escala microscópica confirma que os tecidos moles e as proteínas complexas sobrevivem a intervalos de tempo geológico muito superiores aos limites antes estipulados pela comunidade científica mundial.
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O estudo internacional foi coordenado pela cientista Kliti Grice, diretora do Centro de Geoquímica Orgânica e Isotópica da Universidade Curtin, localizada em Perth, na Austrália. Participaram da investigação especialistas do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da Universidade Regional do Cariri e de centros acadêmicos sediados na Alemanha, no Japão e nos Estados Unidos. O artigo completo saiu na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, conhecida pela sigla PNAS.

Glóbulos vermelhos preservados dentro de canais vasculares
A confirmação da presença sanguínea decorreu do isolamento de estruturas celulares nos ossos da pata do animal. Fragmentos milimétricos residuais da preparação paleontológica passaram por espectrometria de alta precisão nos laboratórios australianos, processo que atestou a retenção física de hemácias e cadeias de aminoácidos de colágeno no tecido fóssil.
A identificação das biomoléculas de heme dentro dos canais vasculares afasta qualquer hipótese de contaminação recente nas amostras rochosas. Fisiologistas apontam que o complexo químico encontrado atua exatamente como transportador de oxigênio nos tecidos profundos. Fósseis fragmentados de outras localidades já exibiram formas externas parecidas com células sanguíneas, mas esta publicação registrou a assinatura química definitiva da hemoglobina.
Características físicas e histórico do Aratasaurus museunacionali
- Nome científico: Aratasaurus museunacionali
- Época em que viveu: Período Cretáceo, há cerca de 115 milhões de anos
- Local de origem: Mina de gesso em Santana do Cariri, no Ceará
- Porte estimado: Cerca de 3,12 metros de comprimento e 1,6 metro de altura
- Massa corporal: Aproximadamente 35 quilos
- Hábito alimentar: Carnívoro
- Material preservado: Parte da pata direita traseira
O espécime fóssil do Aratasaurus museunacionali carrega um histórico de preservação incomum desde o seu resgate no interior cearense. Retirado de uma pedreira de gesso no ano de 2008, o material permaneceu sob guarda inicial no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, situado em Santana do Cariri. O fóssil viajou ao Rio de Janeiro em 2016 para trabalhos de preparação técnica no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A peça escapou intacta do incêndio ocorrido na instituição fluminense em setembro de 2018 porque estava depositada em ala não alcançada pelas chamas. A espécie ganhou descrição taxonômica formal pela equipe da paleontóloga Juliana Sayão no ano de 2020, recebendo denominação que combina raízes indígenas tupi com o termo grego saurus, significando réptil nascido do fogo.
Impacto da descoberta na astrobiologia e na física molecular
A comprovação de que biomoléculas sobrevivem por 115 milhões de anos altera os parâmetros adotados para buscas de sinais biológicos em outros corpos planetários. Cientistas da Universidade Curtin apontaram que a retenção do heme sob pressões e temperaturas geológicas fornece modelos de preservação para missões espaciais que buscam assinaturas moleculares antigas no solo de Marte. O conhecimento detalhado da degradação dos tecidos ósseos orienta novos testes espectrométricos em rochas terrestres e extraterrestres.















