A partir de 24 de abril, milhões de aposentados, pensionistas e segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a receber a primeira parcela do 13º salário, uma antecipação que promete movimentar a economia brasileira com a injeção de R$ 73,3 bilhões até junho. A medida, autorizada por decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, beneficia cerca de 34,2 milhões de pessoas e segue um calendário escalonado, baseado no número final do benefício. Diferente do padrão tradicional, que concentrava os pagamentos no segundo semestre, essa estratégia de adiantamento tem sido adotada desde 2020 e se consolida como um mecanismo para estimular o consumo e aliviar as finanças de quem depende desses recursos.
Em um contexto de desafios econômicos, a liberação antecipada chega como um reforço para famílias que enfrentam despesas essenciais, como alimentação, medicamentos e contas básicas. O pagamento será dividido em duas parcelas: a primeira, sem descontos, inicia em abril, enquanto a segunda, que pode incluir dedução de Imposto de Renda para alguns beneficiários, ocorre entre maio e junho. Para quem recebe até um salário mínimo, fixado em R$ 1.518, os depósitos começam antes, priorizando os grupos mais vulneráveis. Já os valores acima desse patamar seguem um cronograma próprio, garantindo organização na distribuição dos recursos.
A decisão reflete a relevância do INSS como um dos maiores programas de transferência de renda do país. Historicamente, os benefícios previdenciários sustentam a economia de milhares de cidades, especialmente em regiões onde outras fontes de receita são escassas. Com o ajuste do salário mínimo previsto para R$ 1.502 na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o impacto dos pagamentos em 2025 deve ser ainda maior, ampliando o poder de compra de milhões de brasileiros.
Como funciona o pagamento do 13º do INSS
O sistema de pagamento do 13º salário segue regras claras e bem definidas. A primeira parcela, equivalente a 50% do valor do benefício, é depositada sem retenções de Imposto de Renda, oferecendo um alívio financeiro imediato. Já a segunda parcela, liberada cerca de um mês depois, pode ter o tributo descontado, dependendo da renda do segurado. Esse modelo, adaptado das normas aplicadas aos trabalhadores formais, assegura que os beneficiários tenham acesso aos recursos de forma prática e previsível, integrados aos depósitos mensais habituais.
Para novos segurados, que começaram a receber o benefício em 2025, o cálculo do 13º é proporcional ao tempo de vigência. Um aposentado com benefício ativo desde agosto, por exemplo, terá direito a cinco meses do abono, ou seja, cerca de 41,6% do valor total. Essa proporcionalidade também vale para casos em que o pagamento é interrompido antes do fim do ano, garantindo justiça na distribuição. Em 2024, mais de 40 milhões de benefícios foram pagos mensalmente pelo INSS, mas apenas os de longa duração, como aposentadorias e pensões, incluem o adicional.
A logística do calendário considera o número final do cartão de benefício, sem o dígito verificador, para evitar sobrecarga nos bancos. Quem recebe até um salário mínimo tem prioridade, com depósitos da primeira parcela entre 24 de abril e 8 de maio, enquanto os valores acima desse limite começam em 2 de maio. A segunda etapa segue o mesmo padrão, iniciando em 26 de maio para o piso nacional e em 2 de junho para os demais, uma estrutura que facilita o acesso organizado aos recursos.
Datas detalhadas para os depósitos
O cronograma do 13º do INSS é essencial para quem depende desses valores. Para beneficiários de até um salário mínimo, a primeira parcela obedece à seguinte sequência: final 1 no dia 24 de abril, final 2 em 25 de abril, final 3 em 28 de abril, final 4 em 29 de abril, final 5 em 30 de abril, final 6 em 2 de maio, final 7 em 5 de maio, final 8 em 6 de maio, final 9 em 7 de maio e final 0 em 8 de maio. Já a segunda parcela começa em 26 de maio para o final 1 e termina em 6 de junho para o final 0, mantendo a mesma ordem.
Para quem recebe acima do piso, os pagamentos são agrupados em pares de finais. A primeira parcela inicia em 2 de maio para os finais 1 e 6, seguida por 5 de maio (finais 2 e 7), 6 de maio (finais 3 e 8), 7 de maio (finais 4 e 9) e 8 de maio (finais 5 e 0). A segunda parcela segue o mesmo agrupamento, começando em 2 de junho e encerrando em 6 de junho. Essas datas foram planejadas para coincidir com os depósitos mensais, simplificando o processo para os segurados.
Vale destacar que feriados nacionais ou regionais podem ajustar o calendário, mas os bancos geralmente antecipam os pagamentos em casos como esse. Em 2024, por exemplo, o Carnaval alterou o cronograma de fevereiro, com depósitos concentrados antes ou depois das festividades. Para 2025, os beneficiários devem ficar atentos a possíveis mudanças em maio, devido ao feriado de Corpus Christi, que pode influenciar a liberação da segunda parcela.
