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R$ 1.621 é o novo salário mínimo nacional desde 1º de janeiro de 2026. O valor subiu R$ 103 em relação aos R$ 1.518 de 2025, conforme o Decreto nº 12.797, de 23 de dezembro de 2025, e alcança trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas.

A reportagem reúne o que muda para quem recebe o piso, como o valor é calculado e quais os efeitos sobre a economia. O reajuste interessa a quem depende da renda do mínimo, como aposentados, pensionistas e trabalhadores formais e informais.

Como o governo chega ao valor de R$ 1.621

O reajuste segue a política de valorização que combina inflação e crescimento econômico. Pela conta usada em 2026, o INPC de 4,18% nos 12 meses até novembro de 2025 foi somado a um ganho real de 2,5%, o teto previsto no arcabouço fiscal. A soma resultou em aumento de 6,79%.

Os valores diário e horário também mudaram. O piso diário ficou em R$ 54,04 e o horário em R$ 7,37, calculado sobre 220 horas mensais, divisor da jornada de 44 horas semanais. A regra dá previsibilidade a trabalhadores, empregadores e ao planejamento do governo.

Benefícios do INSS e de assistência que seguem o piso

O salário mínimo serve de base para aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Cada reajuste atualiza esses pagamentos para preservar o poder de compra dos beneficiários.

  • Aposentadorias e pensões do INSS: piso de R$ 1.621, pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026
  • Teto do INSS em 2026: R$ 8.475,55
  • BPC: um salário mínimo, de R$ 1.621, para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda
  • Seguro-desemprego: parcelas calculadas conforme o salário mínimo
  • Abono salarial PIS/Pasep: valor de referência de R$ 1.621

O piso também vale para contratos de trabalho. Para jornada integral de 44 horas semanais, o empregador não pode pagar menos que R$ 1.621 por mês, e o depósito de FGTS sobre esse valor chega a R$ 129,68 mensais.

Efeito do piso no consumo e nas contratações

Com mais renda, os trabalhadores ampliam o consumo de itens básicos, como alimentação, saúde e moradia, o que beneficia o varejo e os serviços. Economistas chamam essa dinâmica de efeito multiplicador, em que a alta da demanda estimula outras áreas da economia.

Continue lendo: Seguro-desemprego mantém regras de vínculo e teto de R$ 2.518,65 em 2026

Pequenas e médias empresas, porém, têm mais dificuldade para absorver o custo extra sem repassar aos preços. O repasse pode elevar a inflação, o que reduz em parte o ganho de poder de compra. Há ainda o risco de cortes de vagas para ajustar despesas, o que poderia agravar o desemprego.

Muitos economistas defendem, por outro lado, que a valorização do piso reduz desigualdades ao ampliar a renda de quem estaria mais vulnerável. Para eles, o reajuste busca equilibrar estímulo ao consumo e geração de empregos.

Da Lei 14.663 ao piso de R$ 1.621 em 2026

A política atual de reajuste foi fixada pela Lei nº 14.663, sancionada em 2023, que criou uma fórmula permanente para o mínimo. Antes, na década de 2000, o governo aplicava aumentos reais acima da inflação com base no PIB de dois anos antes.

  • Janeiro de 2024: R$ 1.412,00, pelo Decreto nº 11.864/2023
  • Janeiro de 2025: R$ 1.518,00, pelo Decreto nº 12.342/2024
  • Janeiro de 2026: R$ 1.621,00, pelo Decreto nº 12.797/2025

A alta de 2025 para 2026 foi a maior em reais desde a sanção da lei, com R$ 103 de diferença. A lei busca garantir ao menos a correção pela inflação e ganhos reais quando a economia permitir.

Custo para as contas públicas e o limite do arcabouço fiscal

Cada real de aumento no salário mínimo eleva as despesas do governo, especialmente com previdência e assistência social. Por isso, o reajuste precisa caber na arrecadação e na regra fiscal vigente.

Em períodos de baixa arrecadação, o reajuste fica mais difícil, já que o governo tem restrições de gastos. Para 2026, o ganho real de 2,5% foi o limite permitido pelo arcabouço fiscal.

Saiba mais: Quem não contribuiu ao INSS pode receber BPC de R$ 1.621 em 2026

Debate sobre piso regional e custo de vida

Há debates sobre a adoção de salários mínimos regionais, que permitiriam a estados com custo de vida mais alto pagar valor maior. Regiões menos desenvolvidas manteriam valores ajustados à sua realidade econômica.

A medida exige articulação entre governos estaduais e federal e uma regulamentação que harmonize os critérios de cálculo. Outros países usam abordagem semelhante para ajustar a remuneração ao custo de vida de cada região.

Projeto do Orçamento de 2027 indica piso de R$ 1.741

O projeto de lei orçamentária de 2027 (PLOA 2027) indica R$ 1.741 para o salário mínimo do ano seguinte. O valor ainda depende da aprovação do Congresso Nacional, onde pode sofrer ajustes.

Sindicatos, representantes dos trabalhadores e entidades patronais devem apresentar seus pontos de vista durante a discussão. Até que um novo decreto seja publicado, o piso segue em R$ 1.621.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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