São Paulo avança com polêmica: gol de Calleri contra Novorizontino gera debate sobre arbitragem de Edina Alves

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Edina Alves Foto: Edina Alves - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com

Em uma noite marcada por tensão e controvérsia, o São Paulo garantiu sua vaga nas semifinais do Campeonato Paulista ao derrotar o Novorizontino por 1 a 0, no Morumbis, nesta segunda-feira, dia 3 de março. O gol solitário de Calleri, aos 17 minutos do segundo tempo, selou a vitória tricolor em partida válida pelas quartas de final, mas o lance que originou o tento reacendeu discussões sobre a atuação da árbitra Edina Alves Batista e o uso do VAR. Especialistas apontam que uma falta não marcada na construção da jogada comprometeu a legitimidade do resultado, enquanto o jogo também foi palco de uma expulsão polêmica nos minutos finais, deixando o Novorizontino com dez jogadores. Com 52.315 torcedores presentes, o confronto teve renda de R$ 3.371.196,00 e agora coloca o Tricolor frente a frente com o Palmeiras na próxima fase.

A partida começou com o São Paulo buscando impor seu ritmo diante de um Morumbis lotado, controlando 58% da posse de bola no primeiro tempo. No entanto, o Novorizontino, treinado por Eduardo Baptista, adotou uma postura defensiva sólida, com uma linha de cinco jogadores na retaguarda, dificultando as investidas tricolores. O time visitante não se limitou a defender e chegou a exigir duas defesas importantes do goleiro Rafael com chutes de longa distância, mostrando que estava disposto a contra-atacar. Enquanto isso, a arbitragem de Edina Alves já dava sinais de que seria alvo de atenção, com apenas um cartão amarelo distribuído aos visitantes apesar das 15 faltas cometidas no primeiro tempo, o que irritou o técnico Luis Zubeldía.

No segundo tempo, o cenário mudou. O São Paulo voltou com mais urgência e conseguiu abrir o placar após uma jogada trabalhada entre Oscar, Lucas Moura e Calleri. O gol, porém, foi colocado sob escrutínio imediato. Para Paulo Caravina, especialista em arbitragem, uma falta clara na origem da jogada foi ignorada tanto por Edina quanto pelo VAR, comandado por Jose Claudio Rocha Filho. A decisão de validar o tento gerou críticas intensas, especialmente entre os torcedores do Novorizontino, que viram na arbitragem um fator decisivo para o desfecho do confronto.

Origem da polêmica: o gol contestado e a atuação de Edina Alves

Aos 17 minutos do segundo tempo, o São Paulo encontrou o caminho do gol em uma jogada que começou com Oscar recuperando a bola no meio-campo e avançando até a intermediária. Lucas Moura recebeu o passe e, com um toque preciso, deixou Calleri na cara do gol para finalizar com categoria diante do goleiro Airton. O Morumbis explodiu em festa, mas a alegria tricolor logo foi acompanhada por questionamentos. Analistas apontam que, no início da jogada, um jogador são-paulino cometeu uma infração não assinalada, o que deveria ter interrompido o lance antes de culminar no gol. A falta de intervenção do VAR intensificou o debate, reacendendo críticas recorrentes sobre a consistência da arbitragem em jogos decisivos do Paulistão.

Edina Alves Batista, nome experiente no futebol brasileiro e internacional, esteve no centro das atenções. Nascida em Goioerê, no Paraná, ela integra o quadro da FIFA desde 2016 e acumula um currículo impressionante, com participações em dois Mundiais Femininos e na Copa do Mundo do Catar, em 2022. No Brasil, é a árbitra com mais jogos apitados na história do Brasileirão e uma figura frequente no Paulistão. Apesar de seu histórico, a atuação nesta partida reacendeu controvérsias passadas envolvendo o São Paulo, como o erro admitido pela Federação Paulista de Futebol (FPF) em 2021, quando ela não marcou um pênalti claro a favor do Tricolor contra o mesmo Novorizontino. Desta vez, however, a percepção foi inversa, com o time da casa sendo beneficiado.

O jogo ainda reservava mais emoções. Aos 46 minutos do segundo tempo, Ferreira, que havia substituído Oscar, foi derrubado por Patrick Brey na entrada da área. Inicialmente, Edina marcou pênalti, mas, após revisão do VAR, corrigiu a decisão para uma falta fora da área e aplicou cartão vermelho ao lateral-esquerdo do Novorizontino. O lance, ocorrido em um momento crucial, com seis minutos de acréscimos, foi mais um capítulo na noite agitada da arbitragem, que terminou com os visitantes em desvantagem numérica e sem tempo para reagir.

Momentos-chave do confronto no Morumbis

O embate entre São Paulo e Novorizontino foi mais do que apenas uma disputa por uma vaga nas semifinais; foi um teste de estratégias e resistência. O Tricolor, que terminou a primeira fase como líder do Grupo C com 19 pontos, enfrentou um adversário que, mesmo com uma campanha inferior (18 pontos), já havia mostrado sua capacidade de surpreender – como na eliminação do próprio São Paulo nos pênaltis em 2024. Desta vez, porém, a equipe de Zubeldía conseguiu se impor, ainda que com dificuldades para furar a retranca adversária no primeiro tempo. A posse de bola de 66% na etapa final reflete o domínio territorial, mas as chances claras foram escassas até o gol de Calleri.

