Espionagem no WhatsApp: como checar dispositivos vinculados e proteger o celularPor Luís Henrique Costa
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A Meta informou que o WhatsApp barrou tentativas de ataque ligadas à NSO Group, empresa israelense criadora do programa espião Pegasus. Segundo a companhia, os golpes tentavam levar usuários a clicar em links maliciosos fora do aplicativo. O caso volta a chamar atenção para uma dúvida comum: como descobrir se alguém acompanha a conta do WhatsApp pelo próprio celular.
Uma leitora relatou que o namorado entra no WhatsApp dela a partir do aparelho dele, sem usar o WhatsApp Web, e pediu orientação para bloquear esse acesso. A situação é a mais frequente nesse tipo de dúvida: a vigilância vem de alguém que conhece a vítima, não de um invasor distante.
Espionar o celular de outra pessoa é crime
A invasão de dispositivos alheios é crime no Brasil, e isso vale para espionar o smartphone de um amigo, de um namorado ou de um cônjuge. Quem descobre o acesso não precisa aceitar a situação em silêncio, porque a lei protege a privacidade de quem é vigiado. Quando o acesso acontece sem o WhatsApp Web, a suspeita mais provável é a de um programa espião instalado no aparelho.
Restauração de fábrica costuma eliminar programas espiões
O procedimento mais indicado para qualquer suspeita de espionagem é a restauração do celular para a configuração de fábrica. Essa etapa apaga os dados do aparelho e todos os aplicativos instalados, e na maior parte dos casos também remove programas espiões. Antes de começar, porém, é preciso copiar fotos e arquivos para um computador ou para um serviço de armazenamento em nuvem, porque dados sem cópia não podem ser recuperados depois.
No iPhone, o passo a passo de restauração está disponível nas configurações do aparelho. Em celulares com Android, os caminhos mudam conforme o modelo e a versão do sistema, e quem tiver dificuldade deve procurar o suporte técnico do fabricante. A recomendação vale para todos os casos, mas exige conferir antes se as fotos e os dados de aplicativos estão de fato sincronizados.
Acompanhe: Meta lista seis ações que levam à exclusão de contas do WhatsApp
- Antes da restauração: copiar fotos e arquivos para computador ou nuvem
- Antes da restauração: conferir se a sincronização dos dados de aplicativos foi concluída
- No iPhone: seguir as instruções oficiais de restauração do aparelho
- Em Android: consultar o suporte técnico do fabricante quando o caminho não estiver claro
- Depois da restauração: configurar o bloqueio de tela
- No WhatsApp: verificar em Configurações, na opção Dispositivos vinculados, se há aparelhos desconhecidos
Depois de restaurar o aparelho, a vítima deve configurar o bloqueio de tela. A medida ajuda a impedir novos acessos, mas não resolve sozinha uma situação em que o acesso partiu de uma pessoa que convive com a vítima. Um programa de proteção, por mais completo que seja, depende de o aparelho estar sob o controle de quem o usa.
Por que proteger o celular contra alguém da convivência é difícil
Os sistemas de segurança foram pensados para ataques de fora, e quando o agressor faz parte do círculo de confiança, boa parte dessas barreiras perde efeito. Um hacker costuma aproveitar uma janela curta, em que o celular está desbloqueado ou um aplicativo está sem atualização. Quem convive com a vítima tem o tempo que quiser, pode observar o uso do telefone e descobrir a senha quando a pessoa não está olhando. Esse risco explica por que a proteção técnica, sozinha, quase nunca basta nesse tipo de situação.
Outro ponto é a biometria. Uma pessoa próxima pode usar a digital ou o rosto da vítima enquanto ela dorme, de modo a desbloquear o aparelho sem que ela perceba. Para evitar isso, a vítima teria de esconder o celular por completo e desligá-lo ou desativar a biometria sempre que fosse dormir. A especialista não recomenda essa rotina, porque ela é estressante e pouco viável no dia a dia.
Leia também: Meta ativa suporte a dois perfis do WhatsApp no mesmo aparelho
Meta reforça alertas e NSO Group é alvo de novo pedido na Justiça
Em março de 2026, a Meta anunciou novos alertas para avisar quando há tentativa suspeita de vincular a conta do WhatsApp a outro aparelho. A companhia também disse, em 8 de junho de 2026, que bloqueou tentativas de phishing ligadas à NSO Group. A empresa descumpriu uma ordem judicial permanente que a proibia de atingir usuários do aplicativo, e a companhia pretende pedir à Justiça dos Estados Unidos que a NSO Group seja punida por desacato. Ainda não foi confirmado se essas tentativas chegaram a usuários no Brasil.
Acordo e terapia são caminhos que a tecnologia não substitui
A tecnologia raramente resolve conflitos entre pessoas. Se não houver acordo de respeito mútuo por meio de diálogo ou terapia, a vítima precisa avaliar se quer manter uma relação com alguém que adota esse comportamento, que é considerado crime.