Benefícios econômicos da antecipação
A injeção de R$ 73,3 bilhões na economia entre abril e junho deve impulsionar diversos setores, especialmente o comércio varejista. Pequenos negócios, como farmácias, supermercados e padarias, tendem a registrar aumento nas vendas, já que muitos segurados direcionam os recursos para itens básicos. Em cidades menores, onde os benefícios do INSS frequentemente superam a arrecadação local, o impacto é ainda mais significativo, funcionando como um motor para a economia regional.
Dados de anos anteriores reforçam essa tendência. Em 2024, os pagamentos previdenciários movimentaram R$ 9,1 bilhões em apenas um mês, com uma média de R$ 1.782,97 por benefício. Com o reajuste do salário mínimo e o aumento do número de beneficiários, a expectativa é que esses números cresçam em 2025. Cerca de 70% dos municípios brasileiros dependem diretamente desses recursos, o que torna a antecipação uma ferramenta estratégica para reduzir desigualdades e estimular o consumo interno.
Outro efeito positivo está na redução da pressão financeira no início do ano. Após gastos com impostos, como IPTU e IPVA, e despesas escolares, o 13º antecipado oferece fôlego para reorganizar as contas. Para o governo, a medida não exige recursos extras, já que o abono já está previsto no orçamento anual, mas sua redistribuição para o primeiro semestre potencializa os benefícios econômicos e sociais.
Quem pode receber o 13º salário
Nem todos os segurados do INSS têm direito ao 13º. O benefício é exclusivo para quem recebe aposentadorias, pensões por morte, auxílios por incapacidade temporária, auxílio-acidente ou auxílio-reclusão, todos considerados de longa duração. Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, não inclui o abono, pois segue uma lógica assistencial distinta da Previdência Social.
Dos 34,2 milhões de beneficiários contemplados, cerca de 28,68 milhões recebem até um salário mínimo, representando 70,5% do total. Esses segurados formam a base da pirâmide social atendida pelo INSS, o que reforça o impacto da antecipação nas camadas mais vulneráveis. Os demais, que ganham acima do piso até o teto previdenciário, também são incluídos, mas com um cronograma ajustado para evitar congestionamentos nos pagamentos.
Casos especiais, como benefícios concedidos ou encerrados durante o ano, seguem a regra da proporcionalidade. Uma pensão iniciada em abril, por exemplo, terá o 13º calculado sobre nove meses, enquanto um auxílio temporário ativo por apenas três meses receberá 25% do valor total. Essa flexibilidade garante que todos os elegíveis sejam atendidos, independentemente das circunstâncias individuais.
Formas de consultar os valores
Saber quanto será depositado é uma dúvida recorrente entre os beneficiários. A partir de 17 de abril, o extrato atualizado estará disponível na plataforma Meu INSS, acessível pelo site ou aplicativo para smartphones. O login exige CPF e senha registrados no Portal Gov.br, e a opção “Extrato de Pagamento” mostra os valores brutos e líquidos de cada parcela, além das datas exatas dos depósitos.
Quem prefere atendimento offline pode ligar para o número 135, disponível de segunda a sábado, das 7h às 22h. Durante a chamada, é preciso informar o CPF e responder a perguntas de segurança para acessar os dados. A consulta presencial, em agências do INSS, também é uma opção, mas exige agendamento prévio, o que pode ser inconveniente para quem busca rapidez.
A primeira parcela, por não ter descontos, é mais fácil de prever: basta dividir o valor mensal do benefício por dois. Já a segunda exige atenção, já que o Imposto de Renda pode reduzir o montante para quem ultrapassa a faixa de isenção, definida pela Receita Federal. Em 2024, cerca de 10% dos segurados tiveram tributação aplicada, um percentual que deve se manter estável em 2025.
Impactos no cotidiano dos segurados
Receber o 13º antecipado muda a rotina de muitos beneficiários. Para aposentados e pensionistas, o dinheiro extra permite quitar dívidas acumuladas, como contas atrasadas ou parcelas de empréstimos consignados, que têm taxas reduzidas para esse público. Outros aproveitam para comprar alimentos, remédios ou realizar pequenos reparos em casa, ações que melhoram a qualidade de vida em um orçamento muitas vezes apertado.
Em um cenário de preços altos, especialmente para itens básicos, o abono ajuda a preservar o poder de compra. Dados recentes mostram que a inflação acumulada em 2024 pressionou os custos de energia, combustíveis e alimentos, impactando diretamente os segurados de baixa renda. Com os valores em mãos ainda no primeiro semestre, é possível planejar gastos de forma mais eficiente, evitando o endividamento comum no início do ano.
Beneficiários de auxílios temporários, como o por incapacidade, também ganham um reforço essencial. Para esses grupos, o 13º pode ser a diferença entre cobrir despesas médicas ou depender de ajuda externa. Já as pensões por morte sustentam lares onde o benefício é a única fonte de renda, garantindo estabilidade em momentos de fragilidade.
Histórico da antecipação no Brasil
A prática de adiantar o 13º do INSS teve início em 2020, durante a pandemia de Covid-19, como resposta à crise que paralisou empregos e reduziu a renda de milhões de brasileiros. Naquele ano, as parcelas foram pagas entre abril e maio, uma decisão repetida em 2021 devido à lenta recuperação econômica. Em 2022, a antecipação ocorreu novamente, consolidando a estratégia como um recurso fixo em anos recentes.