Já o Novorizontino apostou em uma defesa compacta e em saídas rápidas para assustar. Aos 21 minutos do segundo tempo, César Martins quase empatou ao desviar de cabeça um escanteio cobrado por Matheus Frizzo, mas a bola passou rente ao gol de Rafael. Mais tarde, aos 48 minutos, Alisson carimbou o travessão em uma cobrança de falta, mostrando que o time de Eduardo Baptista não estava disposto a se entregar. Mesmo com a expulsão de Patrick Brey, os visitantes mantiveram a pressão até o apito final, mas a falta de precisão nas finalizações e a desvantagem numérica selaram sua eliminação.

Para os torcedores são-paulinos, a vitória trouxe alívio após um início de temporada irregular, com cinco jogos sem vitórias na fase de grupos. A classificação para as semifinais marca a terceira vez nas últimas cinco edições do Paulistão que o clube chega a essa etapa, mas o desafio agora é superar o Palmeiras, algoz recorrente em mata-matas recentes. Enquanto isso, o Novorizontino deixa o torneio com a cabeça erguida, registrando uma média de 8,7 finalizações por jogo na competição, superior às 6,8 do São Paulo.

Cronograma das próximas etapas do Paulistão

Com o fim das quartas de final, o Campeonato Paulista entra em sua reta decisiva. O São Paulo agora se prepara para enfrentar o Palmeiras em uma das semifinais, enquanto Corinthians e Santos disputam a outra vaga na final. Confira as datas previstas para os próximos jogos:

  • Semifinais: 8 e 9 de março, em partidas únicas, com mando dos times de melhor campanha geral (Corinthians e Palmeiras, com 27 e 23 pontos, respectivamente).
  • Finais: 16 e 27 de março, em dois jogos, ida e volta, com o segundo duelo sendo realizado na casa do clube com mais pontos acumulados ao longo do torneio.

O confronto entre São Paulo e Palmeiras ainda não tem data confirmada, mas a tendência é que ocorra no dia 10, devido a um show marcado no Allianz Parque no sábado, dia 8, e ao jogo do Corinthians no domingo, dia 9. A definição oficial será feita após reunião do Conselho Técnico da FPF.

Repercussão entre torcedores e especialistas

A atuação de Edina Alves não passou despercebida pelos torcedores. Nas redes sociais, a torcida do Novorizontino lamentou o que considerou um erro decisivo no gol de Calleri, enquanto parte dos são-paulinos, apesar da vitória, relembrou episódios passados em que decisões da árbitra prejudicaram o clube. A escolha de Edina para o jogo já havia gerado desconforto antes mesmo da bola rolar, com críticas à FPF por escalá-la em um duelo tão importante, dado seu histórico polêmico com o Tricolor.

Paulo Caravina, do perfil “Sou do Apito”, foi enfático ao classificar o gol como irregular, apontando falhas tanto da arbitragem de campo quanto do VAR. Ele destacou que a falta na origem da jogada era evidente e que a validação do tento comprometeu a imparcialidade do resultado. Outros analistas, porém, ponderaram que, apesar do erro, o São Paulo foi superior na maior parte do jogo e mereceu a classificação, ainda que o placar magro deixe margem para controvérsias.

Entre os jogadores, a irritação também foi visível. Luis Zubeldía recebeu cartão amarelo ao reclamar com Edina no intervalo, enquanto os atletas do Novorizontino, como Patrick Brey, saíram de campo inconformados com a expulsão e a condução do jogo. A arbitragem, mais uma vez, tornou-se protagonista em um mata-mata do Paulistão, reacendendo debates sobre a preparação dos árbitros e o uso da tecnologia no futebol brasileiro.

Números e curiosidades da partida

Alguns dados ajudam a entender o contexto do confronto entre São Paulo e Novorizontino:

  • Posse de bola: São Paulo teve 58% no primeiro tempo e 66% no segundo, contra 42% e 34% do Novorizontino, respectivamente.
  • Finalizações: O Tricolor registrou 10 tentativas, contra 8 do adversário, que acertou o travessão uma vez.
  • Faltas: O Novorizontino cometeu 15 infrações no primeiro tempo e 8 no segundo, enquanto o São Paulo fez 10 e 6, respectivamente.
  • Cartões: Três amarelos para o Novorizontino (Patrick, Robson e Rafael Donato) e um para Zubeldía; um vermelho para Patrick Brey.

O público de 52.315 pagantes foi o maior das quartas de final até o momento, refletindo o peso do jogo e o apoio da torcida são-paulina, que lotou o Morumbis em busca da vaga. A renda de mais de R$ 3,3 milhões também destaca o impacto financeiro do duelo para o clube.

Escalação e desempenho individual em destaque

O São Paulo entrou em campo com Rafael no gol, uma linha defensiva formada por Arboleda, Alan Franco e Ferraresi, além de Cédric e Enzo Diaz nas laterais. No meio, Alisson e Marcos Antônio deram suporte a Oscar, enquanto Lucas Moura e Calleri comandaram o ataque. Substituições como Bobadilla, Ferreira e André Silva trouxeram fôlego novo ao time, com Ferreira sendo decisivo no lance da expulsão de Patrick Brey. Do lado do Novorizontino, a escalação com três zagueiros – César Martins, Rafael Donato e outro defensor – segurou o Tricolor por boa parte do jogo, mas não evitou a derrota.

Calleri, autor do gol, foi o destaque positivo do São Paulo, enquanto Rafael brilhou com defesas cruciais. Pelo Novorizontino, Alisson quase mudou o rumo da partida com sua cobrança de falta no travessão, e César Martins mostrou solidez na defesa até os minutos finais. A combinação de estratégia, talento individual e polêmica arbitral definiu o resultado em uma noite que ficará na memória dos torcedores de ambos os lados.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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