Vitor Fadul revela impacto do autismo na vida e na luta contra compulsão alimentar com 17 kg a menosPor Beatriz
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O cantor Vitor Fadul, de 29 anos, abriu o coração em uma entrevista emocionante no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em 2021, aos 25 anos, ele compartilhou como a descoberta tardia trouxe luz a desafios que enfrentou por toda a vida, desde a relação com a sociedade até a batalha contra a compulsão alimentar por doces. Com um tratamento de dois anos, Vitor perdeu 17 kg e transformou sua rotina, eliminando o açúcar e adotando uma reeducação alimentar que mudou não só seu corpo, mas sua perspectiva sobre si mesmo. Casado há seis anos com o historiador Leandro Karnal, de 61 anos, ele também destacou como o diagnóstico fortaleceu o relacionamento e sua carreira na música pop.
A trajetória de Vitor reflete uma luta silenciosa que muitos enfrentam antes de entenderem o que os diferencia. Ele descreveu como, por anos, tentou se adequar às expectativas sociais e pessoais sem sucesso, sentindo-se como uma “lagarta” enquanto via os outros “virarem borboletas”. O diagnóstico, segundo ele, foi um divisor de águas, oferecendo um “norte” para lidar com crises como o burnout autístico que enfrentou recentemente. Além disso, a compulsão por doces, um hábito que o acompanhava desde a infância, foi superada com disciplina e foco na saúde, especialmente agora que se aproxima dos 30 anos e busca evitar problemas físicos futuros.
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Vitor não está sozinho nessa jornada. Dados apontam que cerca de 2 milhões de brasileiros vivem com TEA, e muitos, como ele, recebem o diagnóstico já na idade adulta. A relação entre autismo e transtornos alimentares, como a compulsão, também é estudada, mostrando que comportamentos restritivos ou excessivos com comida podem ser mais comuns em pessoas no espectro. Sua história, portanto, vai além do pessoal e toca em questões de saúde mental, aceitação e resiliência.
O peso do diagnóstico tardio
Receber um diagnóstico de autismo aos 25 anos mudou tudo para Vitor Fadul. Antes disso, ele viveu anos tentando entender por que se sentia diferente, incapaz de acompanhar o ritmo dos outros ou de atingir as metas que a sociedade impunha. “Consegui ter um norte para lidar com todas essas questões que, a maior parte da minha vida, estiveram no escuro”, revelou o cantor. A clareza trouxe alívio, mas também a certeza de que, sem esse entendimento, sua trajetória poderia ter sido bem mais difícil. “Se não tivesse essa clareza, hoje não estaria aqui”, confessou, em um depoimento que evidencia o impacto emocional de viver sem respostas.
A descoberta veio em 2021, após anos de altos e baixos. Ele descreveu como o diagnóstico o ajudou a ter mais paciência consigo mesmo, algo essencial para enfrentar crises como o burnout autístico que o atingiu dias antes da entrevista. Esse estado de esgotamento, comum entre pessoas no espectro, ocorre quando a sobrecarga sensorial ou emocional se torna insuportável. Para Vitor, saber o que estava acontecendo foi o que o salvou de se perder na frustração de não se encaixar.
Esse cenário não é raro. No Brasil, o diagnóstico tardio de autismo é uma realidade para muitos, já que a identificação na infância ainda enfrenta barreiras como falta de acesso a especialistas e desconhecimento dos sinais. Estudos mostram que adultos com TEA frequentemente relatam alívio ao finalmente entenderem suas particularidades, mas também carregam o peso de anos de adaptação forçada.
Uma batalha contra a compulsão
Vitor Fadul enfrentou outra luta significativa: a compulsão alimentar por doces, que o acompanhava desde criança. “A compulsão é algo antigo em mim, acho que minha vida inteira”, contou ele, lembrando os ciclos de emagrecer e engordar com dietas mal planejadas. Há dois anos, ele decidiu mudar de vez, embarcando em um processo de reeducação alimentar que resultou na perda de 17 kg. O foco, no entanto, não está apenas no peso. Trabalhando a massa muscular com atividades físicas, ele evita se pesar constantemente para não alimentar a ansiedade.
