Serasa alerta: saiba como evitar o golpe mais comum que afeta milhões no BrasilPor Thiago Lemos
11 min de leitura
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A escalada de fraudes financeiras no Brasil atingiu níveis alarmantes em 2024, com um levantamento da Serasa apontando que 51% da população já foi vítima de algum tipo de golpe. Esse número, baseado em uma pesquisa com 877 pessoas entre 18 e 65 anos, realizada nas cinco regiões do país, reflete um cenário em que a segurança financeira dos cidadãos está sob constante ameaça. Dos afetados, mais de 54% enfrentaram prejuízos monetários, com perdas que, em alguns casos, ultrapassaram R$ 20 mil. O dado mais preocupante revela que o uso indevido de cartões de crédito se consolidou como o golpe mais frequente, respondendo por 47,9% dos casos registrados. A situação exige atenção redobrada, especialmente em um contexto de crescente digitalização das transações.
Os números divulgados pela Serasa mostram que o problema não é isolado. Além do uso indevido de cartões, outros tipos de fraudes ganharam destaque no último ano. Golpes envolvendo boletos falsos e transferências fraudulentas via Pix aparecem em segundo lugar, com 32,8% das ocorrências, seguidos por ataques de phishing, que utilizam e-mails ou mensagens falsas para roubar dados, representando 21,6% dos casos. A pesquisa, que tem margem de erro de 3,4%, destaca ainda que a vulnerabilidade varia entre faixas etárias, com idosos sendo os mais afetados. Mais de 57% das pessoas acima de 50 anos relataram ter sido alvos de criminosos, um aumento significativo em relação a anos anteriores.
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Diante desse panorama, a necessidade de prevenção se torna evidente. Especialistas apontam que a checagem de fontes oficiais é uma das principais medidas para evitar cair em armadilhas. Comunicados sobre pagamentos urgentes ou promoções imperdíveis, comuns em golpes, devem ser verificados diretamente nos canais legítimos das empresas. O cuidado com compras online também é essencial, já que muitas fraudes de cartões começam em sites não confiáveis. Observar avaliações de outros compradores e garantir a segurança do site antes de fornecer dados pessoais são passos simples, mas eficazes, para reduzir riscos.
Alerta vermelho: o golpe que domina o Brasil
O uso indevido de cartões de crédito não é apenas o golpe mais comum, mas também um dos mais danosos. Em 2024, quase metade das fraudes registradas pela Serasa envolveu essa modalidade, que explora tanto a confiança dos consumidores quanto a popularidade do método de pagamento. Com 84% dos pagamentos no Brasil sendo feitos por cartão, contra 79% em 2023, o aumento no uso coincide com a escalada das tentativas criminosas. Muitas vezes, os golpistas utilizam táticas sofisticadas, como a criação de sites falsos que imitam lojas conhecidas, induzindo as vítimas a fornecer informações sensíveis. O resultado é um prejuízo que pode variar de R$ 100 a milhares de reais, dependendo da rapidez com que o golpe é identificado.
A facilidade de acesso a dados pessoais agrava o problema. Em 2024, 16,3% dos brasileiros relataram ter perdido ou tido documentos roubados, enquanto 19% admitiram ter compartilhado informações pessoais com terceiros, muitas vezes em compras online ou cadastros duvidosos. Esses dados, quando capturados, abrem portas para fraudes mais complexas, como a abertura de contas bancárias falsas ou a solicitação de empréstimos em nome das vítimas. A Serasa estima que, se todas as tentativas de fraude identificadas no ano fossem bem-sucedidas, o prejuízo total poderia alcançar R$ 51,6 bilhões, um valor que reflete a dimensão do desafio enfrentado pelo país.
Vulnerabilidade em alta: quem são as principais vítimas?
