Proposta prevê salário mínimo de R$ 1.741 em 2027, alta de 7,4% sobre 2026Por Manuela
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A proposta de Orçamento de 2027 enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional prevê que o salário mínimo passe dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 a partir de 1º de janeiro de 2027. O texto, chamado Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), foi entregue em 31 de agosto de 2026, em Brasília. A previsão ainda não é o valor oficial, porque o piso só será definido por decreto no fim do ano.
Na prática, a alta nominal soma R$ 120 mensais sobre o piso atual, o que equivale a 7,4%. A conta fica registrada na peça que o Executivo encaminhou aos parlamentares para análise.
Se aprovado, o novo valor vale desde o primeiro dia de 2027 e aparece no pagamento que o trabalhador recebe em fevereiro. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a proposta mantém a ligação dos benefícios previdenciários e assistenciais com o piso. Em suas palavras, “o reajuste está dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a previdência e benefícios sociais com anexação ao salário mínimo“.
Como a conta do piso de 2027 soma inflação e PIB de 2025
A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva usa dois indicadores para estimar o piso de R$ 1.741. O primeiro é a reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulado em 12 meses até novembro de 2026. O segundo é o ganho real do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país), medido pelo resultado consolidado de 2025.
No projeto, o governo usou uma estimativa de INPC de 4,93% para o período de referência e aplicou a alta de 2,3% registrada pelo PIB de 2025. A aplicação integral desse índice foi possível porque ele ficou abaixo do teto permitido pelo arcabouço fiscal, mecanismo que controla o avanço das despesas da União. Esse teto é de 2,5% de ganho real, acima da inflação, para o salário mínimo.
Quem recebe benefícios do INSS e do BPC sente a mudança do piso
A mudança do piso corrige automaticamente os salários de quem recebe o mínimo no regime formal e altera as faixas de diversos pagamentos federais a partir de janeiro de 2027. Ao todo, a atualização atinge grupos diferentes de beneficiários e contribuintes.
Durigan descartou a desindexação dos benefícios previdenciários e sociais no texto orçamentário. Com isso, quem recebe o piso tem o repasse integral de 7,4%.
O reajuste chega de forma diferente a cada grupo. Veja quem é atingido pela atualização:
- Aposentados e pensionistas do INSS que recebem um salário mínimo têm o benefício corrigido automaticamente para R$ 1.741.
- Segurados com renda acima do piso têm reajuste apenas pela variação acumulada do INPC, sem o ganho real do PIB de 2,3%.
- Beneficiários do BPC, auxílio pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, passam a receber R$ 1.741 integrais.
- Trabalhadores com direito ao abono salarial do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e às parcelas do seguro-desemprego têm os valores recalculados pelo novo piso.
- Microempreendedores individuais (MEI) passam a recolher a contribuição previdenciária mensal sobre o novo valor de referência.
Previsão do piso cresceu R$ 24 desde o PLDO de abril de 2026
Antes do número de R$ 1.741, a equipe econômica trabalhava com R$ 1.717 para 2027. Esse valor constava do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), texto que orienta a elaboração do Orçamento anual, apresentado em 15 de abril de 2026. A revisão técnica atualizou as projeções de inflação e acrescentou R$ 24 ao piso. A remuneração básica já havia subido de R$ 1.518 para R$ 1.621 na passagem de 2025 para 2026.
A tramitação do piso segue um calendário de datas fixas, do PLDO até o início do reajuste. Confira as etapas:
- 2025: salário mínimo nacional de R$ 1.518 por mês.
- 1º de janeiro de 2026: piso passa para R$ 1.621 por mês.
- 15 de abril de 2026: PLDO de 2027 é apresentado ao Congresso com previsão de R$ 1.717.
- 24 de agosto de 2026: ministro Dario Durigan antecipa que a projeção oficial subirá para R$ 1.741.
- 31 de agosto de 2026: Poder Executivo envia o PLOA de 2027 ao Congresso com o valor de R$ 1.741.
- 1º de janeiro de 2027: início da vigência do novo piso, com reflexo no pagamento recebido em fevereiro.
Decreto de dezembro de 2026 define o piso final pelo INPC de novembro
O valor de R$ 1.741 ainda é uma estimativa e não tem confirmação oficial. O número exato só será fechado no início de dezembro de 2026, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar a taxa efetiva do INPC acumulado entre dezembro de 2025 e novembro de 2026.
Se a inflação real ficar diferente dos 4,93% usados na proposta de agosto, o piso será alterado. Depois da divulgação do IBGE, o governo enviará mensagem modificativa ao Congresso para atualizar o Orçamento e oficializará o salário mínimo de 2027 por decreto presidencial ainda em dezembro.







