Boca Juniors é eliminado na segunda fase da Libertadores e escancara crise interna e esportiva

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Boca Juniors Foto: Boca Juniors - Foto: Cavan-Images / Shutterstock.com

A eliminação do Boca Juniors na segunda fase da Copa Libertadores de 2025 expôs uma crise que vai além dos gramados. O clube argentino, que já vinha enfrentando dificuldades no cenário nacional, agora coleciona mais um revés na competição continental. A derrota nos pênaltis para o Alianza Lima, após um agregado de 2 a 2, reforça os problemas internos que afetam a equipe, desde a falta de renovação do elenco até disputas políticas que dividem diretoria e torcedores. A eliminação marca o segundo ano consecutivo sem participação na fase de grupos, o que não acontecia há décadas e gera um impacto significativo para o clube, tanto esportivo quanto financeiro.

O jogo decisivo em La Bombonera começou com esperança para os torcedores, mas terminou em frustração. Mesmo vencendo por 2 a 1 no tempo normal, a equipe não conseguiu evitar a decisão por pênaltis. Cavani, grande nome do elenco, perdeu um gol incrível nos acréscimos, um erro que poderia ter garantido a classificação. Nos pênaltis, Brey não conseguiu defender nenhuma cobrança, e Alan Velasco, a contratação mais cara da temporada, desperdiçou sua penalidade, selando a eliminação do Boca.

A derrota foi um reflexo da má fase do clube, que vem de campanhas irregulares desde a final da Libertadores de 2023, quando perdeu o título para o Fluminense. O desempenho ruim no Campeonato Argentino de 2024, terminando apenas na sexta colocação, já indicava que a equipe não estava em condições ideais para competir no mais alto nível.

Desempenho do Boca Juniors nas últimas temporadas

O histórico recente do Boca Juniors nas competições sul-americanas mostra uma queda de rendimento. A última grande campanha do clube ocorreu em 2023, quando chegou à final da Libertadores, mas desde então os resultados têm sido abaixo do esperado. Em 2024, sequer participou da principal competição continental, jogando a Copa Sul-Americana, onde foi eliminado pelo Cruzeiro nas oitavas de final.

Além disso, no cenário nacional, os títulos não vieram. Em 2024, o Boca caiu nas semifinais da Copa Argentina e da Copa da Liga, além de ficar fora da briga pelo título do Campeonato Argentino. Essa sequência de insucessos tem gerado grande pressão sobre a diretoria e a comissão técnica.

O técnico Fernando Gago, contratado em outubro de 2024, ainda não conseguiu implementar um estilo de jogo consistente. Em 22 partidas sob seu comando, conquistou 11 vitórias, seis empates e cinco derrotas, um aproveitamento de 50%. Apesar do desempenho ligeiramente melhor que o de seu antecessor, Diego Martínez, a eliminação precoce na Libertadores colocou seu trabalho em xeque.

Elenco envelhecido e contratações de alto custo

O Boca Juniors conta com um elenco experiente, mas que não tem correspondido dentro de campo. Alguns dos principais jogadores estão acima dos 33 anos, como Cavani (38), Marchesín (36), Advíncula (34), Rojo (34), Battaglia (33) e Ander Herrera (35). A média de idade elevada tem sido um fator de preocupação, já que a equipe tem dificuldades para manter um ritmo intenso durante os jogos.

Na última janela de transferências, o Boca investiu pesado para reforçar o elenco. O clube gastou mais de 42 milhões de euros em contratações, sendo Alan Velasco a aquisição mais cara, custando 9,6 milhões de euros. Apesar dos investimentos, os resultados não vieram. Velasco, que deveria ser um dos protagonistas da equipe, foi o vilão da eliminação ao perder sua cobrança na disputa de pênaltis.

A falta de renovação no elenco também é um problema. Muitos jovens talentos foram vendidos antes de se consolidarem no time principal, o que impede o Boca de construir uma base sólida a longo prazo. O clube precisa equilibrar a experiência de seus jogadores com a chegada de novos talentos, algo que não tem sido feito com sucesso nos últimos anos.

Disputa política interna e impacto na gestão do clube

Os problemas do Boca Juniors não estão apenas dentro de campo. Nos bastidores, o clube enfrenta uma intensa disputa política que influencia diretamente sua gestão. Juan Román Riquelme, eleito presidente em dezembro de 2023 com 68% dos votos, está no centro de um embate contra Andrés Ibarra e o ex-presidente Mauricio Macri.

Riquelme é apoiado por Chiqui Tapia, presidente da AFA, e defende um modelo de clube tradicional, sem a implementação das Sociedades Anônimas Desportivas (SADs), algo que a oposição deseja. Essa divergência de ideias tem polarizado os torcedores e criado um ambiente conturbado dentro do clube.

A falta de títulos e os maus resultados aumentam a pressão sobre Riquelme, que ainda não conseguiu entregar conquistas expressivas como dirigente. A eliminação na Libertadores agrava essa situação, e a insatisfação entre os torcedores cresce a cada nova derrota.

Impacto financeiro da eliminação na Libertadores

A saída precoce da Libertadores representa uma perda financeira significativa para o Boca Juniors. O clube deixará de receber as premiações da Conmebol, que poderiam chegar a valores expressivos caso avançasse às fases finais. Além disso, a ausência da equipe na fase de grupos impacta diretamente as receitas com bilheteria e direitos de transmissão.

O Boca tem um dos programas de sócios mais robustos da América do Sul e lota La Bombonera constantemente, mas a falta de bons resultados pode afetar o engajamento da torcida. Sem títulos e com dificuldades dentro de campo, o clube corre o risco de ver uma queda no número de associados e no interesse comercial de patrocinadores.

Desafios para o restante de 2025

Mesmo sem a Libertadores, o Boca Juniors ainda tem compromissos importantes na temporada. A equipe disputará o Campeonato Argentino e, em junho, participará do Mundial de Clubes nos Estados Unidos. No torneio internacional, enfrentará Auckland City, Bayern de Munique e Benfica na fase de grupos, um desafio que exigirá uma grande evolução da equipe.

A preparação para o Mundial será fundamental para definir o futuro do clube. Se não apresentar melhorias significativas, o Boca pode sofrer mais um vexame internacional. O desempenho na competição também pode impactar diretamente o futuro de Fernando Gago no comando técnico, já que a diretoria não descarta mudanças caso os resultados continuem abaixo do esperado.

A eliminação na Libertadores de 2025 foi um duro golpe para o Boca Juniors, que precisará enfrentar desafios dentro e fora de campo nos próximos meses. A crise esportiva, as disputas políticas e as dificuldades financeiras criam um cenário instável para um dos clubes mais tradicionais da América do Sul. O próximo passo da equipe será buscar uma recuperação no Campeonato Argentino e no Mundial de Clubes, mas para isso, será necessária uma mudança significativa na gestão do elenco e na condução administrativa do clube.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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