Idosos estão entre os grupos mais vulneráveis às fraudes financeiras, conforme apontado no levantamento da Serasa. Em 2024, 57,8% das pessoas com mais de 50 anos foram vítimas de golpes, um índice bem superior aos 40,8% registrados na faixa de 18 a 29 anos e aos 51,9% entre 30 e 49 anos. Essa disparidade pode ser explicada pela menor familiaridade com tecnologias digitais e pela maior suscetibilidade a táticas de engenharia social, como ligações falsas ou mensagens que simulam urgência. A pesquisa revela ainda que, entre os que sofreram perdas financeiras, a maioria enfrentou prejuízos entre R$ 100 e R$ 1 mil, mas casos mais graves não são raros.
A região Sudeste se destaca como a única onde o número de vítimas com perdas financeiras cresceu em relação a 2023, embora todas as regiões do país tenham registrado aumento geral de fraudes. Entre os homens, 52,5% relataram ter sido alvos, enquanto o índice entre mulheres foi ligeiramente menor, de 49,3%. Esses dados mostram que o problema transcende barreiras geográficas e de gênero, mas atinge com mais força aqueles que, por desconhecimento ou descuido, acabam expondo seus dados pessoais. A conscientização, portanto, é uma ferramenta essencial para reverter esse cenário.
Como os golpistas agem: táticas mais usadas
Os criminosos por trás das fraudes financeiras no Brasil utilizam uma variedade de métodos para enganar suas vítimas. O uso indevido de cartões de crédito, por exemplo, muitas vezes começa com phishing, em que e-mails ou mensagens fraudulentas imitam comunicações oficiais de bancos ou lojas. Essas mensagens frequentemente pedem a atualização de dados ou oferecem promoções irresistíveis, levando o usuário a clicar em links maliciosos. Outra tática comum é o golpe do Pix reverso, onde golpistas fazem um depósito na conta da vítima e, alegando erro, pedem a devolução do valor, enquanto tentam reaver o dinheiro por outros meios, gerando prejuízo duplo.
- Sites falsos: Páginas que imitam lojas confiáveis capturam dados de cartões ao simular compras legítimas.
- Falso motoboy: Criminosos convencem a vítima a entregar o cartão a um suposto entregador após contato telefônico.
- Boletos adulterados: Documentos falsificados são enviados como se fossem de empresas reais, induzindo ao pagamento.
- Acesso remoto: Golpistas instalam malwares em dispositivos das vítimas, obtendo senhas e informações bancárias.
Essas estratégias exploram a confiança e a falta de atenção dos consumidores, especialmente em momentos de distração ou pressa. A sofisticação dos golpes, muitas vezes apoiada por inteligência artificial para criar perfis falsos ou mensagens convincentes, torna a identificação ainda mais desafiadora.
Tecnologia: aliada ou vilã na luta contra fraudes?
A tecnologia desempenha um papel ambíguo no cenário das fraudes financeiras. Por um lado, soluções como a biometria facial ganharam terreno em 2024, passando de 59% para 67% de adesão como método de autenticação. Cerca de 71,8% dos entrevistados pela Serasa afirmam se sentir mais seguros ao utilizá-la, o que indica um avanço na proteção de transações. Por outro, os criminosos também se beneficiam de ferramentas avançadas. A inteligência artificial generativa, por exemplo, tem sido usada para criar deepfakes e perfis sintéticos que burlam verificações de identidade, enquanto ataques de phishing se tornam mais realistas e difíceis de detectar.
Empresas e consumidores enfrentam, assim, um dilema. Enquanto 76% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por marcas que ofereçam segurança online, um aumento em relação aos 62% de 2023, a confiança em alguns métodos de pagamento caiu. O Pix, por exemplo, perdeu espaço, com sua percepção de segurança caindo de 32% para 22%, mesmo sendo um sistema prático e amplamente adotado. Já os cartões de crédito, apesar de serem alvos frequentes de fraudes, mantêm a preferência, com 49% dos consumidores considerando as empresas do setor eficazes na proteção contra golpes, ante 41% no ano anterior.