Antes disso, os pagamentos seguiam o calendário tradicional, com a primeira parcela em agosto e a segunda entre novembro e dezembro. A mudança para o primeiro semestre atendeu a uma demanda antiga dos segurados, que viam no adiantamento uma forma de enfrentar os gastos iniciais do ano. Em 2023 e 2024, a medida foi mantida, e agora, em 2025, o governo reforça seu compromisso com essa política, priorizando o bem-estar dos beneficiários.
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, já declarou que a antecipação é uma forma de reconhecer o papel do INSS na vida de milhões de famílias. Com mais de 40 milhões de benefícios pagos por mês, o instituto é um pilar para a economia de cerca de 70% dos municípios brasileiros, especialmente em regiões onde outras fontes de renda são limitadas.
Cuidados contra golpes financeiros
Com a proximidade dos pagamentos, os segurados devem redobrar a atenção contra fraudes. Uma prática comum é a circulação de mensagens falsas prometendo um “14º salário” ou valores extras, algo sem qualquer base oficial. O INSS já alertou que não há previsão para benefícios adicionais além do 13º, e que informações duvidosas em redes sociais devem ser ignoradas.
Golpes mais sofisticados incluem contatos de supostos agentes do instituto, pedindo dados pessoais ou depósitos para “liberar” o benefício. Os depósitos do 13º são automáticos, sem necessidade de ação por parte dos beneficiários, e o INSS não solicita informações por telefone ou aplicativos de mensagem. Em caso de suspeita, o canal 135 é a melhor forma de esclarecer dúvidas e denunciar tentativas de fraude.
Para se proteger, os segurados devem confiar apenas em canais oficiais, como o site Meu INSS, o aplicativo ou o atendimento telefônico. Evitar clicar em links recebidos por e-mail ou mensagens também é essencial, já que criminosos podem usar essas iscas para roubar dados ou instalar softwares maliciosos em dispositivos.
Dicas para usar o 13º com planejamento
O 13º salário pode ser uma oportunidade para organizar as finanças, especialmente para quem vive com recursos limitados. Aqui estão algumas sugestões práticas para aproveitar os valores:
- Quitar dívidas com juros altos, como cartão de crédito ou cheque especial, para evitar custos adicionais.
- Reservar parte do dinheiro para despesas fixas dos próximos meses, como aluguel ou contas de consumo.
- Comprar itens essenciais em maior quantidade, como alimentos não perecíveis, aproveitando promoções.
- Planejar gastos maiores, como consertos ou consultas médicas, com antecedência para garantir o melhor custo.
Essas ações ajudam a estender o impacto do benefício ao longo do ano, evitando desperdícios e trazendo mais segurança financeira.
Calendário anual do INSS em foco
Além do 13º, os pagamentos regulares do INSS seguem um cronograma fixo em 2025. Em janeiro, os depósitos começaram em 27 de janeiro para quem recebe até um salário mínimo, encerrando em 7 de fevereiro. Para valores acima do piso, a liberação ocorreu entre 3 e 7 de fevereiro. Fevereiro teve início em 24 de fevereiro, com ajustes devido ao Carnaval, que interrompeu os pagamentos entre 3 e 5 de março.
Março manteve o padrão, com depósitos de 25 de março a 7 de abril para o piso nacional, e de 1º a 7 de abril para os demais. Abril e maio concentram o 13º, enquanto junho marca o retorno à rotina mensal. Esses cronogramas são fundamentais para o planejamento dos segurados, especialmente em meses com feriados que podem alterar as datas.
O reajuste do salário mínimo para R$ 1.502, previsto na LDO, eleva os benefícios atrelados ao piso, enquanto o teto do INSS, ainda a ser definido, acompanha a inflação e o PIB. Esses ajustes garantem que os valores pagos reflitam as condições econômicas, mantendo o poder de compra dos beneficiários ao longo do ano.
Relevância do INSS no cenário nacional
O Instituto Nacional do Seguro Social é um dos principais instrumentos de distribuição de renda no Brasil. Em outubro de 2024, foram pagos 40,645 milhões de benefícios, entre previdenciários e assistenciais, movimentando bilhões de reais. Em regiões como o Norte e o Nordeste, esses recursos frequentemente superam a arrecadação municipal, sustentando o comércio e as famílias locais.
A antecipação do 13º amplifica esse papel, concentrando uma injeção financeira em poucos meses. Comerciantes de pequeno porte, como donos de mercadinhos e farmácias, relatam aumento nas vendas durante o período, enquanto grandes redes também se beneficiam do consumo elevado. Em 2025, o impacto deve ser ainda mais expressivo, com o crescimento do número de beneficiários e o ajuste dos valores pagos.
Com o envelhecimento da população, a tendência é que o INSS ganhe ainda mais importância nas próximas décadas. A antecipação do 13º, além de um alívio imediato, reforça o compromisso do governo com os segurados, equilibrando necessidades sociais e dinamismo econômico em um país de grandes contrastes.
