Renato Cariani teria sido favorecido por policial civil André Dziuba, aponta MP em alegações finaisPor Jeronimo Santos
3 min de leitura
![]() |
O influenciador Renato Cariani teria sido favorecido pelo policial civil André Dziuba durante investigação sobre desvio de produtos químicos, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). O pedido de condenação consta das alegações finais protocoladas em 21 de outubro de 2026 e foi divulgado em 30 de outubro. Cariani responde ao processo em liberdade e pode pegar pena de até 51 anos de prisão, caso seja condenado.
Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), mensagens extraídas do celular de Cariani mostram uma relação próxima com Dziuba, policial civil ligado à fiscalização de produtos químicos usados no refino de drogas. Para o MP, essa proximidade ajudou a reduzir o alcance de um inquérito que envolvia operações comerciais da empresa do influenciador, a Anidrol Produtos para Laboratórios, de Diadema, na Grande São Paulo. O Ministério Público afirma ainda que a defesa usou o arquivamento de um procedimento anterior a favor de Cariani, sem que o promotor responsável por ele conhecesse as mensagens posteriores.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Quais mensagens o MP usou para ligar Cariani ao policial civil?
Os promotores citam uma conversa em que o policial informou que o caso havia acabado, e Cariani respondeu com um convite para tomar uma bebida juntos. Em 11 de abril de 2019, ao ser consultado pelo policial sobre o controle de uma substância, Cariani teria respondido que ela aumentava o rendimento da cocaína, segundo o Gaeco. Para o MP, Dziuba também teria repassado informações sobre diligências e discutido procedimentos investigativos com o empresário.
Promotoria pede condenação de três réus e absolvição de duas
- Condenação: Renato Pessoa Cariani, Fábio Spinola Mota (intermediário) e Rodrigo Gomes Pereira (funcionário de Fábio).
- Crimes pedidos para os três: associação para o tráfico, tráfico equiparado (59 vezes) e lavagem de dinheiro (59 vezes).
- Absolvição: Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira, por falta de provas suficientes, segundo os promotores.
Segundo a denúncia, a Anidrol teria simulado ao menos 59 vendas fictícias para justificar desvios de produtos. O Gaeco aponta que Fábio Spinola Mota criou um e-mail falso em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca, com quem a empresa teria negociado a compra dos produtos.
Defesa nega envolvimento e diz que o pedido era esperado
O advogado Aldo Romani Netto afirmou, em nota, que recebeu o pedido com naturalidade e que a defesa vai responder a cada tese do Ministério Público. Cariani afirma que a empresa foi vítima de fraudes praticadas por terceiros entre 2016 e 2020. Até a publicação, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo não havia se manifestado sobre o policial André Dziuba.
O processo tramita na Justiça de São Paulo desde fevereiro de 2024, quando o TJ-SP tornou Cariani réu por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico. Agora o juiz analisa as alegações finais de acusação e defesa antes de decidir.















