INSS garante reembolso de transporte e diárias para avaliações do BPC em outros municípios

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Motorista de ônibus Foto: Motorista de ônibus - Foto: Kzenon/ Depositphotos.com

Em um país de dimensões continentais, muitos cidadãos enfrentam longas viagens para acessar serviços públicos essenciais. O Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado para idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, frequentemente exige avaliações médicas e sociais que nem sempre estão disponíveis na cidade do beneficiário. Para aliviar o impacto financeiro dessas viagens, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) oferece o reembolso de despesas com transporte e diárias. Esse suporte, assegurado por lei, beneficia tanto quem solicita o BPC pela primeira vez quanto quem já recebe o auxílio e precisa de reavaliações.

O processo de solicitação do reembolso é acessível e pode ser feito por canais digitais ou presenciais. Manoel de Araújo, morador de Laranjal do Jari, no Amapá, é um exemplo de quem utilizou o serviço. Ele percorreu 269 quilômetros para realizar uma avaliação e, em cerca de 40 dias, recebeu o ressarcimento. Casos como o dele destacam a importância do mecanismo para garantir o acesso ao benefício em regiões remotas.

O suporte financeiro cobre custos como passagens de ônibus e alimentação, desde que devidamente comprovados. Para facilitar o entendimento, o INSS disponibiliza orientações claras sobre o procedimento:

  • A solicitação pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS, pelo telefone 135 ou em agências físicas.
  • É necessário informar uma conta bancária para o depósito do valor.
  • A documentação inclui comprovantes de despesas e, em alguns casos, atestado médico para acompanhantes.

Essa política, regulamentada por decretos federais, reflete o compromisso do governo em reduzir barreiras geográficas no acesso a direitos sociais.

Regulamentação assegura direito ao reembolso

O custeio de despesas com deslocamento para avaliações do BPC foi instituído pelo Decreto nº 7.617, de 17 de novembro de 2011. A norma estabelece que o INSS deve cobrir gastos de transporte e diárias quando as avaliações médicas ou sociais ocorrem em municípios diferentes do local de residência do beneficiário. Além disso, a Portaria Conjunta DIRBEN/DIROFL/INSS nº 70, publicada em 10 de novembro de 2022, detalha os procedimentos para a solicitação do ressarcimento, garantindo maior transparência e padronização no atendimento.

Para requerer o benefício, o cidadão precisa apresentar documentos que comprovem as despesas. Isso inclui passagens de transporte público, recibos de alimentação e, em casos de acompanhantes, atestado médico que justifique a necessidade de apoio. Menores de 16 anos, por sua vez, têm direito ao ressarcimento para acompanhantes sem a exigência de laudo médico.

O processo, embora simples, exige atenção aos prazos e à entrega correta da documentação. Em média, o reembolso é liberado em 30 a 60 dias, dependendo da complexidade do caso e da região. A rapidez no processamento, como no caso de Manoel de Araújo, demonstra a eficácia do sistema em algumas localidades, mas há relatos de demora em áreas com maior volume de pedidos.

Como funciona o processo de solicitação

A solicitação do reembolso é feita por meio do serviço “Solicitar Ressarcimento de Despesas com Deslocamento para Avaliações Social e/ou Médica – BPC”, disponível nos canais oficiais do INSS. O requerente deve acessar o aplicativo Meu INSS, o site gov.br/meuinss ou ligar para o telefone 135. Em algumas situações, o atendimento presencial em agências do INSS também é uma opção, especialmente para quem enfrenta dificuldades com plataformas digitais.

Durante o processo, o cidadão precisa informar:

  • Dados pessoais e comprovante de residência.
  • Comprovantes de despesas, como passagens e recibos de alimentação.
  • Documentos do acompanhante, se aplicável, incluindo atestado médico para maiores de 16 anos.
  • Informações de uma conta bancária para recebimento do valor.

O INSS analisa a documentação e, se aprovada, realiza o depósito diretamente na conta indicada. A iniciativa busca reduzir o impacto financeiro de deslocamentos, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade, que dependem do BPC como principal fonte de renda.

Beneficiários relatam experiências com o serviço

Manoel de Araújo, de Laranjal do Jari, não enfrentou dificuldades para solicitar o reembolso. Ele destaca a clareza das orientações fornecidas pela agência local do INSS, que o auxiliou na entrega dos comprovantes e no preenchimento do requerimento. A viagem de 269 quilômetros, embora longa, foi compensada pelo ressarcimento, que incluiu os custos de transporte e alimentação.

Outros beneficiários, no entanto, relatam desafios. Em regiões com infraestrutura limitada, como áreas rurais do Norte e Nordeste, a falta de acesso à internet pode dificultar o uso do aplicativo Meu INSS. Nesses casos, o atendimento presencial se torna essencial, mas a distância até uma agência do INSS pode ser um obstáculo adicional.

