A tarde desta quinta-feira, 6 de março, é de pura expectativa no Rio de Janeiro com a apuração da Série Ouro, a segunda divisão do carnaval carioca, que define a escola campeã rumo ao Grupo Especial de 2026. Realizado no Grand Hyatt Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca, o evento começou às 17h e reúne 36 jurados avaliando os desfiles de 13 escolas, já que Império Serrano, Unidos de Bangu e Unidos da Ponte, afetadas por um incêndio em fevereiro, participaram como hors-concours. Até o momento, com oito dos nove quesitos apurados, a Acadêmicos de Niterói lidera com 239,5 pontos, seguida de perto pela Estácio de Sá, com 239,3. A Tradição e a São Clemente, penalizadas e com notas mais baixas, estão nas últimas posições, correndo risco de rebaixamento para a Série Prata. A transmissão ao vivo pela Band e pelo canal Band Folia no YouTube mantém os sambistas ligados em cada nota anunciada.
A disputa está acirrada, e o quesito bateria, sorteado como primeiro critério de desempate, pode ser decisivo. Seis escolas sofreram punições por infrações como atrasos ou irregularidades no desfile, o que impactou suas pontuações. A apuração, que tradicionalmente ocorria na Quarta-Feira de Cinzas junto ao Grupo Especial, ganhou um dia exclusivo este ano, uma mudança celebrada por dar mais visibilidade às agremiações da Série Ouro.
Com apenas um quesito a ser revelado, a emoção toma conta dos torcedores. A vencedora não apenas conquista o título, mas também o direito de abrir os desfiles do Grupo Especial no próximo carnaval, enquanto as duas últimas colocadas terão de lutar na Intendente Magalhães em 2026. A Porto da Pedra, já agraciada com o Estandarte de Ouro, segue como uma das favoritas, mas a liderança da Acadêmicos de Niterói mantém o suspense até o último envelope.
Desfiles que marcaram a Sapucaí
Os desfiles da Série Ouro, realizados em 28 de fevereiro e 1º de março na Marquês de Sapucaí, foram um espetáculo de energia e tradição. Divididas em duas noites, as 16 escolas participantes – incluindo as três hors-concours – levaram ao Sambódromo enredos ricos e apresentações que emocionaram o público. A Acadêmicos de Niterói, com seu desfile na segunda noite, impressionou com harmonia e evolução, o que se reflete em sua liderança parcial na apuração. A Estácio de Sá, outra forte concorrente, também brilhou na sexta-feira, apostando em um samba-enredo envolvente e uma bateria impecável, que lhe rendeu notas máximas no quesito.
A União da Ilha e a Porto da Pedra igualmente deixaram sua marca, com desfiles que mesclaram criatividade e fidelidade aos enredos propostos. Apesar das adversidades enfrentadas por Império Serrano, Unidos de Bangu e Unidos da Ponte devido ao incêndio que destruiu fantasias e adereços, as três escolas desfilaram com garra, honrando suas comunidades mesmo sem concorrer ao título. Cada agremiação teve entre 45 e 55 minutos para atravessar a Avenida, com no mínimo 900 componentes e duas ou três alegorias, mantendo o padrão de qualidade da Série Ouro.
Punições que mudaram o jogo
Seis escolas enfrentaram penalidades que podem alterar o resultado final da apuração. As infrações variaram desde falhas técnicas até atrasos no tempo de desfile, impactando diretamente as pontuações. O Botafogo Samba Clube perdeu 0,1 ponto por uma falha mecânica em uma alegoria. A Tradição foi penalizada em 0,1 ponto por usar um instrumento com logo de outra agremiação, enquanto a União de Maricá perdeu 0,1 por avançar sem autorização da área de concentração para a armação. A Inocentes de Belford Roxo e a União do Parque Acari também sofreram descontos de 0,1 ponto cada por excederem o tempo máximo de desfile em um minuto. Já a Em Cima da Hora teve a maior punição, 0,2 ponto, por ultrapassar o limite em dois minutos.
Essas penalidades, aplicadas conforme o regulamento da LigaRJ, adicionam um elemento de imprevisibilidade à disputa. A Tradição, por exemplo, já aparece na lanterna com notas baixas, e o desconto pode selar seu rebaixamento. A Em Cima da Hora, apesar de um desfile elogiado, também sente o peso da punição, ficando em 5º lugar com 257,2 pontos até agora. A apuração segue com atenção redobrada dos torcedores, que acompanham cada detalhe na expectativa de reviravoltas.
Como funciona a avaliação dos jurados
O julgamento da Série Ouro é conduzido por 36 jurados, divididos em quatro por cada um dos nove quesitos: harmonia, alegorias e adereços, evolução, comissão de frente, enredo, samba-enredo, fantasias, mestre-sala e porta-bandeira, e bateria. Cada jurado atribui notas de 9 a 10, fracionadas em décimos, e a menor nota de cada quesito é descartada, garantindo que a pontuação final reflita o melhor desempenho da escola. Até o momento, a Acadêmicos de Niterói acumula 239,5 pontos, enquanto a Estácio de Sá segue com 239,3, mostrando a consistência de ambas nas avaliações.
A ordem de leitura dos quesitos foi definida por sorteio na tarde desta quinta-feira, começando por harmonia e terminando com bateria, que também serve como primeiro critério de desempate. No quesito bateria, por exemplo, a Estácio de Sá, União da Ilha, Em Cima da Hora, Vigário Geral, Porto da Pedra, São Clemente e Acadêmicos de Niterói receberam notas máximas (20,0 após descarte), evidenciando a força dos ritmistas dessas agremiações. A Tradição, com apenas 9,8, teve o pior desempenho no mesmo quesito, prejudicada tanto pela punição quanto pela avaliação.
