Lula e Flávio Bolsonaro debatem dívida de R$ 11 trilhões e SUS

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Flávio Bolsonaro e Lula durante entrevistas à TV Globo - Globo/ Manoella Mello Foto: Flávio Bolsonaro e Lula durante entrevistas à TV Globo - Globo/ Manoella Mello

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), trocaram acusações e apresentaram propostas para a economia e a área social no Rio de Janeiro, na sexta-feira (23). O encontro foi o último debate antes da votação do segundo turno das eleições presidenciais, marcada para este domingo (25), e teve forte tensão logo no início após uma declaração do parlamentar sobre a deficiência física do chefe do Executivo.

Durante o embate, Flávio Bolsonaro declarou que o adversário “dá com uma mão e tira com nove dedos”, em alusão ao dedo mínimo da mão esquerda que Lula perdeu em 1964, aos 17 anos, em um acidente de trabalho quando atuava como torneiro mecânico. O presidente reagiu de imediato, chamou o senador de miliciano e cobrou uma retratação pública. “Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente tem que ir trabalhar”, afirmou Lula.

Flávio Bolsonaro e Lula - Reprodução
Foto: Flávio Bolsonaro e Lula – Reprodução

Na sequência do bloco, o candidato do PL recuou em relação ao comentário pessoal, mas repudiou o termo usado pelo petista. “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”, declarou Flávio Bolsonaro, antes de retomar as críticas à gestão federal na área social.

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Flávio Bolsonaro e Lula divergem sobre população em situação de rua e Bolsa Família

Ao retomar a palavra após o pedido de desculpas, o senador cobrou explicações do governo sobre a vulnerabilidade social nas cidades brasileiras. “Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas os moradores de rua que dobraram diante do seu governo. E combate a pobreza esse que você faz?”, questionou Flávio Bolsonaro. Os dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, porém, registram que o país tinha 365,8 mil pessoas vivendo nas ruas em dezembro de 2025, o que representa uma alta de 55% na comparação com o ano de 2022, e não de 100% (o dobro) como citado pelo parlamentar. Pesquisadores da área apontam que esse crescimento nos registros oficiais pode estar ligado a mudanças na metodologia de contagem, ao trabalho de busca ativa e à inclusão de cidadãos vulneráveis em cadastros de programas sociais, sem que a totalidade do percentual signifique novos moradores desabrigados.

No mesmo eixo temático, Lula cobrou o adversário por ter votado contra a ampliação da licença-maternidade na época em que exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro admitiu o voto no passado e disse ter mudado de opinião após construir sua família. “Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca, eu sei da importância da mãe estar perto do filho, por até mais de 180 dias se possível”, afirmou o senador.

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Lula afirmou que o candidato do PL não respondeu de forma objetiva ao questionamento e lembrou postagens antigas em redes sociais nas quais o senador se referiu ao Bolsa Família como “bolsa-farelo”. “É a falta de respeito com o povo pobre desse país”, disse o presidente. Flávio Bolsonaro respondeu que, se for eleito, manterá e ampliará os benefícios sociais vigentes, incluindo o próprio Bolsa Família.

Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro aborda dívida de R$ 11 trilhões e crédito

A condução da política econômica e o orçamento doméstico pautaram a segunda metade das discussões entre os candidatos. Flávio Bolsonaro responsabilizou a administração federal pelo patamar das taxas de juros e pelas dificuldades financeiras da população, citando o montante de R$ 11 trilhões referente à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), indicador fiscal medido pelo Banco Central que reúne o total de débitos dos governos federal, estaduais e municipais. “Lula, por que que você está deixando as famílias brasileiras tão endividadas? Já que uma vez que a dívida governo cresce, a dívida das famílias cresce junto”, disse o senador, propondo usar a Caixa Econômica Federal para comprar dívidas bancárias dos cidadãos e refinanciá-las com taxas menores.

O presidente da República atribuiu o custo do crédito à política de juros conduzida pelo Banco Central e defendeu o estímulo ao crescimento econômico como forma de diminuir o endividamento público. Sobre a proposta de refinanciamento apresentada pelo oponente, Lula afirmou que o Executivo já enviou medida semelhante ao Congresso Nacional. “Ele tá copiando uma coisa que eu já mandei pro Senado”, declarou o petista, acrescentando que sua gestão realizou uma operação de renegociação e perdão de dívidas que somou R$ 15 bilhões e atendeu 4,5 milhões de pessoas.

Financiamento do SUS e gestão da pandemia opõem Lula e Flávio Bolsonaro

No bloco dedicado à saúde pública, Lula mencionou declarações atribuídas a um integrante da equipe econômica de Flávio Bolsonaro contra a manutenção de investimentos obrigatórios no Sistema Único de Saúde (SUS) e criticou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador, durante a crise sanitária da covid-19. “Como é que você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante que tem em qualquer país com mais de 100 milhões de habitantes?”, questionou o presidente. Logo depois, Lula completou a crítica ao governo anterior: “O SUS é o responsável por evitar que morresse mais gente da covid depois da responsabilidade do governo do pai dele”, criticando ainda declarações passadas sobre a vacinação e a ausência de coordenação baseada em especialistas.

Flávio Bolsonaro negou a intenção de retirar recursos do setor, garantiu que vai manter e ampliar os repasses para a rede pública e criticou as filas de atendimento na atual gestão. O senador prometeu reajustar a tabela de procedimentos do SUS para socorrer as Santas Casas endividadas e detalhou onde pretende cortar gastos orçamentários. “O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo, o tesouraço vai ser na burocracia, o tesouraço vai ser nos impostos que você deu, foram mais de 30 que você criou ou aumentou”, declarou o candidato do PL.

Bastidores e cronograma da reta final entre Lula e Flávio Bolsonaro

O confronto realizado no Rio de Janeiro teve mediação do jornalista César Tralli e durou cerca de duas horas, com início por volta das 21h40 de 23 de outubro de 2026 e término próximo à meia-noite. Na plateia de convidados, Lula esteve acompanhado pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, além de aliados como Aloizio Mercadante, Rui Costa e Rafael Fonteles. Já a comitiva de Flávio Bolsonaro contou com o candidato a vice-presidente na chapa, Alfredo Gaspar (PL), e nomes como Valdemar Costa Neto, Rogério Marinho e Ricardo Nunes. A disputa chega à reta final com os seguintes marcos:

  • Domingo, 18 de outubro de 2026: realização do primeiro debate presidencial do segundo turno, na TV Bandeirantes.
  • Quinta-feira, 22 de outubro de 2026: divulgação de pesquisa do instituto Datafolha com empate técnico de 50% a 50% nas intenções de votos válidos para cada candidato.
  • Sexta-feira, 23 de outubro de 2026: realização do segundo e último debate do segundo turno.
  • Domingo, 25 de outubro de 2026: data da votação do segundo turno das eleições presidenciais em todo o país.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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