Médico do Einstein publica mensagem contra petistas em 24 de outubro de 2026Por Manuela
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Um médico que atua no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, disse nas redes sociais que não atende eleitores do PT. O cardiologista Clederson Henry Dina escreveu nos stories do Instagram publicados em 24 de outubro de 2026 que não atende “petistas vagabundos”. Ele também afirmou ter “recursos” para evitar esse grupo, sem explicar como identificaria a preferência política dos pacientes.
A declaração saiu às vésperas do segundo turno das eleições. O Einstein reagiu com uma nota em que repudiou manifestações discriminatórias e informou que o caso está em análise conforme o código de ética e as diretrizes internas do hospital. As publicações foram apagadas antes do prazo de 24 horas dos stories.
Regras do conselho proíbem recusar paciente por preferência política
A Resolução CFM nº 2.217/2018 instituiu o Código de Ética Médica e determina que a medicina seja exercida sem discriminação de nenhuma natureza. Pelo artigo 7º do capítulo III, o médico não pode deixar de atender em urgência e emergência quando isso for sua obrigação, mesmo com respaldo da maioria da categoria.
Médicos podem recusar atos contrários à consciência. Esse direito, porém, não autoriza recusa baseada em característica pessoal do paciente, como a convicção política. Uma manifestação pública que indique seleção de pacientes por esse critério pode motivar apuração por indícios de violação ética.
Sanções vão de advertência à cassação do registro
A aplicação das punições cabe aos conselhos de medicina, com base na Lei nº 3.268/1957. A gravidade da infração define a pena, e cada processo precisa seguir o devido processo legal.
- Advertência confidencial
- Censura confidencial ou pública
- Suspensão do exercício profissional por até 30 dias
- Cassação do exercício profissional, ad referendum do Conselho Federal de Medicina
Uma publicação isolada não leva à perda automática do registro. Antes de qualquer punição, é preciso abrir procedimento e garantir ao médico o direito de defesa. A Resolução CFM nº 2.336/2023 trata da publicidade médica em plataformas digitais e amplia formas de comunicação, mas não afasta as obrigações do Código de Ética Médica.
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Einstein diz que opinião individual não representa a instituição
O Einstein conta com cerca de 20 mil médicos, entre autônomos e contratados. Na nota, o hospital afirmou que declarações individuais não representam sua posição e repudiou qualquer manifestação ou ação discriminatória. O caso será tratado com base no código de ética, nos princípios e nas diretrizes institucionais.
Antes da repercussão, a biografia do Instagram de Dina citava atuação no Einstein e na clínica do infectologista David Uip. A assessoria de Uip disse que não há vínculo empregatício e que o cardiologista apenas aluga uma sala no mesmo prédio. Depois das críticas, o perfil ficou privado e as referências institucionais foram removidas. Um deputado, identificado como Emídio, pediu providências ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e acionou o Ministério Público para investigar boicotes contra apoiadores do presidente Lula. Até 29 de outubro de 2026, o Ministério Público do Trabalho (MPT) havia registrado 3.396 denúncias de assédio eleitoral no país, sendo 620 em São Paulo.
Queila Fonini vê risco à confiança do paciente
Queila Fonini, CEO da Aviah Soluções Empresariais e especialista em branding para saúde, avalia que manifestações que coloquem em dúvida a disposição de atender sem discriminação comprometem a confiança. Para ela, “o médico tem o direito de expressar opiniões” e participar do debate público, mas o problema surge quando a fala questiona o atendimento a qualquer pessoa.
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Ela afirma que as redes sociais criam uma falsa sensação de separação entre o indivíduo e o profissional. Uma declaração de poucos segundos pode colocar em xeque uma trajetória de décadas, e as instituições também passam a ser questionadas sobre seus padrões de atendimento.
Comunicação em saúde precisa avaliar riscos antes de publicar
Equipes de comunicação que atendem médicos e hospitais podem definir diretrizes de posicionamento e avaliar riscos. Estratégias de provocação e polarização geram interação, mas não criam credibilidade. Na avaliação dela, “existe uma diferença importante entre construir autoridade e buscar visibilidade a qualquer custo”.
Na saúde, a reputação do profissional pesa na decisão de confiar a própria vida a alguém. Médicos podem expressar convicções, mas certas manifestações geram consequências maiores do que uma crise nas redes. O próximo passo depende da análise interna do Einstein e de eventual apuração pelos conselhos de medicina.







