Marcos Braz revela erro estratégico no Flamengo: “Ter mandado o Rogério Ceni embora”

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Rogério Ceni e Marcos Braz Flamengo Foto: Rogério Ceni e Marcos Braz Flamengo - Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

O vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, trouxe à tona uma das decisões mais emblemáticas e controversas de sua gestão: a demissão do técnico Rogério Ceni, ocorrida em julho de 2021. Em uma entrevista ao canal “Benja Me Mucho” no YouTube, Braz admitiu que a saída do treinador, em meio a um cenário de desafios externos e internos, foi um erro estratégico. Essa revelação oferece um novo olhar sobre um dos capítulos mais complexos do clube rubro-negro nos últimos anos.

Contratado em novembro de 2020, Rogério Ceni assumiu o comando do Flamengo após a saída de Domènec Torrent. Apesar de sua breve passagem, ele conquistou três títulos importantes: o Campeonato Brasileiro de 2020, o Campeonato Carioca de 2021 e a Supercopa do Brasil de 2021. No entanto, seu trabalho foi marcado por turbulências, incluindo convocações de jogadores para a seleção brasileira e um calendário exaustivo de jogos. Esses fatores, aliados à pressão por resultados imediatos, culminaram na decisão que agora Marcos Braz considera precipitada.

“Foi um dos erros que cometi”

Durante a entrevista, Braz refletiu sobre os desafios enfrentados em 2021, um ano particularmente intenso para o Flamengo. “Acho que foi um dos erros que cometi: ter mandado o Rogério Ceni embora. Nunca falei isso antes. Não é que eu me arrependi, até porque quem veio foi o Renato (Gaúcho), uma pessoa fantástica e um técnico incrível. Mas acho que deveria ter lidado de outra forma”, confessou o dirigente.

O contexto que levou à demissão de Ceni foi marcado por um calendário apertado e promessas não cumpridas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A saída de Rogério Caboclo da presidência da entidade desestabilizou o planejamento do campeonato, deixando o Flamengo em uma situação crítica. Em 18 dias, o time disputou sete partidas, um desafio que afetou não só o desempenho da equipe, mas também a capacidade de gestão do treinador.

Rogério Ceni: um técnico sob pressão

Rogério Ceni enfrentou desafios significativos desde o início de sua passagem pelo Flamengo. Além das questões externas, como as convocações de jogadores para a seleção brasileira, ele lidava com um ambiente interno desgastado. Conflitos nos bastidores e desconfianças entre membros do clube criaram um clima tenso, que culminou em duas ocasiões em que Ceni pediu para deixar o cargo antes mesmo das conquistas.

“Ele me pediu para sair duas vezes”, relembrou Braz. “Disse que não estava conseguindo passar o que queria e que achava que estava atrapalhando. Mas eu insisti. Disse que não iria demiti-lo, e ele acabou nos levando ao título do Campeonato Brasileiro de 2020.”

A conquista do título nacional veio de forma dramática. O Flamengo perdeu para o São Paulo na última rodada, mas garantiu a taça graças ao empate do Internacional contra o Corinthians. Esse momento representou tanto a resiliência de Ceni quanto o impacto de sua liderança em uma temporada marcada por adversidades.

A demissão e seus desdobramentos

O anúncio da demissão de Rogério Ceni ocorreu na madrugada do dia 10 de julho de 2021, após uma sequência de resultados insatisfatórios e um ambiente cada vez mais conturbado no clube. A decisão foi tomada em um momento de pressão extrema, quando o Flamengo buscava respostas rápidas para seus problemas dentro e fora de campo.

Marcos Braz explicou que a decisão foi influenciada por múltiplos fatores, incluindo o desempenho irregular da equipe e as dificuldades de gestão enfrentadas por Ceni. No entanto, ele admitiu que, em retrospecto, a saída do treinador pode ter sido precipitada. “Talvez a gente devesse ter tido mais paciência. O Rogério estava enfrentando uma série de situações difíceis, muitas delas fora do controle dele”, ponderou o dirigente.

O impacto das convocações e do calendário apertado

Uma das principais dificuldades enfrentadas por Ceni durante sua gestão foi a ausência de jogadores importantes devido às convocações para a seleção brasileira. Atletas como Gabigol e Éverton Ribeiro eram frequentemente desfalques em momentos decisivos, prejudicando o desempenho do time. Além disso, o calendário de jogos sobrecarregado colocava uma pressão adicional sobre a comissão técnica e os jogadores.

Marcos Braz destacou que a promessa inicial da CBF de estender o campeonato não foi cumprida após a saída de Rogério Caboclo, o que agravou a situação. “Foi uma loucura. Jogamos sete partidas em 18 dias. Era impossível manter um padrão de desempenho nessas condições”, afirmou.

Lições de uma gestão sob pressão

A admissão de erro por parte de Marcos Braz reflete a complexidade das decisões no futebol de elite. A pressão por resultados imediatos, somada às expectativas da torcida e às limitações impostas por fatores externos, muitas vezes leva a decisões que podem não considerar o contexto completo. A saída de Rogério Ceni é um exemplo claro disso.

Além de abordar a demissão de Ceni, Braz também relembrou outro momento crítico de sua gestão: a contratação de Domènec Torrent após a saída de Jorge Jesus em 2020. Na época, restrições orçamentárias impediram a contratação de Leonardo Jardim, técnico que era sua primeira escolha. “O orçamento para o próximo técnico era um quarto do que tínhamos para o Jorge Jesus. Isso limitou nossas opções”, explicou.

Números que contam uma história

Apesar das dificuldades enfrentadas, os números da passagem de Rogério Ceni pelo Flamengo demonstram seu impacto como treinador:

  • Jogos disputados: 45
  • Vitórias: 23
  • Empates: 11
  • Derrotas: 11
  • Aproveitamento: 59,2%
  • Títulos conquistados: 3 (Campeonato Brasileiro 2020, Campeonato Carioca 2021, Supercopa do Brasil 2021)

Esses resultados evidenciam a capacidade de Ceni de liderar a equipe mesmo diante de adversidades, consolidando sua reputação como um técnico resiliente e estratégico.

Reflexões para o futuro

A experiência de Rogério Ceni no Flamengo, embora breve, oferece lições valiosas para dirigentes e treinadores. A relação entre a diretoria e a comissão técnica é crucial para o sucesso de um clube, e decisões precipitadas podem ter consequências duradouras. Marcos Braz reconheceu que, em momentos de crise, é fundamental avaliar cuidadosamente o contexto antes de tomar medidas drásticas.

Além disso, a pressão por resultados imediatos deve ser equilibrada com a necessidade de dar tempo para que treinadores implementem suas ideias e estratégias. O futebol de elite é um ambiente onde a paciência e a confiança mútua podem ser tão importantes quanto as habilidades técnicas.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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