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Empresa pode recusar retorno de um funcionário após alta médica do INSS?

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Foto oficial do INSS

Em um cenário onde o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) dá alta médica a um funcionário após um período de afastamento por motivo de saúde, mas a empresa se recusa a aceitar seu retorno, abre-se um complexo dilema para o trabalhador. Este cenário coloca o empregado em uma posição delicada, onde, apesar de ser considerado apto pelo INSS para retomar suas atividades, encontra-se impedido de trabalhar devido à avaliação contrária do médico corporativo.

Esta discrepância entre as avaliações médicas do INSS e da empresa resulta em uma situação problemática, na qual o trabalhador, ansioso por retomar suas funções e garantir seu sustento, vê-se em um limbo jurídico e financeiro. Diante da negativa da empresa em aceitar o retorno ao trabalho, o empregado se vê forçado a solicitar novamente o benefício ao INSS, que, por sua vez, pode negar a solicitação, deixando o trabalhador sem qualquer remuneração ou suporte financeiro.

Esta condição cria um ciclo frustrante e desgastante para o trabalhador, que se encontra preso em um “jogo de empurra” entre o INSS e o empregador, sem receber apoio financeiro de nenhuma das partes. Frequentemente, as empresas adotam esta postura para se eximir de responsabilidades, encaminhando o empregado de volta ao INSS na tentativa de estender ou reativar o benefício previdenciário, uma manobra que raramente altera o desfecho da situação.

Neste contexto, surgem importantes questionamentos sobre os direitos do trabalhador e as medidas legais disponíveis para protegê-los. A legislação trabalhista brasileira, mais especificamente o artigo 476 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estipula que o contrato de trabalho é suspenso durante o período de recebimento do benefício previdenciário, mas deve ser retomado normalmente após a alta do INSS.

Quando um trabalhador se apresenta para retomar suas funções após a alta do INSS, espera-se que a empresa cumpra seu papel social, permitindo o retorno às atividades, possivelmente em uma função adaptada à sua condição de saúde atual. A recusa em reintegrar o trabalhador não apenas compromete a dignidade do indivíduo, mas também pode resultar em ações judiciais, nas quais os tribunais têm consistentemente reconhecido o direito do empregado à indenização pelos salários não pagos durante o período de impasse.

Além disso, a Justiça do Trabalho tem atribuído compensações por danos morais aos trabalhadores afetados por essa prática, reconhecendo o impacto negativo na dignidade e na subsistência do indivíduo. Diante da negativa da empresa em facilitar o retorno ao trabalho, o empregado deve buscar reparação legal, podendo inclusive pleitear a rescisão indireta do contrato de trabalho por culpa do empregador, garantindo assim o pagamento das verbas rescisórias devidas.

Este cenário destaca a importância de um sistema de proteção ao trabalhador coerente e efetivo, que garanta não apenas o direito à saúde e à segurança no emprego, mas também a reintegração ao mercado de trabalho de forma digna e justa após períodos de afastamento por motivos de saúde.

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