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O engenheiro Ricardo Kenzo, integrante do Comitê de Veículos Elétricos e Híbridos da SAE Brasil, informou que a frota de automóveis movidos a eletricidade retém entre 70% e 90% da capacidade energética original depois de oito anos de uso contínuo sob regimes normais de condução. A manifestação técnica ocorreu após questionamento formal apresentado por Mauricio da Silva, morador de Diadema, interessado em compreender os limites reais da proteção oferecida pelos termos de garantia de fábrica no país. O índice de preservação energética compreende trajetórias acumuladas que variam entre 160.000 e 300.000 quilômetros rodados.

Essa retenção varia comumente.

Durante a avaliação das coberturas contratuais fornecidas pelas montadoras, Ricardo Kenzo pontuou que os contratos costumam assegurar parâmetros mínimos de retenção para resguardar o proprietário contra falhas prematuras de fabricação das células químicas. A degradação do conjunto não acontece de forma abrupta, mas por meio de um processo químico contínuo que reduz gradualmente o volume útil de armazenamento de energia ao longo de milhares de horas de circulação. Mauricio da Silva buscou esclarecimentos justamente para avaliar se a perda de autonomia exigiria a substituição integral do componente antes do encerramento do prazo contratual de cobertura estipulado pela indústria automotiva.

Desgaste na marca de cem mil quilômetros

Ao detalhar a degradação acumulada em veículos com cem mil quilômetros rodados, Ricardo Kenzo apontou que a redução média na autonomia varia entre 10% e 20% do volume inicial de carga em decorrência direta do estresse promovido pelo uso contínuo de eletropostos ultrarrápidos, somado aos ciclos frequentes de condução e às variações térmicas diárias suportadas pelas células de íons de lítio. Esse patamar demonstra estabilidade mecânica relevante no transporte diário.

O desgaste decorre de múltiplos fatores combinados. Condutores que alternam percursos rodoviários de velocidade contínua e trechos urbanos registram taxas de preservação diferentes, pois as frenagens regenerativas nas cidades operam de modo distinto das demandas contínuas das rodovias.

A quilometragem não atua sozinha.

Bateria de carro elétrico - Patamaporn Umnahanant/ Istockphoto.com
Bateria de carro elétrico – Patamaporn Umnahanant/ Istockphoto.com

Condições operacionais que aceleram a perda

Ricardo Kenzo indicou que a frequência com que o motorista recorre a recargas rápidas em corrente contínua figura entre os principais aceleradores do desgaste físico dos módulos de armazenamento. Carregadores de alta potência injetam grande densidade energética em prazos reduzidos, o que eleva a temperatura interna dos componentes químicos e antecipa perdas moleculares nas células internas. A SAE Brasil considera que a exposição prolongada a temperaturas ambientes elevadas também intensifica as reações de degradação interna durante os processos de abastecimento.

O hábito de operar com carga total ou mínima também prejudica o componente. Manter a bateria permanentemente em 100% de capacidade ou esgotar a reserva até 0% eleva o estresse estrutural das células.

O perfil rodoviário impõe esforços severos.

A circulação em vias urbanas costuma favorecer a eficiência dos componentes em razão da recuperação constante de energia nas desacelerações, enquanto o trajeto rodoviário exige fornecimento constante e ininterrupto de força motriz.

Eficiência do gerenciamento eletrônico e térmico

A proteção contra a deterioração precoce depende diretamente da qualidade e do funcionamento do sistema de gerenciamento térmico conhecido pela sigla técnica BMS, responsável por monitorar voltagens individuais e resfriar ou aquecer os blocos conforme a exigência mecânica. Quando o sistema BMS opera com precisão, a estabilidade das células permanece resguardada tanto nas paradas de recarga rápida quanto nas acelerações máximas exigidas pelo condutor em aclives ou ultrapassagens.

A manutenção desse equilíbrio térmico minimiza danos provocados pelo calor tropical enfrentado nas estradas brasileiras. O circuito de controle atua para evitar gradientes térmicos desiguais entre módulos adjacentes instalados sob o assoalho do veículo.

Falhas de refrigeração afetam o alcance.

Comitês técnicos mantêm vistorias preventivas voltadas a checar os conectores elétricos e fluidos refrigerantes que alimentam a arquitetura BMS nos centros automotivos especializados.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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