Eliminar o açúcar foi o maior desafio. “Tinha vício no açúcar, me disparava a compulsão”, admitiu. A decisão de cortá-lo definitivamente veio com a percepção de que, aos 30 anos, precisava cuidar do corpo para evitar problemas como dores nos joelhos ou perda de colágeno. O processo não foi fácil, mas a persistência deu resultado. “Foi difícil até a hora que parei de pensar nisso”, explicou, destacando que a mudança de padrão foi o que garantiu o sucesso.
A relação entre autismo e transtornos alimentares, como a compulsão, é um tema em alta na ciência. Pesquisas indicam que até 30% das pessoas com TEA podem apresentar comportamentos atípicos com comida, desde restrições severas até excessos como os que Vitor enfrentou. Para ele, vencer esse hábito foi mais do que uma questão estética — foi um passo rumo ao autocontrole e à saúde.
Prioridades na reeducação alimentar
O caminho de Vitor para superar a compulsão envolveu escolhas práticas e estratégicas. Confira os principais pilares dessa transformação:
- Corte total do açúcar: Ele identificou o açúcar como gatilho da compulsão e o eliminou da dieta.
- Foco na saúde a longo prazo: Preocupado com os impactos do envelhecimento, priorizou a prevenção de problemas físicos.
- Atividade física regular: Combinou a alimentação com exercícios para ganhar massa muscular, sem obsessão pela balança.
- Acompanhamento profissional: Só se pesa com o nutricionista, evitando ansiedade desnecessária.
Essas medidas mostram como a reeducação alimentar vai além da perda de peso. Para Vitor, trata-se de um estilo de vida sustentável, que ele acredita ter adotado em definitivo.
Autismo e a vida a dois
Casado há seis anos com Leandro Karnal, Vitor encontrou no relacionamento um porto seguro que se fortaleceu após o diagnóstico. O historiador, 33 anos mais velho, trouxe sabedoria e paciência à relação, enquanto Vitor aprendeu a valorizar as diferenças que os complementam. “Ele é um intelectual e eu um cantor pop”, brincou, destacando como os dois têm vidas independentes, mas harmoniosas.
A descoberta do autismo trouxe mais compreensão mútua. “Tem ficado cada vez mais tranquilo da perspectiva da compreensão um do outro”, disse Vitor. Os atritos, quando acontecem, são normais e resolvidos com respeito. Para ele, o segredo está em aceitar que o outro não é uma extensão de si mesmo. “Compreender isso faz com que uma relação de 33 anos de diferença seja possível”, afirmou.
A relação começou em 2017, e desde então os dois construíram uma parceria baseada em afinidades e respeito pelas individualidades. Leandro, conhecido por suas palestras e livros, nunca tentou mudar o jeito de Vitor, enquanto o cantor valoriza a autenticidade do marido. Essa dinâmica mostra como o diagnóstico não só ajudou Vitor a se entender, mas também a fortalecer laços importantes.
Criatividade e desafios na música
Na carreira, Vitor Fadul vive um momento de intensa produtividade. Como cantor pop, ele descreve sua criatividade como um “turbilhão” que exige organização. “Sou bastante sistemático, tenho meus blocos de nota, organizo todo o fluxo de criação”, contou. Além de artista, ele também atua como seu próprio empresário, o que aumenta a responsabilidade sobre cada etapa do trabalho.
O autismo, nesse contexto, traz vantagens e desafios. A fertilidade criativa é um ponto forte, mas gerenciar tudo sozinho pode ser “muito louco”. Ele grava ideias constantemente e escolhe os melhores momentos para desenvolvê-las, equilibrando a espontaneidade artística com a necessidade de estrutura. “Queria só cantar, tenho ajuda”, admitiu, reconhecendo que a multitarefa é parte de sua realidade.
A música, para ele, é também uma forma de expressão pessoal. O diagnóstico o ajudou a entender como processar emoções e transformá-las em arte, algo que ressoa com seus fãs nas redes sociais, onde ele compartilha tanto os sucessos quanto as lutas.
