A rede Supermercados Zona Sul passou a ser alvo de uma apuração do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) nesta sexta-feira (23) após o envio de uma carta com teor eleitoral aos seus funcionários. O órgão trabalhista registrou uma Notícia de Fato (NF), procedimento administrativo preliminar de verificação, para avaliar se houve prática de assédio eleitoral no comunicado distribuído a dois dias do segundo turno das Eleições 2026, marcado para domingo, 25 de outubro de 2026.
Além da apuração aberta pelo MPT-RJ, o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro ingressou com uma ação na Justiça contra a empresa varejista. Em nota oficial, a entidade sindical declarou que a direção do supermercado ultrapassou uma linha que precisa ser respeitada ao utilizar sua posição de empregador para disseminar esse tipo de mensagem entre os trabalhadores. “Patrão nenhum é dono da consciência política de seus funcionários. Nem pode coagir”, informou o sindicato.
Supermercados Zona Sul distribuiu carta sobre esgotamento de ciclo
O documento enviado por e-mail corporativo e distribuído aos colaboradores da rede Supermercados Zona Sul foi assinado pela presidência da empresa sob o título “O esgotamento de um ciclo”. A carta não menciona nominalmente nenhum candidato ou partido político que disputa o pleito, mas defende uma revisão de prioridades, posturas e modelos no país, sustentando que “chegou a hora de mudar” e encerrando a mensagem com um pedido de voto consciente aos empregados.
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No texto encaminhado aos funcionários às vésperas da votação de segundo turno, a presidência da rede Supermercados Zona Sul argumenta que o país passa por uma crise ampla que vai além das disputas partidárias e das dificuldades financeiras, dividindo o diagnóstico em três eixos específicos: o esgotamento ético, o esgotamento moral e o esgotamento do modelo político, econômico e institucional. O nome específico do presidente que assina o documento não foi confirmado.
“Temos a sensação de que o Brasil atravessa um momento particularmente difícil de sua história, marcado por uma crise que vai muito além das dificuldades econômicas e das disputas políticas. Vivemos um ESGOTAMENTO ÉTICO, quando os princípios, a coerência e o comportamento com o interesse público parecem ceder espaço a conveniências, interesses particulares e à ausência de responsabilidade. Um ESGOTAMENTO MORAL, quando a sociedade começa a se acostumar com situações que deveriam causar indignação,…”, afirmou a presidência da empresa em um dos trechos do comunicado.
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Em outra passagem da mensagem direcionada à equipe de trabalhadores, a direção da rede varejista justificou a defesa por alterações na condução do país. “Reconhecer o esgotamento de um ciclo não significa perder a esperança. Significa compreender que insistir nos mesmos erros não produzirá resultados diferentes”, declarou a presidência na carta.
Ação judicial e cobrança ao TSE após envio da carta do Zona Sul
O envio do comunicado corporativo gerou reação imediata de representantes sindicais e parlamentares fluminenses antes da abertura do procedimento no MPT-RJ. O vereador do Rio de Janeiro e deputado federal eleito Rick Azevedo (PSOL) denunciou o caso nas redes sociais, afirmando que a rede de supermercados da zona sul distribuiu o texto sobre necessidade de mudança aos empregados. “Isso é assédio eleitoral. Cadê o TSE?”, disse o parlamentar, cobrando providências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na justificativa da ação judicial movida contra a empresa, o Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro relacionou o teor da carta às disputas trabalhistas em curso no país. “Por trás de discursos genéricos sobre a necessidade de mudar o país, existem interesses políticos e econômicos em disputa. E os interesses de quem emprega nem sempre são os mesmos de quem vive do próprio salário – especialmente quando estão em jogo direitos trabalhistas e conquistas históricas, como o fim da escala 6×1.”, afirmou a entidade sindical em nota.
Prazos e órgãos envolvidos na apuração sobre a rede Zona Sul
O registro da Notícia de Fato pelo MPT-RJ permite que os procuradores avaliem as informações preliminares sobre a conduta da empresa, mas a abertura do procedimento ainda não significa uma conclusão oficial pela existência de irregularidades trabalhistas ou eleitorais. Os dados do caso reúnem as seguintes etapas e instituições:
- Órgão responsável pela apuração preliminar: Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ).
- Autor da ação judicial trabalhista: Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.
- Data do registro da Notícia de Fato: sexta-feira, 23 de outubro de 2026.
- Data do segundo turno das Eleições 2026: domingo, 25 de outubro de 2026.
Procurada para comentar as denúncias e a abertura do procedimento no MPT-RJ, a direção da rede Supermercados Zona Sul não respondeu aos contatos e ainda não divulgou posicionamento oficial sobre o caso.

