Salário mínimo sobe 6,79% e passa a R$ 1.621 em 2026 por decretoPor Carolina Costa
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R$ 1.621 é o novo salário mínimo nacional desde 1º de janeiro de 2026. O valor subiu R$ 103 em relação aos R$ 1.518 de 2025, conforme o Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025, e alcança trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas.
A reportagem reúne o que muda para quem recebe o piso, como o valor é calculado e quais os efeitos sobre a economia. O reajuste interessa a quem depende da renda do mínimo, como aposentados, pensionistas e trabalhadores formais e informais.
Como o governo chega ao valor de R$ 1.621
O reajuste segue a política de valorização que combina inflação e crescimento econômico. Pela conta usada em 2026, o INPC de 4,18% nos 12 meses até novembro de 2025 foi somado a um ganho real de 2,5%, o teto previsto no arcabouço fiscal. A soma resultou em aumento de 6,79%.
Os valores diário e horário também mudaram. O piso diário ficou em R$ 54,04 e o horário em R$ 7,37, calculado sobre 220 horas mensais, divisor da jornada de 44 horas semanais. A regra dá previsibilidade a trabalhadores, empregadores e ao planejamento do governo.
Benefícios do INSS e de assistência que seguem o piso
O salário mínimo serve de base para aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Cada reajuste atualiza esses pagamentos para preservar o poder de compra dos beneficiários.
- Aposentadorias e pensões do INSS: piso de R$ 1.621, pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026
- Teto do INSS em 2026: R$ 8.475,55
- BPC: um salário mínimo, de R$ 1.621, para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda
- Seguro-desemprego: parcelas calculadas conforme o salário mínimo
- Abono salarial PIS/Pasep: valor de referência de R$ 1.621
O piso também vale para contratos de trabalho. Para jornada integral de 44 horas semanais, o empregador não pode pagar menos que R$ 1.621 por mês, e o depósito de FGTS sobre esse valor chega a R$ 129,68 mensais.
Efeito do piso no consumo e nas contratações
Com mais renda, os trabalhadores ampliam o consumo de itens básicos, como alimentação, saúde e moradia, o que beneficia o varejo e os serviços. Economistas chamam essa dinâmica de efeito multiplicador, em que a alta da demanda estimula outras áreas da economia.
Continue lendo: Seguro-desemprego mantém regras de vínculo e teto de R$ 2.518,65 em 2026
Pequenas e médias empresas, porém, têm mais dificuldade para absorver o custo extra sem repassar aos preços. O repasse pode elevar a inflação, o que reduz em parte o ganho de poder de compra. Há ainda o risco de cortes de vagas para ajustar despesas, o que poderia agravar o desemprego.
Muitos economistas defendem, por outro lado, que a valorização do piso reduz desigualdades ao ampliar a renda de quem estaria mais vulnerável. Para eles, o reajuste busca equilibrar estímulo ao consumo e geração de empregos.
Da Lei 14.663 ao piso de R$ 1.621 em 2026
A política atual de reajuste foi fixada pela Lei nº 14.663, sancionada em 2023, que criou uma fórmula permanente para o mínimo. Antes, na década de 2000, o governo aplicava aumentos reais acima da inflação com base no PIB de dois anos antes.
- Janeiro de 2024: R$ 1.412,00, pelo Decreto nº 11.864/2023
- Janeiro de 2025: R$ 1.518,00, pelo Decreto nº 12.342/2024
- Janeiro de 2026: R$ 1.621,00, pelo Decreto nº 12.797/2025
A alta de 2025 para 2026 foi a maior em reais desde a sanção da lei, com R$ 103 de diferença. A lei busca garantir ao menos a correção pela inflação e ganhos reais quando a economia permitir.
Custo para as contas públicas e o limite do arcabouço fiscal
Cada real de aumento no salário mínimo eleva as despesas do governo, especialmente com previdência e assistência social. Por isso, o reajuste precisa caber na arrecadação e na regra fiscal vigente.
Em períodos de baixa arrecadação, o reajuste fica mais difícil, já que o governo tem restrições de gastos. Para 2026, o ganho real de 2,5% foi o limite permitido pelo arcabouço fiscal.
Saiba mais: Quem não contribuiu ao INSS pode receber BPC de R$ 1.621 em 2026
Debate sobre piso regional e custo de vida
Há debates sobre a adoção de salários mínimos regionais, que permitiriam a estados com custo de vida mais alto pagar valor maior. Regiões menos desenvolvidas manteriam valores ajustados à sua realidade econômica.
A medida exige articulação entre governos estaduais e federal e uma regulamentação que harmonize os critérios de cálculo. Outros países usam abordagem semelhante para ajustar a remuneração ao custo de vida de cada região.
Projeto do Orçamento de 2027 indica piso de R$ 1.741
O projeto de lei orçamentária de 2027 (PLOA 2027) indica R$ 1.741 para o salário mínimo do ano seguinte. O valor ainda depende da aprovação do Congresso Nacional, onde pode sofrer ajustes.
Sindicatos, representantes dos trabalhadores e entidades patronais devem apresentar seus pontos de vista durante a discussão. Até que um novo decreto seja publicado, o piso segue em R$ 1.621.







