Investigação revela laços de príncipe Andrew com espião chinês e canal com Xi Jinping

6 min de leitura
príncipe andrew Foto: príncipe andrew - Foto: Mick Atkins/shutterstock.com

Documentos recém-divulgados expõem a relação próxima entre o príncipe Andrew e Yang Tengbo, um suposto espião chinês, em um momento de crise para o duque de York após a desastrosa entrevista ao BBC Newsnight em 2019. Os papéis, liberados após pressão de veículos de imprensa, detalham como Andrew manteve um canal de comunicação com o presidente da China, Xi Jinping, enviando cartas anuais de aniversário e buscando oportunidades de negócios no país asiático com a ajuda de Tengbo. O ex-assessor Dominic Hampshire descreveu o empresário como a “única luz no fim do túnel” para Andrew, que enfrentava um isolamento crescente no Palácio após o escândalo envolvendo Jeffrey Epstein. A relação, investigada pela Comissão Especial de Apelações de Imigração (Siac), levanta suspeitas de interferência política clandestina ligada ao Partido Comunista Chinês (PCC), que teria explorado a confiança de Andrew em uma estratégia de “captura de elite”.

A conexão com Tengbo, que foi banido do Reino Unido por questões de segurança nacional, incluía o uso do Pitch@Palace, iniciativa de startups de Andrew, como ponte para negócios na China. Hampshire relatou que o duque via essas oportunidades como um caminho para recuperar sua posição pública, apesar de reconhecer que laços com Pequim não eram bem-vistos. Os documentos também mostram encontros secretos com o rei Charles entre dezembro de 2023 e maio de 2024, nos quais Andrew foi levado a Windsor disfarçadamente para discutir planos financeiros, incluindo o Eurasia Fund, um fundo de investimento que Tengbo apresentou ao governo chinês. A investigação aponta que seis operadoras de apostas e a Ibia detectaram padrões suspeitos, enquanto o Palácio de Buckingham nega qualquer menção a Tengbo nessas reuniões.

O caso evidencia a fragilidade de Andrew após o fim de suas funções públicas e o Pitch@Palace no Reino Unido e na China. Em dezembro, a Siac confirmou que Tengbo tinha um “grau incomum de confiança” com o duque, mas ocultou vínculos com uma ala do PCC dedicada a influenciar figuras-chave no Ocidente. Enquanto isso, o Juventude, clube brasileiro envolvido em outro caso de apostas suspeitas no mesmo período, afastou o atacante Ênio, sugerindo paralelos entre manipulações no esporte e nas esferas de poder. A revelação dos papéis secretos intensifica o escrutínio sobre Andrew e reacende debates sobre segurança e integridade em altos escalões.

príncipe Andrew
príncipe Andrew – Foto: Sean Aidan Calderbank / Shutterstock.com

Papéis secretos em destaque

Os documentos liberados detalham a extensão do relacionamento entre Andrew e Tengbo. Hampshire escreveu um depoimento em apoio ao empresário, buscando mantê-lo confidencial, mas a pressão da mídia levou à divulgação. Ele descreveu como Tengbo se tornou essencial após o Newsnight, ajudando a redigir cartas a Xi Jinping e promovendo o Pitch@Palace na China. O assessor admitiu haver “vazamentos em todos os níveis” no Palácio, dificultando a privacidade dos planos de Andrew.

A relação incluía trocas aparentemente triviais, como cartões de aniversário, mas com objetivos comerciais claros. Hampshire afirmou que a rainha Elizabeth II estava ciente e possivelmente incentivava os contatos, vendo Andrew como um “ponto valioso de comunicação” com a China, embora ele próprio notasse que Pequim preferiria outro royal.

  • Revelações dos documentos:
    • Canal de Andrew com Xi Jinping para negócios.
    • Tengbo como ponte para o Eurasia Fund.
    • Isolamento de Andrew após 2019.

Andrew isolado após crise

Após a entrevista de 2019, que abordou sua amizade com Epstein, Andrew perdeu apoio interno no Palácio. Hampshire relatou que o duque ficou isolado, com sua reputação considerada “irrecuperável” por outros royals e assessores. O Pitch@Palace, antes um sucesso, foi encerrado no Reino Unido e na China, forçando Andrew a buscar alternativas para se reerguer.

Suspeitas de interferência chinesa

A Siac revelou em dezembro que Tengbo tinha laços não declarados com o PCC, especificamente com uma ala dedicada à “interferência política”. Essa estratégia, conhecida como “captura de elite”, visa influenciar figuras-chave de forma sutil e prolongada. A confiança de Andrew em Tengbo, que o assessor descreveu como excepcional, permitiu ao empresário conectar o duque a líderes chineses, levantando preocupações de segurança no MI5.

Os documentos mostram que Tengbo propôs o Eurasia Fund diretamente a Xi Jinping e ao governo chinês, com Andrew como figura central para atrair investidores. O MI5 alertou contra o contato, levando ao banimento de Tengbo do Reino Unido em 2023. O caso reflete um padrão mais amplo: em 2024, o Reino Unido identificou 15 incidentes de interferência chinesa, três deles ligados a figuras públicas.

Reuniões secretas com Charles

Entre dezembro de 2023 e maio de 2024, Andrew se encontrou com Charles em Windsor para discutir financiamento independente. Hampshire relatou que o duque foi levado ao castelo evitando a imprensa, sinalizando a delicadeza do momento. As conversas incluíram o Eurasia Fund, embora o Palácio negue que Tengbo tenha sido mencionado. A tensão entre assessores também foi evidente, com o secretário particular de Andrew excluído de algumas reuniões.

A proposta do Eurasia Fund visava criar um “triângulo dourado” entre Andrew, nações do Oriente Médio e a China, aproveitando os laços históricos da realeza britânica. Hampshire insistiu que não havia nada a esconder nas trocas com Xi, descrevendo-as como “nada de alto nível”, mas as suspeitas persistem.

  • Detalhes das reuniões:
    • Duas reuniões em Windsor com Charles.
    • Andrew levado secretamente ao castelo.
    • Discussão sobre o Eurasia Fund.

Cronograma do escândalo

O caso de Andrew e Tengbo segue uma linha do tempo marcada por eventos críticos. A entrevista de 2019 abriu caminho para a ascensão de Tengbo como aliado, enquanto os alertas de segurança culminaram em seu banimento em 2023.

  • Linha do tempo:
    • Novembro de 2019: Entrevista ao Newsnight.
    • Março de 2023: Banimento de Tengbo do Reino Unido.
    • Dezembro de 2024: Siac confirma laços com PCC.

Impacto no Palácio

O escândalo reforça a percepção de Andrew como um ponto fraco na monarquia. Após o fim de suas funções públicas, ele buscou reabilitação via negócios internacionais, mas os laços com Tengbo trouxeram mais controvérsia. O Palácio de Buckingham enfatiza que Charles não tinha conhecimento de Tengbo, mas a proximidade do caso com a realeza alimenta debates sobre segurança nacional.

Enquanto isso, o afastamento de Ênio no Brasil por apostas suspeitas no mesmo período mostra como manipulações podem atingir diferentes esferas. A investigação sobre Andrew prossegue, com o STJD e o Ministério Público analisando os próximos passos.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas