Cravi divulga balanço sobre perfil de vítimas de violência atendidas pelo programa
São Paulo

Cravi divulga balanço sobre perfil de vítimas de violência atendidas pelo programa

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O Centro de Referência e Apoio à Vítima (Cravi), programa da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado que oferece atendimento psicossocial público e gratuito a cidadãos e familiares de crimes violentos, divulgou um levantamento sobre o perfil dos atendidos. A pesquisa foi concluída na segunda quinzena deste mês.

De janeiro a dezembro de 2019, foram contabilizados 2.486 triagens, acolhimentos e atendimentos. O número é considerado um recorde e representa um acréscimo de 76% dos casos em relação a 2018, que contou com 1.406 atendimentos.

O estudo indicou que a violência sexual foi a ocorrência predominante, seguida de homicídio e tentativa de feminicídio. A maioria dos casos foi encaminhada pelo Ministério Público do Fórum da Barra Funda e por usuários ou ex-usuários do programa.

Convênio

O atendimento telefônico após as audiências de custódia em 2019 chegou à marca de 266. Já em 2018 foram 188 casos. Em 2016, o programa firmou convênio com o Tribunal de Justiça de São Paulo para atender, por telefone, vítimas de violência doméstica cujos autores passaram por audiências de custódia, e relatar o resultado das audiências. As mulheres também recebem orientações e informações sobre direitos e oferta de apoio psicológico.

Segundo a pesquisa, a maioria do público que procurou atendimento foi do gênero feminino (78%), de cor branca, com idade média de 39 anos, solteira, com Ensino Médio completo. Também foi constatado que 54% das mulheres estão inseridas no mercado de trabalho.

As vítimas, em sua maioria, residem nas zonas sul e norte da cidade de São Paulo, porém a maioria das ocorrências acontece nas zonas sul e leste. Para o coordenador do Cravi, Bruno Fedri, é essencial a importância da coleta, da tabulação e da análise de dados. “A partir desse diagnóstico, podemos mostrar o serviço prestado aos usuários do programa e planejar novas propostas de intervenção”, explica.

“Com uma equipe muito qualificada, o Cravi presta um serviço importante de apoio e acolhimento às vítimas de crimes violentos e seus familiares. Nós olhamos para os cidadãos. Trabalhamos com dedicação, empenho e amor para sermos efetivos naquilo que realizamos”, avalia o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Paulo Dimas Mascaretti.

Atividades

Além dos atendimentos, o Cravi realiza diversas pesquisas e estudos sobre os efeitos da violência e seus reflexos no acesso à justiça e à cidadania das vítimas, que produziram materiais informativos e orientativos, como folders, livros e cartilhas.

As oficinas mensais do Cravi têm o objetivo de divulgar os serviços e proporcionar um espaço de sensibilização sobre temas relativos aos direitos humanos. Em 2019, foram capacitados 2.213 profissionais, aumento de 104% em relação ao ano anterior (com 1.080 capacitações).

As atividades são direcionadas aos profissionais, servidores, estagiários e estudantes das áreas de saúde, assistência social, direito, psicologia, educação e que atuam no atendimento direto à população.

Entre os temas abordados estiveram automutilação, importunação sexual, violência contra a mulher, dependência química, exploração e abuso sexual contra crianças e adolescentes, proteção à testemunha, suicídio e bullying, política nacional da assistência social e racismo.

Acolhimento

O Cravi também desempenhou as atividades de acolhimento e atendimento psicossocial e jurídico às vítimas da tragédia da Escola Raul Brasil, em Suzano, que deixou dez pessoas mortas. Desde o dia do ocorrido (13 de março) até o dia 25 de junho de 2019, foram realizados 17 plantões e 572 atendimentos individuais e em rodas de conversa para alunos, funcionários, pais e professores, e visitas domiciliares para aquelas pessoas que não conseguiram ir à unidade de ensino.

Assim como em Suzano, os técnicos do programa prestaram apoio psicossocial às famílias das vítimas de Paraisópolis, na capital. Os atendimentos ocorreram em dezembro, no CEU Paraisópolis. Foram realizados três plantões e quarenta atendimentos, entre familiares de vítimas e quem esteve no local. Os técnicos realizaram ainda três vistas domiciliares.

Neste ano, a equipe esteve na Escola Estadual Dr. Aniz Badra e deu suporte aos professores, alunos e à comunidade escolar. Em 13 de fevereiro, uma professora foi envenenada por alunos de 10 e 11 anos do 4º ano do Ensino Fundamental. Um dos alunos envolvidos no caso, os familiares e a professora foram atendidos.

O programa passa por expansão. Em 2019, foram inauguradas sedes em Suzano, Araçatuba, Santos, São Vicente e Barueri.

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