Richard Yu cita falhas de Windows Phone, bada e Symbian ao falar de HarmonyOSPor Luís Henrique Costa
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A Huawei estuda levar o HarmonyOS, sistema operacional próprio da fabricante, a celulares e computadores vendidos fora da China. O plano foi detalhado em Shenzhen, na China, durante um encontro com jornalistas, e tem como objetivo colocar a plataforma além das fronteiras chinesas.
O diretor executivo da Huawei, Richard Yu, que também preside o conselho de revisão de investimentos e o conselho da divisão de consumo, disse que a mudança não acontecerá de imediato. Em tradução livre, ele afirmou: “Estamos considerando levar gradualmente o HarmonyOS para o mercado global no futuro. Esse é apenas o nosso plano inicial, no entanto. Faremos isso devagar, passo a passo”.
Cinco eixos de engenharia sustentam o software
A companhia organiza as mudanças na arquitetura do software em diretrizes internas, para manter a competitividade diante de ecossistemas já consolidados. A engenharia do sistema se apoia em cinco pilares: fluidez, segurança, inteligência, refinamento e conectividade entre os aparelhos da marca.
No ranking mundial de sistemas operacionais móveis, o HarmonyOS aparece em terceiro lugar, atrás do Android e do iOS. Esse avanço foi possível com investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento, que somaram 1,8 trilhão de yuans entre 2007 e 2025.
Riscos de uma plataforma própria e os casos fracassados
Ao tratar dos riscos de criar um sistema independente, Richard Yu lembrou projetos de grande porte que tentaram romper a hegemonia das plataformas tradicionais. Ele citou o Windows Phone, da Microsoft, o bada OS, da Samsung, e o Symbian, da Nokia, que foram descontinuados ao longo da última década.
Para o executivo, esses casos mostram a dificuldade de manter uma base estável de aplicativos e suporte técnico sem um ecossistema parceiro forte. Em tradução livre, ele declarou: “Desenvolver um sistema operacional não é tarefa fácil. Houve tentativas anteriores de outras marcas como o Windows Phone da Microsoft, o bada OS da Samsung e o Symbian da Nokia. Eles não tiveram sucesso. Mesmo tendo feito isso muitos anos depois, nós conseguimos. Acho que isso é certamente incrivelmente difícil de alcançar”.
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Números do ecossistema e o avanço fora da China
A plataforma reúne dados que a empresa usa para justificar a expansão para outros países. A cadeia própria de softwares e serviços utilitários foi montada em parceria com empresas e desenvolvedores independentes.
- 90 milhões de dispositivos ativos integrados à plataforma
- 450.000 aplicativos e serviços cadastrados e disponíveis
- 11 milhões de desenvolvedores registrados no ecossistema
- 23.000 parceiros corporativos e de inovação em tecnologia
Sanções dos EUA e a dependência das operadoras na Europa
O avanço do software ganhou força depois das sanções comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos em 2019, que impediram a Huawei de licenciar os serviços móveis do Google. Em 2024, a empresa lançou o HarmonyOS NEXT, versão que eliminou a compatibilidade com a base de código aberto do Android, conhecida como AOSP. Enquanto isso, os celulares da marca vendidos fora da China seguiram com a interface EMUI, sem os aplicativos do Google.
Em junho de 2026, na Conferência de Desenvolvedores da Huawei (HDC 2026), em Dongguan, Richard Yu apresentou o HarmonyOS 7 e afirmou que o ecossistema deve acelerar a expansão global. Para ganhar espaço em mercados desenvolvidos, como a Europa, a empresa depende da aproximação com operadoras de telecomunicações, que distribuem os celulares em suas redes. A Huawei não divulgou data de lançamento nem a lista dos primeiros smartphones com o sistema puro no mercado ocidental.








