Incêndios criminosos levarão autores à obrigação de restaurar biomas, afirma Sarrubbo
O Secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, declarou que os responsáveis por incêndios criminosos no Brasil terão que indenizar a população e recuperar os biomas afetados pelos danos causados. Em entrevista nesta quinta-feira (12), Sarrubbo destacou que a repressão a esses crimes será severa e cumprida nos termos da lei, como resposta à crescente devastação ambiental no país.
Cultura de queimadas no agronegócio e a necessidade de repressão
Mário Sarrubbo apontou que as queimadas ilegais têm uma origem cultural no agronegócio brasileiro, algo que “vem de longa data”. Além disso, ele ressaltou que há uma complacência histórica em relação aos crimes ambientais no Brasil. Para combater essa prática, o Secretário destacou a necessidade de uma aplicação rigorosa das leis e da repressão efetiva contra os responsáveis.
“Temos que mudar essa cultura com repressão severa. É um caso de aplicar a lei e garantir que esses crimes não fiquem impunes. Além de punições criminais, é fundamental que os autores dos incêndios sejam responsabilizados financeiramente e obrigados a repor os biomas destruídos”, afirmou Sarrubbo.
Crescimento alarmante dos incêndios em 11 estados e no Distrito Federal
O Brasil enfrenta uma das maiores secas de sua história, o que intensificou o aumento de incêndios em várias regiões. Em 11 estados e no Distrito Federal, os focos de fogo mais do que dobraram nos últimos meses. Sarrubbo afirmou que a seca que o país enfrenta está fora de todos os padrões previstos, ressaltando que esse cenário climático era esperado apenas para as próximas décadas.
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“O Brasil está vivenciando uma crise ambiental sem precedentes. A seca atual era prevista para acontecer daqui a uma ou duas décadas, mas já estamos enfrentando esse cenário agora”, comentou o Secretário. Mesmo com a urgência de punir os responsáveis, ele indicou que o aumento das penas não é uma solução imediata.
Punição adequada é prioridade, segundo Sarrubbo
Embora seja necessário punir os crimes ambientais com rigor, Sarrubbo afirmou que elevar as penas para os autores dos incêndios não é a principal estratégia. Segundo ele, o mais importante é garantir que a punição seja aplicada efetivamente, e que as leis atuais já possuem penas adequadas para esses crimes.
“O aumento das penas não é o que vai prevenir esses crimes. O que precisamos é de uma melhor estrutura de controle e fiscalização, além de garantir que as punições existentes sejam cumpridas. Alterações pontuais nas leis penais nem sempre funcionam como solução para crimes desse tipo”, afirmou Sarrubbo.
A expansão dos incêndios florestais pelo Brasil
Os incêndios florestais vêm destruindo biomas de norte a sul do Brasil, com focos que atingem áreas críticas como a Amazônia e o Pantanal. A Força Nacional de Segurança já está atuando em nove dos 20 municípios indicados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como áreas prioritárias para combate ao fogo. Cerca de 160 bombeiros já foram deslocados para essas regiões, com a previsão de envio imediato de mais 150 profissionais.
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Penas administrativas como ferramenta de combate
Além das punições criminais, Sarrubbo defende a aplicação de penas administrativas contra fazendeiros e empresários envolvidos nos incêndios. Ele sugeriu que os infratores sejam proibidos de acessar financiamentos públicos ou privados, inviabilizando suas atividades ilícitas.
“Não é aceitável que quem destrói o meio ambiente tenha acesso a financiamentos com dinheiro público. As sanções administrativas, como o bloqueio de empréstimos, são medidas eficazes que podem desestruturar essas atividades criminosas”, destacou o Secretário.
Foco na Amazônia e no Pantanal para conter o avanço dos incêndios
As regiões da Amazônia e do Pantanal são as que mais preocupam as autoridades diante do aumento das queimadas. O Ministério da Justiça, em parceria com outras entidades, está reforçando as operações nessas áreas críticas para tentar conter o avanço dos focos de incêndio e proteger os biomas.
Sarrubbo destacou que o Brasil já enfrenta uma situação de emergência ambiental, que exige respostas rápidas e eficazes. O envio de bombeiros da Força Nacional para essas regiões tem sido uma das principais ações do governo para combater as queimadas, mas o Secretário reforçou que o combate ao fogo deve ser acompanhado de ações legais contra os responsáveis.

