Navegando a sociedade com TEA
Interagir com o mundo nem sempre é simples para Vitor. Apesar do apoio de amigos e fãs, ele destaca que o caminho para se fazer entender é solitário. “Esse caminho para o conhecimento é mais solitário”, refletiu, explicando que mesmo com o diagnóstico conhecido, precisa oferecer um “manual de instruções” às pessoas. Um exemplo é o tempo extra que precisa para processar informações, algo que pode ser mal interpretado se não explicado.
Para se cuidar, ele mantém uma rotina equilibrada. Faz meditação transcendental duas vezes ao dia, pratica exercícios físicos e segue uma dieta balanceada. “O autismo não é uma deficiência, é um transtorno”, frisou, enfatizando que não há medicação fixa, mas sim estratégias personalizadas que o ajudam a evitar gatilhos.
Essa relação com a sociedade reflete um desafio comum entre autistas: a necessidade de adaptação constante. Dados mostram que cerca de 70% das crianças com TEA apresentam comportamentos alimentares atípicos, e na idade adulta, como no caso de Vitor, isso pode se manifestar em compulsões ou outras questões que exigem autogerenciamento.
Estratégias para o dia a dia
Viver com autismo exige cuidados específicos, e Vitor desenvolveu métodos para manter o equilíbrio. Veja como ele organiza sua rotina:
- Meditação transcendental: Praticada manhã e tarde para reduzir o estresse.
- Exercício físico: Ajuda a canalizar energia e manter a saúde mental e corporal.
- Dieta equilibrada: Evita alimentos que possam desencadear crises ou compulsões.
- Comunicação clara: Explica suas necessidades às pessoas para evitar mal-entendidos.
Essas práticas são um reflexo de como ele transformou o diagnóstico em uma ferramenta de autocuidado e crescimento.
A transformação física e emocional
A perda de 17 kg não foi apenas uma mudança física para Vitor — foi um marco emocional. Ele deixou de ver o peso como uma obsessão e passou a priorizar a saúde a longo prazo. “Não fico obcecado com o peso porque estou trabalhando massa muscular”, disse, destacando que só se pesa no nutricionista. Essa abordagem mostra uma maturidade conquistada com o tempo e o tratamento.
A compulsão por doces, que antes o dominava, agora é passado. “Não tenho mais medo que a compulsão volte”, afirmou, confiante de que a mudança foi definitiva. O processo, que levou dois anos, envolveu não só dieta, mas uma reconfiguração de hábitos e pensamentos, algo que o diagnóstico de autismo ajudou a sustentar.
Para especialistas, a conexão entre autismo e compulsão alimentar pode estar ligada a questões sensoriais ou à busca por conforto em rotinas. No caso de Vitor, superar isso significou encontrar novas formas de lidar com suas emoções, um passo que ele celebra como parte de sua evolução.
Autismo no Brasil: números e realidade
O Transtorno do Espectro Autista afeta cerca de 1% da população mundial, o que equivale a 2 milhões de pessoas no Brasil. A data de 2 de abril, instituída pela ONU em 2007, busca ampliar a conscientização sobre o tema. No país, o diagnóstico tardio ainda é comum, especialmente entre adultos que, como Vitor, passaram anos sem entender suas particularidades.
A relação com transtornos alimentares também é significativa. Estudos apontam que até 20% dos adultos com TEA podem ter algum tipo de comportamento alimentar atípico, seja restrição ou compulsão. Para Vitor, essa realidade ganhou forma na luta contra o açúcar, mas sua vitória inspira outros a buscarem ajuda e compreensão.
Eventos como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforçam a importância de falar sobre o tema. Em 2025, a data coincide com um crescente movimento de visibilidade, com figuras públicas como Vitor usando suas plataformas para educar e desmistificar o TEA.
Datas marcantes do autismo e saúde
O calendário anual traz momentos-chave para reflexão sobre autismo e bem-estar. Confira algumas datas relevantes:
- 2 de abril: Dia Mundial de Conscientização do Autismo
- 7 de abril: Dia Mundial da Saúde
- 10 de outubro: Dia Mundial da Saúde Mental
- 27 de novembro: Dia Nacional de Combate ao Preconceito contra Pessoas com TEA
Esses marcos ajudam a manter o diálogo vivo, algo que Vitor faz ao compartilhar sua história com autenticidade e coragem.















