Prefeito do Rio promete distribuir versão genérica do Ozempic na rede públicaPor Carolina Costa
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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou uma medida que promete causar grande impacto na saúde pública da cidade: a distribuição da versão genérica do medicamento Ozempic nas unidades de saúde municipais. A promessa, que vem no contexto de sua campanha de reeleição, ganhou destaque devido à popularidade do remédio, especialmente pelo seu uso como auxiliar na perda de peso.
O que é o Ozempic?
O Ozempic é um medicamento originalmente desenvolvido para o tratamento do diabetes tipo 2. Ele utiliza a semaglutida como princípio ativo, um composto que imita a ação do hormônio GLP-1, responsável por estimular a produção de insulina e controlar o açúcar no sangue. Contudo, um dos efeitos colaterais mais conhecidos e populares do remédio é a perda de peso, o que fez com que seu uso se expandisse também para fins estéticos e no combate à obesidade.
No Brasil, o medicamento ganhou grande notoriedade, sendo amplamente utilizado para emagrecimento. Devido à sua alta eficácia, o Ozempic rapidamente se tornou um dos remédios mais buscados nas farmácias. No entanto, o alto custo, em torno de mil reais por unidade, torna-o inacessível para boa parte da população.
A promessa de Eduardo Paes
Em suas recentes declarações, Eduardo Paes afirmou que pretende incluir a versão genérica do Ozempic na lista de medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas clínicas da família do Rio de Janeiro. Segundo o prefeito, a iniciativa visa combater a obesidade na cidade e democratizar o acesso a um tratamento que até então era restrito a quem podia pagar pelo remédio. Paes, que já admitiu o uso pessoal do Ozempic, revelou que perdeu 30 quilos com o auxílio do medicamento e destacou que seu objetivo é proporcionar à população os mesmos benefícios.
A promessa, que inicialmente foi vista com ceticismo, ganhou força quando o prefeito explicou que a patente do Ozempic expira em 2026. Isso permitirá a fabricação e distribuição da versão genérica do remédio, o que tornaria possível a redução dos custos e a inclusão do medicamento no rol de remédios oferecidos pelo SUS.
Desafios e cronograma
A inclusão do genérico do Ozempic na rede pública não será imediata. A patente do medicamento, de propriedade da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, está prevista para expirar em 2026. Embora o prefeito tenha indicado que a versão genérica poderá ser introduzida logo após o vencimento da patente, especialistas apontam que o processo para a entrada de um medicamento no SUS é complexo, exigindo aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a realização de testes de bioequivalência para garantir a segurança e eficácia da versão genérica.
Além disso, há o desafio de disponibilizar um remédio que vem sendo cada vez mais utilizado para fins estéticos de maneira indiscriminada. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) já expressou preocupações sobre o uso off-label do Ozempic e alertou para os riscos de seu uso sem acompanhamento médico adequado.
Paes, no entanto, reforça que sua preocupação com a distribuição do medicamento não é estética, mas sim de saúde pública. A obesidade é um problema crescente no Brasil, e o Rio de Janeiro não está imune a essa realidade. O objetivo da prefeitura seria reduzir a taxa de obesidade e suas complicações, como doenças cardíacas e diabetes, por meio de um tratamento mais acessível.
O impacto potencial na saúde pública
A inclusão do Ozempic no SUS, especialmente sua versão genérica, pode ter um impacto significativo na saúde pública. Estima-se que, com a distribuição do remédio, milhares de cariocas poderão ter acesso a um tratamento eficaz contra o diabetes e a obesidade, duas das maiores preocupações de saúde no país.
A obesidade, em particular, é uma das principais causas de doenças crônicas, como hipertensão e problemas cardiovasculares, além de estar associada a uma redução na qualidade de vida e à discriminação social. A disponibilização de um medicamento que auxilia na perda de peso e no controle do diabetes pode aliviar a pressão sobre o sistema de saúde, reduzir internações e melhorar os indicadores de saúde da população.
Contudo, a medida também exige um planejamento cuidadoso. A demanda pelo Ozempic tem sido tão alta que já existem relatos de escassez do remédio nas farmácias, tanto no Brasil quanto no exterior. Se a promessa de Paes se concretizar, será necessário garantir um abastecimento estável do medicamento para atender à demanda da rede pública sem comprometer o fornecimento nas farmácias privadas.
Desafios regulatórios e financeiros
Apesar do otimismo do prefeito, existem alguns obstáculos para que o medicamento seja efetivamente distribuído nas unidades de saúde do Rio de Janeiro. O processo de aprovação de genéricos no Brasil pode ser demorado, pois envolve uma série de exigências regulatórias por parte da Anvisa e do Ministério da Saúde.
Além disso, o custo de incluir o Ozempic na lista de medicamentos do SUS não é desprezível. Mesmo na sua versão genérica, o remédio pode continuar sendo caro, e o financiamento de sua distribuição em larga escala exigirá a alocação de recursos significativos. Alguns especialistas já levantaram a questão de como a prefeitura irá arcar com esses custos, especialmente em um cenário de orçamento limitado.
No entanto, a popularidade do medicamento e seu impacto na saúde pública podem justificar o investimento. Governos de outros países, como Reino Unido e Dinamarca, já demonstraram interesse em incluir o medicamento em seus sistemas públicos de saúde, o que pode abrir precedentes e acelerar a sua aprovação no Brasil.
Expectativas e próximos passos
Com a expiração da patente do Ozempic prevista para 2026, a expectativa é que a versão genérica do medicamento chegue ao mercado brasileiro nos próximos anos, facilitando sua inclusão no SUS. Enquanto isso, a promessa de Eduardo Paes continua gerando debates entre especialistas e políticos sobre os melhores caminhos para combater a obesidade e tornar os tratamentos mais acessíveis à população.
Se a proposta for adiante, o Rio de Janeiro poderá ser a primeira cidade brasileira a incluir um medicamento popular contra a obesidade e diabetes em sua rede pública de saúde, o que pode servir de modelo para outras capitais e estados.