Apesar dessas barreiras, o programa de reembolso tem sido fundamental para garantir que avaliações do BPC sejam realizadas. Dados do INSS apontam que milhares de cidadãos utilizam o serviço anualmente, com maior demanda em estados com grandes extensões territoriais, como Amazonas, Pará e Mato Grosso.

INSS
INSS – Foto: Divulgação/INSS

Acompanhantes também têm direito ao custeio

A política de reembolso do INSS contempla não apenas o beneficiário, mas também acompanhantes, quando necessário. Para pessoas com deficiência ou idosos com mobilidade reduzida, a presença de um acompanhante pode ser indispensável durante o deslocamento. O custeio das despesas do acompanhante é garantido, desde que a necessidade seja comprovada por atestado médico para requerentes acima de 16 anos.

No caso de menores de 16 anos, o acompanhante tem direito ao reembolso automaticamente, sem a exigência de laudo médico. Os documentos necessários incluem:

  • Identificação e comprovante de residência do acompanhante.
  • Comprovantes de despesas, como passagens e alimentação.
  • Atestado médico, quando aplicável.

Essa medida amplia o acesso ao BPC, especialmente para crianças e adolescentes com deficiência, que frequentemente dependem de familiares para realizar as avaliações. O INSS reforça que o objetivo é garantir que nenhum beneficiário seja prejudicado por questões logísticas ou financeiras.

Desafios em regiões remotas

Em estados com vastas áreas rurais, como Amazonas e Acre, o deslocamento para avaliações do BPC pode envolver viagens de barco, longas horas de estrada ou até mesmo trechos a pé. Nessas regiões, o reembolso de despesas é ainda mais relevante, mas a logística para acessar o serviço nem sempre é simples. Muitos cidadãos dependem de agências do INSS localizadas em cidades-polo, o que pode exigir planejamento e recursos adicionais.

A digitalização do processo, com o uso do aplicativo Meu INSS, facilitou o acesso em áreas urbanas, mas ainda representa um desafio em localidades sem conexão à internet. Para contornar essa limitação, o INSS mantém o atendimento presencial e o canal telefônico 135, que operam como alternativas para a solicitação do reembolso.

Ampliação do acesso ao BPC

O Benefício de Prestação Continuada é destinado a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência que comprovem baixa renda. As avaliações médicas e sociais são etapas obrigatórias para a concessão ou manutenção do benefício, que paga um salário mínimo mensal. Em 2024, o valor do BPC foi de R$ 1.412, beneficiando cerca de 5,2 milhões de pessoas em todo o país.

O reembolso de deslocamento é uma das medidas adotadas para ampliar o alcance do programa. Ao cobrir os custos de transporte e alimentação, o INSS reduz as barreiras geográficas que poderiam impedir o acesso ao benefício. A iniciativa é especialmente relevante em um país com desigualdades regionais, onde a concentração de serviços em centros urbanos pode excluir populações de áreas remotas.

Documentação exigida reforça controle

A exigência de comprovantes para o reembolso, como passagens e recibos, garante que os recursos sejam utilizados de forma transparente. O INSS orienta que os documentos sejam claros e contenham informações detalhadas sobre os gastos. Em caso de dúvidas, o cidadão pode buscar apoio nas agências ou pelo telefone 135.

Os comprovantes aceitos incluem:

  • Passagens de ônibus, barco ou outros meios de transporte público.
  • Recibos de alimentação, como notas fiscais de restaurantes.
  • Documentos que identifiquem o trajeto realizado.

Essa rigidez no controle documental visa evitar fraudes e assegurar que o benefício chegue a quem realmente precisa. O INSS também realiza auditorias periódicas para verificar a conformidade dos pedidos.

Impacto do serviço nas comunidades

Comunidades ribeirinhas e rurais têm se beneficiado diretamente do programa de reembolso. Em cidades como Santarém, no Pará, e Porto Velho, em Rondônia, o INSS registra um número significativo de solicitações, refletindo a demanda por avaliações em regiões distantes. A possibilidade de custear deslocamentos tem permitido que mais pessoas acessem o BPC, especialmente em áreas onde a infraestrutura de saúde e assistência social é limitada.

O serviço também tem impacto indireto, ao reduzir a pressão financeira sobre famílias de baixa renda. Para muitos beneficiários, o custo de uma viagem para outra cidade seria inviável sem o suporte do INSS, o que poderia resultar na perda do benefício.

Expansão do atendimento digital

Nos últimos anos, o INSS investiu na digitalização de serviços para facilitar o acesso a benefícios como o BPC. O aplicativo Meu INSS, lançado em 2017 e atualizado regularmente, permite que os cidadãos solicitem o reembolso sem sair de casa. A plataforma também oferece acompanhamento do status do pedido, envio de documentos digitalizados e comunicação direta com o instituto.

Apesar dos avanços, a dependência de internet e dispositivos eletrônicos ainda limita o alcance em algumas regiões. Para atender esse público, o INSS mantém parcerias com prefeituras e organizações locais, que auxiliam no acesso às plataformas digitais e no envio de documentações.

Janderson é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024

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