Com a pontuação máxima possível de 270 pontos, a disputa está aberta, e o último quesito, ainda não revelado até 17h09 desta quinta-feira, será crucial. A proximidade entre as líderes reforça a importância dos critérios de desempate, que seguem a ordem inversa da leitura: bateria, mestre-sala e porta-bandeira, fantasias, samba-enredo, enredo, comissão de frente, evolução, alegorias e adereços, e harmonia.
Cronograma da apuração em tempo real
A apuração da Série Ouro começou às 17h desta quinta-feira, 6 de março, e segue em ritmo intenso no Grand Hyatt Rio de Janeiro. Confira os detalhes do evento:
- Data: 6 de março
- Horário: Início às 17h (horário de Brasília)
- Local: Grand Hyatt Rio de Janeiro, Barra da Tijuca
- Transmissão: Band (TV aberta no RJ) e canal Band Folia no YouTube
- Quesitos lidos: Harmonia, alegorias e adereços, evolução, comissão de frente, enredo, samba-enredo, fantasias, mestre-sala e porta-bandeira (bateria pendente)
O processo deve durar cerca de duas horas, dependendo da leitura das notas e de eventuais revisões. Até 17h09, oito quesitos foram apurados, restando apenas bateria para definir a campeã e as rebaixadas.
O impacto do incêndio nas escolas
O incêndio em uma fábrica de fantasias em 12 de fevereiro trouxe um cenário dramático para a Série Ouro. Império Serrano, Unidos de Bangu e Unidos da Ponte perderam materiais essenciais, como fantasias e adereços, em um acidente que deixou um morto e 20 feridos. Apesar da tragédia, as três escolas decidiram desfilar, mas foram classificadas como hors-concours, sem concorrer ao título ou ao rebaixamento. A decisão da LigaRJ garantiu equidade na competição, mas também destacou as dificuldades enfrentadas pelas agremiações da segunda divisão.
A participação simbólica dessas escolas emocionou o público na Sapucaí. O Império Serrano, com sua história de glórias no Grupo Especial, levou à Avenida um desfile de superação. A Unidos de Bangu e a Unidos da Ponte, igualmente resilientes, mantiveram suas comunidades unidas, mesmo sem a pressão da avaliação. O incidente reacendeu debates sobre a segurança e o suporte financeiro às escolas da Série Ouro, que muitas vezes operam com recursos limitados.
Destaques e surpresas na disputa
A liderança da Acadêmicos de Niterói, com 239,5 pontos até o oitavo quesito, é um dos destaques da apuração. A escola, que desfilou no sábado, conquistou os jurados com um enredo coeso e uma apresentação vibrante, mantendo notas altas em quase todos os critérios. A Estácio de Sá, com 239,3 pontos, segue como forte concorrente, beneficiada por sua bateria impecável e um desfile que resgatou sua essência de garra e tradição. A União da Ilha, com 238,9, e a Porto da Pedra, ainda sem pontuação final divulgada, também estão no páreo, reforçando a competitividade da Série Ouro.
Entre as surpresas, a Tradição amarga as últimas posições, com notas baixas agravadas pela punição de 0,1 ponto. A São Clemente, outra tradicional agremiação, também decepciona, aparecendo entre as piores colocadas. A Em Cima da Hora, apesar da penalidade de 0,2 ponto, segura o 5º lugar com 257,2, mostrando resiliência. A apuração revela como pequenos detalhes, como atrasos ou falhas técnicas, podem alterar o destino das escolas na Marquês de Sapucaí.
O que está em jogo na reta final
Com apenas o quesito bateria pendente, o futuro das 13 escolas julgadas será definido em instantes. A vencedora garante o acesso ao Grupo Especial, onde abrirá os desfiles do domingo de carnaval em 2026, uma vitrine cobiçada por todas as agremiações. Em 2024, a Unidos de Padre Miguel alcançou esse feito com 270 pontos, mas foi rebaixada do Grupo Especial neste ano, retornando à Série Ouro em 2026. A história mostra que a transição entre as divisões é desafiadora, exigindo não só talento, mas também estrutura para competir na elite.
As duas últimas colocadas, por outro lado, descem para a Série Prata, na Estrada Intendente Magalhães, onde as condições são mais modestas. A Tradição e a São Clemente, atualmente na lanterna, lutam para evitar esse destino, mas as punições e as notas baixas dificultam uma recuperação. A Série Ouro, que terá 15 escolas em 2026 devido ao rebaixamento de duas e à ascensão de apenas uma da Série Prata, segue como um celeiro de paixões e rivalidades.
Curiosidades da Série Ouro deste ano
A edição atual da Série Ouro trouxe momentos marcantes e peculiaridades que enriquecem a narrativa do carnaval carioca. Veja alguns pontos de destaque:
- Liderança apertada: A diferença de apenas 0,2 ponto entre Acadêmicos de Niterói (239,5) e Estácio de Sá (239,3) é uma das menores já vistas na reta final da apuração.
- Novo dia de apuração: Pela primeira vez, a Série Ouro ganhou um dia exclusivo, na quinta-feira pós-Carnaval, com transmissão nacional pela Band.
- Incêndio histórico: O acidente de fevereiro afetou diretamente três escolas, marcando um dos maiores desafios logísticos da temporada.
- Recorde de notas 10: Sete escolas gabaritaram o quesito bateria, refletindo o alto nível dos ritmistas da segunda divisão.
Esses elementos reforçam a relevância da Série Ouro como um palco de superação, talento e emoção, essencial para a renovação do carnaval do Rio.
