Dois grupos do CadÚnico têm prazo até 12 de novembro de 2026 para atualizarPor Luís Henrique Costa
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Famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), a base federal de dados sociais, podem ter o registro excluído de forma escalonada a partir de novembro de 2026. A medida vale para quem deixar de regularizar pendências na Ação de Qualificação Cadastral de 2026 e atinge a manutenção do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A exclusão é conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que também divulga o cronograma. Reportagens sobre esse calendário divergem quanto ao início das exclusões: algumas o colocam em novembro de 2026, outras em março de 2027.
No caso do BPC, a atualização atrasada segue etapas. Primeiro vem o bloqueio do pagamento. Se a pendência persistir, o benefício é suspenso e, por fim, cancelado. Em perguntas e respostas publicadas no site oficial, o MDS afirmou que a renda declarada no CadÚnico não provoca cortes automáticos, porque o conceito de família e de renda do BPC é diferente do usado no cadastro.
Como funciona a revisão e quanto paga o BPC em 2026
A Ação de Qualificação Cadastral tem duas frentes, ambas coordenadas pelo governo federal em Brasília. A Revisão Cadastral, chamada REV26, reúne registros sem mudança há mais de dois anos ou que vencem durante o processo. A Averiguação Cadastral, a AVE26, confere divergências e inconsistências nas informações prestadas pelos cidadãos. O BPC, o Programa Bolsa Família (PBF) e a Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), que dá desconto na conta de luz, fazem parte do mesmo processo.
A lista inicial da ação soma 11.294.149 famílias. Esse total inclui quem recebe outros programas, como o Bolsa Família e a Tarifa Social, e não apenas os beneficiários do BPC.
Em 2026, o BPC tem valor mensal de R$ 1.621,00, igual ao salário mínimo do ano. O pagamento é feito a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de baixa renda.
Pelas regras, o cadastro precisa ser renovado no prazo máximo de 24 meses. Sem essa atualização, pagamentos federais como o BPC ficam sujeitos a bloqueio.
Antes de o prazo acabar, o sistema faz uma convocação preventiva. Famílias que estão entre 18 e 24 meses sem atualização recebem o chamado antes de chegar ao limite.
O calendário do MDS separa o público em 16 grupos, chamados de públicos. A divisão leva em conta a data do último atendimento da família nos postos municipais.
Para receber o BPC, é preciso ter 65 anos ou mais ou ser pessoa com deficiência em situação de baixa renda. O benefício não exige contribuição prévia ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Prazos já passados e os que vencem em novembro de 2026
As regras estão na Instrução Normativa Conjunta SAGICAD/SENARC/SNAS/SNBA/MDS nº 2, assinada pelas secretarias ligadas ao ministério. O texto detalha como os benefícios assistenciais são afetados e fixa o limite de comparecimento do titular antes de bloqueios nos pagamentos ou da exclusão lógica do sistema.
- 30 de janeiro de 2026: publicação da Instrução Normativa nº 2, que organiza a ação de qualificação.
- 10 de fevereiro de 2026: o MDS divulga o Informe Cadastro Único nº 86 e anuncia o início oficial da mobilização.
- 8 de outubro de 2026: fim do prazo para regularizar famílias com última atualização até novembro de 2023, fevereiro de 2024 ou maio de 2024.
- 1 de novembro de 2026: previsto o início das exclusões lógicas escalonadas de cadastros não atualizados na Revisão Cadastral.
- 12 de novembro de 2026: prazo para o Público 8 e o Público 10 da REV26, com consequências distintas para o Bolsa Família e a Tarifa Social.
- 31 de dezembro de 2026: prazo final para beneficiários do BPC que usavam o Formulário de Impossibilidade de Inclusão ou Atualização, já extinto.
Leis e portarias que fixaram o limite de 24 meses
Os 16 públicos convocados em 2026 seguem a Lei nº 15.077, de 27 de dezembro de 2024, e a Portaria MDS nº 1.145, de 29 de dezembro de 2025. Essas normas definiram o limite de 24 meses para renovar os dados e determinaram a convocação preventiva de famílias que completam de 18 a 24 meses sem revisão cadastral.
O fluxo dos segurados do BPC mudou com a Instrução Normativa Conjunta SAGICAD/SNBA nº 1, de 8 de maio de 2026, publicada em 13 de maio de 2026. A norma desativou o Formulário de Impossibilidade de Inclusão ou Atualização no CadÚnico. Além disso, a IN nº 2/2026 permite estender prazos de exclusão em até 60 dias para moradores de municípios em calamidade pública ou em emergência reconhecida pelo governo federal.
Onde checar pendências e onde atualizar o cadastro
O cadastro deve ser atualizado a cada dois anos ou quando a família muda, por exemplo, de endereço ou com entrada e saída de moradores. As pendências podem ser checadas pela internet ou por telefone. Para a situação geral, a família usa o aplicativo Cadastro Único e o Portal Cadastro Único. A consulta exclusiva do BPC é feita pelo aplicativo ou site Meu INSS e pelo telefone 135, da Central de Atendimento do INSS.
A regularização, porém, depende de atendimento presencial do Responsável Familiar em uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou em um posto do Cadastro Único do município. Nessa ida, é preciso levar os documentos abaixo.
- CPF próprio
- documento de identificação com foto
- comprovante de residência
- CPF de todas as pessoas que compõem a família
Até outubro de 2026, o MDS não divulgou o balanço de quantas das 11.294.149 famílias já regularizaram o cadastro. O Portal de Gestão do CadÚnico, usado pelos profissionais, ficará fora do ar das 19h de quinta-feira, 12 de novembro de 2026, às 7h de segunda-feira, 16 de novembro, durante o processamento mensal da base, segundo o Informe Cadastro Único nº 102, de 21 de outubro.