Medidas práticas para se proteger das fraudes
Proteger-se contra golpes financeiros exige ações concretas e vigilância constante. A Serasa e especialistas recomendam que os cidadãos adotem hábitos simples, mas eficazes, para minimizar riscos. Verificar a autenticidade de sites antes de realizar compras online é um passo fundamental, assim como evitar clicar em links recebidos por mensagens ou e-mails suspeitos. Além disso, a troca regular de senhas e o uso de autenticação em duas etapas em aplicativos bancários podem dificultar o acesso de criminosos a contas pessoais.
- Checar fontes oficiais antes de fazer pagamentos solicitados por telefone ou mensagem.
- Observar avaliações de outros compradores em sites de compras online.
- Cadastrar alertas na Serasa em caso de perda ou roubo de documentos.
- Evitar compartilhar dados pessoais em cadastros não confiáveis ou redes sociais.
Essas medidas, embora básicas, têm o potencial de reduzir significativamente a exposição a fraudes, especialmente em um cenário onde a cada segundo cerca de 2,8 tentativas de golpe ocorrem no país, conforme o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian.
Calendário de prevenção: datas-chave para ficar atento
O aumento das fraudes financeiras está ligado a períodos específicos do ano, quando os criminosos intensificam suas ações. Datas comerciais, como a Black Friday, e momentos de maior circulação de dinheiro, como o pagamento do 13º salário, são alvos frequentes. Confira um cronograma anual com base em padrões observados:
- Março a maio: Período de entrega do Imposto de Renda, com alta em golpes de phishing fingindo ser da Receita Federal.
- Novembro: Black Friday eleva fraudes em compras online, com sites falsos e descontos enganosos.
- Dezembro: Pagamento do 13º salário aumenta tentativas de golpes via Pix e boletos falsos.
Ficar atento nesses meses pode fazer a diferença entre evitar ou cair em uma armadilha. A preparação antecipada, como a consulta regular do CPF em serviços como o Registrato do Banco Central, também ajuda a identificar movimentações suspeitas antes que o prejuízo se concretize.
Impacto econômico: o custo das fraudes no Brasil
As fraudes financeiras não afetam apenas os indivíduos, mas também a economia como um todo. Em 2024, o volume de tentativas de golpe cresceu 17% em relação ao ano anterior, totalizando mais de 11,5 milhões de ocorrências, segundo a Serasa. Isso equivale a uma média de 2,8 golpes por segundo, um ritmo que desafia as instituições financeiras e os sistemas de segurança. Se todas essas tentativas tivessem sido bem-sucedidas, o prejuízo estimado seria de R$ 51,6 bilhões, valor que supera o orçamento de muitos programas sociais no país.
A maior parte das perdas recai sobre os consumidores, mas as empresas também arcam com custos elevados. Bancos e operadoras de cartões registraram um aumento de 10,4% nos golpes evitados em 2024, o que representa 53,4% das fraudes detectadas. Esse esforço, embora positivo, não elimina o impacto sobre a confiança do consumidor, que muitas vezes reduz o uso de serviços digitais após ser vítima. A busca por soluções mais robustas, como a combinação de tecnologias de autenticação, é vista como um caminho para mitigar esses danos.
Educação digital: o papel da conscientização
Ensinar a população a reconhecer e evitar golpes é uma das estratégias mais eficazes contra as fraudes. Em 2024, iniciativas como a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias e Digitais, lançada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com a Febraban, começaram a ganhar força. O programa visa tanto prevenir quanto reprimir crimes online, mas depende da participação ativa dos cidadãos. A educação digital, nesse contexto, torna-se uma barreira essencial contra a ação dos criminosos, que exploram o desconhecimento para aplicar suas táticas.
A pesquisa da Serasa mostra que 73,7% dos brasileiros compartilharam dados pessoais em compras online, 20,4% ao abrir contas bancárias e 15,2% para obter empréstimos. Esses hábitos, muitas vezes feitos sem critério, alimentam o ciclo de fraudes. Campanhas de conscientização, aliadas ao uso de ferramentas como alertas gratuitos da Serasa em caso de roubo de documentos, podem mudar esse comportamento. A proteção, portanto, começa com a informação e a cautela no dia a dia.















