A Stellantis anuncia primeiro prejuízo anual de sua história com baixa de 25,4 bilhões de euros em veículos elétricos
A Stellantis registrou prejuízo líquido de 22,3 bilhões de euros no ano fiscal de 2025, marcando o primeiro resultado negativo anual desde a criação da empresa em 2021. A fabricante, dona de marcas como Jeep, Fiat, Peugeot, Dodge e Chrysler, atribuiu o rombo principalmente a baixas contábeis de 25,4 bilhões de euros relacionadas à revisão drástica de sua estratégia para veículos elétricos. A companhia destacou que superestimou o ritmo da transição energética e agora prioriza a liberdade de escolha dos clientes entre tecnologias elétricas, híbridas e a combustão interna.
O resultado reverte o lucro de 5,5 bilhões de euros obtido em 2024. A receita líquida anual caiu 2%, para 153,5 bilhões de euros, influenciada por efeitos cambiais adversos e redução de preços no primeiro semestre, embora parcialmente compensada por maior volume e mix de produtos. No segundo semestre, a empresa mostrou sinais de recuperação, com remessas consolidadas de 2,8 milhões de unidades, aumento de 11% em relação ao mesmo período anterior.
Resultado impactado por mudança estratégica
A Stellantis explicou que as baixas contábeis refletem ajustes em investimentos anteriores em plataformas elétricas, baterias e cadeia de suprimentos. A decisão envolveu realinhar o portfólio para atender melhor às preferências dos consumidores e às mudanças regulatórias em mercados chave. O prejuízo operacional ajustado atingiu 842 milhões de euros negativos, contrastando com o lucro ajustado de 8,65 bilhões de euros em 2024.
O CEO Antonio Filosa afirmou que os números representam o custo de corrigir execuções passadas. A empresa suspendeu o pagamento de dividendos em 2026 e planeja emitir até 5 bilhões de euros em títulos híbridos para fortalecer a estrutura de capital.

Recuperação impulsionada pela América do Norte
A região da América do Norte liderou a melhora no desempenho recente da Stellantis. As remessas na área cresceram 39% no segundo semestre de 2025, adicionando 231 mil unidades em comparação ao ano anterior. Esse avanço resultou da normalização de estoques e maior ímpeto comercial, com destaque para novos produtos e aumento na produção de caminhões equipados com motores Hemi V8.
Filosa destacou o crescimento forte em volume na América do Norte como fator animador. Ele projetou que a região continuará sendo o principal contribuinte para a lucratividade global da empresa nos próximos períodos.
Desempenho regional e ajustes operacionais
Na Europa, as vendas enfrentaram dificuldades, com recuo observado em algumas categorias. A América do Sul e outras regiões apresentaram contribuições positivas, ajudando a equilibrar os volumes globais. A Stellantis vendeu 5,48 milhões de veículos no ano, com alta de 1% em relação a 2024.
A companhia descontinuou alguns veículos elétricos híbridos plug-in para melhorar a lucratividade. Medidas de eficiência operacional e estratégias comerciais disciplinadas começaram a mostrar efeitos no segundo semestre, quando a receita líquida subiu 10%, alcançando 79,25 bilhões de euros.
Projeções para 2026 e foco em execução
A Stellantis reiterou suas estimativas para 2026, com expectativa de aumento de um dígito médio na receita líquida e margem operacional ajustada de um dígito baixo. A empresa antecipa despesas tarifárias líquidas de 1,6 bilhão de euros no período e fluxo de caixa livre industrial positivo a partir de 2027.
Filosa enfatizou a necessidade de corrigir lacunas de execução do passado. O foco permanece em impulsionar o retorno ao crescimento lucrativo por meio de portfólio diversificado e alinhamento com demandas reais do mercado.
A reação do mercado foi positiva, com as ações da Stellantis subindo mais de 4% nas bolsas de Milão e Nova York após a divulgação dos resultados. Investidores interpretaram os comentários do CEO como sinal de estabilização em regiões chave.













