Trabalhadores que entraram com ação de correção do FGTS podem ter que arcar com R$ 25 bilhões

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FGTS Foto: FGTS - foto: rafapress/depositphotos.com

Uma recente decisão envolvendo a correção do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) trouxe preocupações para os trabalhadores que entraram com ações judiciais para revisar o índice de correção aplicado ao fundo. De acordo com estimativas, o montante que os trabalhadores podem ser obrigados a pagar chega a R$ 25 bilhões, incluindo custos processuais e honorários de sucumbência. Esse valor se deve ao entendimento de que, apesar de buscarem uma correção mais vantajosa, os trabalhadores podem acabar tendo que arcar com as despesas da ação em caso de decisão desfavorável.

O que é a correção do FGTS?

O FGTS é um fundo criado para proteger o trabalhador em situações de demissão sem justa causa, e seu valor é constituído a partir de depósitos mensais feitos pelos empregadores, no valor de 8% sobre o salário do funcionário. Tradicionalmente, o saldo do FGTS é corrigido pela Taxa Referencial (TR) mais uma taxa de 3% ao ano. No entanto, a TR tem se mantido praticamente zerada desde 1999, resultando em uma perda do poder de compra do fundo, já que a inflação acumulada ao longo dos anos não foi reposta.

Esse cenário levou muitos trabalhadores a ingressarem com ações judiciais buscando uma correção mais justa, baseada em índices inflacionários como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O objetivo dessas ações é garantir que o FGTS tenha uma rentabilidade que ao menos acompanhe a inflação, evitando que o fundo seja desvalorizado com o tempo.

A decisão do STF sobre a revisão do FGTS

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5090), que contesta o uso da TR como índice de correção do FGTS. A ação, iniciada em 2014, foi proposta pelo partido Solidariedade, que argumenta que a TR não reflete a inflação real e, portanto, viola o direito de propriedade dos trabalhadores.

No entanto, a decisão do STF até agora indica que as mudanças no índice de correção deverão ser aplicadas apenas para o futuro, não sendo válidas retroativamente. Com essa modulação, os trabalhadores que entraram com ações judiciais buscando a correção com base em índices inflacionários, como o IPCA, podem não obter o resultado esperado para os valores passados. Além disso, o risco de terem que arcar com os custos judiciais se tornou uma realidade.

Impacto financeiro e legal para os trabalhadores

Caso a decisão se mantenha favorável apenas para o futuro, os trabalhadores que já entraram com ações judiciais poderão ser obrigados a pagar os chamados honorários de sucumbência, que são devidos à parte vencedora em um processo judicial. Esses custos podem incluir tanto os honorários advocatícios quanto as custas processuais, resultando em uma dívida significativa para quem pleiteou a revisão.

O Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT) calculou que, apenas em honorários de sucumbência, o valor que os trabalhadores podem ter que pagar chega a R$ 25 bilhões. Esse número é alarmante, pois, em vez de receberem uma correção vantajosa, muitos podem acabar acumulando uma dívida substancial.

Quem tem direito à correção do FGTS?

O direito à correção do FGTS se aplica a todos os trabalhadores com carteira assinada desde 1999, quando a TR começou a ser aplicada de maneira mais defasada em relação à inflação. O processo judicial visa corrigir essas perdas, especialmente para aqueles que mantiveram saldo no FGTS ao longo de muitos anos.

No entanto, é importante destacar que, com a modulação imposta pelo STF, apenas aqueles que entrarem com ações até a decisão final da Corte terão o direito de reivindicar qualquer ajuste. Para os demais, a mudança só valerá para os valores depositados a partir da decisão, limitando os ganhos potenciais de uma correção mais justa.

Perspectivas futuras e recomendações para os trabalhadores

Com a possibilidade de não haver correção retroativa, muitos especialistas recomendam cautela antes de ingressar com ações judiciais pela revisão do FGTS. O risco de perda, somado ao custo de sucumbência, torna o cenário desfavorável para aqueles que buscam corrigir os saldos passados.

Além disso, o impacto econômico dessa decisão pode ser devastador para muitos trabalhadores que, ao invés de receberem uma indenização, podem acabar comprometendo suas finanças ao pagar os custos do processo. A orientação é que aqueles que ainda não entraram com a ação avaliem cuidadosamente as implicações, consultando advogados especializados antes de tomar qualquer decisão.

Conclusão: o futuro do FGTS e a correção inflacionária

A revisão do FGTS se tornou um dos temas mais debatidos nos últimos anos, envolvendo discussões sobre justiça social e preservação do poder de compra dos trabalhadores. A decisão do STF será crucial para definir o futuro do fundo e seu papel na proteção dos trabalhadores brasileiros. No entanto, para aqueles que já buscaram a revisão, o cenário é preocupante, com a possibilidade de que, ao invés de ganhos, enfrentem perdas financeiras significativas.

Os trabalhadores que estão avaliando a possibilidade de entrar com uma ação devem considerar todas as variáveis em jogo, especialmente a modulação do STF e os custos judiciais envolvidos. Ao mesmo tempo, o debate sobre a revisão do FGTS continua, com a expectativa de que novas discussões possam surgir sobre a melhor forma de garantir que o fundo realmente preserve o poder de compra dos trabalhadores.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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