Super El Niño 2026: Inmet confirma recorde histórico de aquecimento no Pacífico Equatorial com mais 2,47 grausPor Carolina Costa
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O fenômeno climático Super El Niño 2026 atingiu a marca de 2,47 °C acima da média histórica em outubro na superfície do Oceano Pacífico Equatorial. A anomalia superou o pico anterior para o mês, registrado durante o evento de 1982, e consolida o episódio atual como um dos processos de aquecimento marítimo mais intensos das últimas décadas.
Os números foram divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia na terça-feira (03 de novembro de 2026). Durante os últimos sete dias de outubro, a anomalia semanal chegou a 2,5 °C acima do padrão comum. A Organização Meteorológica Mundial apontou que a dinâmica de aquecimento acelerado observada desde junho de 2026 coloca o fenômeno na rota de se tornar um dos maiores já catalogados pela ciência meteorológica.
Termômetros oceânicos registram anomalias graves no Pacífico
A divisão do Pacífico Equatorial em quatro áreas técnicas de monitoramento revela variações pontuais ainda mais agressivas de temperatura nas proximidades da América do Sul:
- Niño 1+2: monitora a faixa litorânea próxima ao Peru e ao Equador
- Niño 3: registrou média mensal de 3,56 °C acima do normal em outubro de 2026
- Niño 3.4: região central usada internacionalmente para definir a intensidade oficial do fenômeno
- Niño 4: abrange o setor centro-oeste da bacia pacífica
O aquecimento verificado na região Niño 3 exerce pressão direta nas correntes atmosféricas que regulam o regime de chuvas e as ondas de calor no território brasileiro. Em 1982, quando o recorde anterior para outubro foi fixado em 2,07 °C, as alterações climáticas persistiram até a metade do ano seguinte.
Crise climática amplia riscos sanitários e avanço da dengue
A rápida escalada térmica oceânica acontece em sequência aos 11 anos mais quentes já catalogados na história global, de acordo com relatório técnico elaborado pela iniciativa internacional Lancet Countdown. O documento adverte que a conjunção entre a tendência de aquecimento crônico e um episódio severo do fenômeno desorganiza ecossistemas e desencadeia impactos diretos no bem-estar das populações.
Ambientes marcados por ar abafado e alterações abruptas na umidade aceleram o ciclo de reprodução do mosquito Aedes aegypti, vetor responsável pela transmissão de dengue, zika e febre chicungunha. Além do risco ampliado de epidemias urbanas, o relatório aponta para o avanço da insegurança alimentar decorrente de secas produtivas e quadros graves de desidratação em decorrência do calor extremo continuado.







