China expulsa jornalistas norte-americanos
O governo chinês anunciou na terça-feira, 17, que revogará as credenciais de jornalistas de três grandes jornais dos EUA, em resposta a novas restrições americanas em relação à mídia chinesa. Em um comunicado, o Ministério de Relações Exteriores disse que a China exige que os jornalistas que trabalham para Wall Street Journal, Washington Post e New York Times devolvam, dentro de 10 dias, as credenciais.
O governo chinês também disse que outros dois veículos, a Voz da América e a revista Time, também serão designadas “missões estrangeiras”, mas não ficou claro se os jornalistas das duas teriam as credenciais revogadas.
“Eu lamento a decisão tomada pela China. Isto apenas dificulta o trabalho da imprensa livre, que francamente seria bom para o povo chinês”, disse o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo. “Espero que eles voltem atrás.”
A medida acontece no momento em que o governo de Donald Trump designou cinco veículos de mídia da China como “missões estrangeiras”, restringindo o número de chineses que poderiam trabalhar nelas.
Os meios de comunicação chineses empregam cerca de 160 pessoas nos EUA, que pertencem a cinco organizações de mídia, todas elas controladas pelo governo do país. A Casa Branca restringiu o número de vistos a cem. Os que excederem serão expulsos.
O momento também é ruim para a relação entre os dois países desde que Trump começou a ser referir ao coronavírus como “vírus chinês” – o que muitos condenaram como uma espécie de estigmatização racial. Na terça-feira, o presidente voltou a se defender, dizendo que não vê nada de errado em chamar o vírus pelo país de origem.
A China disse na terça que a expulsão dos jornalistas é um passo necessário e recíproco. É uma contramedida em resposta ao que chamaram de uma opressão aos meios chineses nos EUA. No entanto, esta não é a primeira vez que Pequim decide expulsar jornalistas estrangeiros.
Em fevereiro, dois repórteres e um chefe da sucursal do Wall Street Journal que trabalhavam na China tiveram as credenciais revogadas após a publicação de uma coluna de opinião de um professor universitário dos EUA com um título que dizia que a China é “o real homem doente” da Ásia.
O texto se referia ao surto do coronavírus e foi considerado pelo governo chinês como “racista e calunioso”. Apesar de não haver relação entre os jornalistas e o professor americano, Pequim argumenta que a expulsão ocorreu por falta de um pedido de desculpas do jornal. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
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