Proibição de bets online amplia compras de alimentos e reduz receita de clubes em R$ 430 milhõesPor Maria
3 min de leitura
![]() |
A proibição de apostas online no Brasil gerou reflexos opostos na economia nacional e expôs um racha entre o setor de alimentos e os grandes times de futebol em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília (DF), nesta terça-feira (03). O veto federal determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em vigor em 05 de outubro de 2026, com o objetivo de conter o superendividamento das famílias brasileiras.
O debate judicial reúne ações movidas por empresas do setor de apostas que tentam derrubar a medida do governo federal.
Enquanto entidades empresariais do comércio apontaram recuperação no orçamento doméstico, agremiações esportivas relataram desequilíbrio financeiro imediato com a rescisão de patrocínios em suas camisas e arenas esportivas.
Supermercados apontam alta de 6,5% no consumo após o veto
A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) registrou crescimento real de 6,5% no consumo de alimentos durante a primeira semana após o veto federal, na comparação com o mesmo período de 2025. O presidente da entidade, João Galassi, declarou que o dinheiro anteriormente direcionado às apostas esportivas e aos cassinos digitais retornou para a subsistência básica.
Segundo o representante da associação varejista, os recursos poupados pelos consumidores foram redistribuídos para compra de comida, pagamento de contas atrasadas e necessidades prioritárias das famílias. O setor defendeu a manutenção integral da proibição perante a corte constitucional.

Times de futebol calculam prejuízos milionários com contratos cancelados
Em sentido oposto, dirigentes esportivos expuseram perdas imediatas nas receitas corporativas durante os depoimentos no STF. O Flamengo calcula uma redução anual aproximada de R$ 430.000.000,00 no faturamento após a extinção das parcerias comerciais, como informou o vice-presidente do clube, Flávio de Araújo Willeman.
Clubes como Corinthians, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense, Grêmio e São Paulo também apontaram quebras contratuais expressivas decorrentes do fim dos repasses das marcas de apostas. As agremiações contestaram a velocidade da implementação:
- O prazo de transição brasileiro durou apenas dez dias úteis
- Nações como Espanha, Itália e Bélgica concederam vários meses de carência aos seus clubes esportivos
- A falta de adaptação comprometeu o planejamento orçamentário para o calendário esportivo
O Congresso Nacional também analisa a medida e tem votação prevista para ocorrer até o encerramento de janeiro de 2027, momento em que os parlamentares decidirão se ratificam a regra de forma definitiva ou se restabelecem as operações do segmento.







