O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou, na noite de 7 de maio, um novo mapa-múndi que reposiciona o Brasil no centro da projeção cartográfica. A iniciativa, liderada pelo presidente do instituto, Marcio Pochmann, busca destacar a relevância do país em fóruns internacionais, como o G20, o Brics e a COP30, prevista para 2025 em Belém. Diferentemente das representações tradicionais, que frequentemente colocam a Europa ou o Hemisfério Norte como referência, o mapa adota uma perspectiva que desafia o eurocentrismo e reflete a ascensão do Sul Global.
A divulgação ocorreu durante um evento no Rio de Janeiro, marcando a entrega simbólica do mapa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A representação, que já havia sido explorada em versões anteriores pelo IBGE, ganhou destaque por sua abordagem inovadora e pelo momento estratégico, com o Brasil presidindo o G20 em 2024 e se preparando para liderar discussões climáticas globais. O mapa também inclui marcações específicas, como os países membros do G20 e nações com representação diplomática brasileira, reforçando a projeção internacional do país.
Essa não é a primeira vez que o IBGE experimenta com projeções cartográficas alternativas. Em 2024, outro mapa com o Brasil no centro foi lançado, atraindo grande interesse público e gerando debates nas redes sociais. A nova edição, no entanto, vai além, incorporando elementos visuais que enfatizam a liderança brasileira em pautas globais, como sustentabilidade e combate à fome. A seguir, alguns pontos que diferenciam o novo mapa:
- Centralização do Brasil: A América do Sul aparece no centro, com o Brasil em destaque, desafiando a visão tradicional eurocêntrica.
- Destaque ao G20: Países membros do grupo são marcados, refletindo a presidência brasileira em 2024.
- Foco na diplomacia: Nações com embaixadas ou consulados brasileiros são sinalizadas, evidenciando a rede global do país.
- Perspectiva invertida: O mapa adota uma orientação de “ponta-cabeça”, com o Sul no topo, simbolizando a valorização do Hemisfério Sul.
A repercussão do lançamento foi imediata, com milhares de pedidos para aquisição do mapa em apenas 24 horas, segundo o IBGE. A iniciativa, que combina inovação cartográfica com uma mensagem política, já é vista como um marco na forma como o Brasil se apresenta ao mundo.
Reações nas redes sociais
A divulgação do mapa gerou ampla repercussão nas plataformas digitais, com reações variadas entre apoio e críticas. Usuários no Brasil destacaram o orgulho de ver o país no centro de uma representação global, enquanto alguns internautas nos Estados Unidos e na Europa questionaram a validade da projeção, apontando-a como “incorreta” em termos cartográficos. No entanto, especialistas esclarecem que mapas-múndi são construções culturais e políticas, não apenas representações geográficas, e que diferentes países, como China, Japão e Austrália, já adotaram projeções centralizadas em seus territórios.
Nas redes, influenciadores e geógrafos brasileiros celebraram a iniciativa, argumentando que ela reflete a crescente influência do Brasil no cenário global. Um usuário no X destacou que o mapa “tira a Europa do pedestal e dá ao Sul Global o protagonismo que merece”. Outros, no entanto, ironizaram a escolha, sugerindo que o reposicionamento seria mais simbólico do que prático. Apesar das divergências, o IBGE registrou um aumento significativo na demanda pelo mapa, que será vendido em formatos A3, A1 e A0 a partir de 16 de maio, com preços a partir de R$ 10.
A discussão também alcançou fóruns acadêmicos, onde cartógrafos debateram o impacto da projeção na percepção global do Brasil. Para muitos, a iniciativa reforça a ideia de que mapas não são neutros, mas sim ferramentas de poder e representação cultural. O mapa, nesse sentido, se alinha à agenda do governo Lula de promover o Brasil como líder em pautas globais, como a transição energética e a redução das desigualdades.
Origem da iniciativa
O projeto do novo mapa-múndi começou a ganhar forma em 2023, quando o IBGE decidiu atualizar suas publicações cartográficas para refletir o papel do Brasil na presidência do G20. A equipe de cartografia, coordenada por Maria do Carmo Bueno, trabalhou por meses para criar uma representação que fosse ao mesmo tempo técnica e simbólica. O resultado foi uma projeção que mantém a precisão geográfica, mas reorganiza os continentes de forma a destacar a América do Sul.
A escolha de colocar o Brasil no centro não é inédita. Desde 2006, o IBGE inclui em seus atlas escolares mapas com perspectivas alternativas, mas a decisão de dar destaque a essa projeção em 2024 e 2025 reflete o contexto político atual. O país, que assumiu a liderança do G20 em dezembro de 2023, tem priorizado temas como combate à fome, mudanças climáticas e reforma da governança global, pautas que aparecem implicitamente na narrativa do mapa.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, defendeu a iniciativa como uma forma de reposicionar o Brasil no imaginário global. Durante o evento de lançamento, ele destacou que o mapa não apenas reflete a geografia, mas também a ascensão do Sul Global em um mundo multipolar. A projeção, segundo ele, é uma resposta à visão eurocêntrica que dominou a cartografia por séculos, frequentemente marginalizando países do Hemisfério Sul.
Significado geopolítico
O lançamento do mapa ocorre em um momento de intensas transformações na geopolítica global. Com a presidência do G20, o Brasil tem buscado consolidar sua posição como mediador entre países desenvolvidos e emergentes. A cúpula do grupo, marcada para novembro de 2024 no Rio de Janeiro, será um dos principais eventos do ano, reunindo líderes das 19 maiores economias do mundo, além da União Europeia e da União Africana.
O mapa, nesse contexto, serve como uma ferramenta de soft power, projetando a imagem de um Brasil protagonista. A inclusão de marcações específicas, como os países do G20 e as nações com representação diplomática brasileira, reforça a narrativa de um país com influência global. Além disso, a projeção destaca a Amazônia e o Atlântico Sul, regiões estratégicas para as discussões sobre sustentabilidade e comércio internacional.
A iniciativa também dialoga com a preparação para a COP30, que será realizada em Belém em 2025. O evento colocará o Brasil no centro das negociações climáticas, com foco na preservação da Amazônia e na promoção de energias renováveis. O mapa, ao enfatizar a centralidade do país, reforça a mensagem de que o Brasil está pronto para liderar essas discussões, trazendo o Sul Global para o protagonismo.
Detalhes técnicos da projeção
A nova projeção cartográfica do IBGE utiliza uma abordagem que combina precisão técnica com intencionalidade política. Diferentemente do mapa de Mercator, que distorce as proporções dos continentes, o mapa do IBGE adota uma projeção azimutal equidistante, que preserva melhor as distâncias a partir do ponto central — neste caso, o Brasil. Essa escolha permite uma representação mais equilibrada dos continentes, embora ainda gere debates entre cartógrafos sobre sua funcionalidade prática.
O mapa também incorpora elementos visuais que facilitam a leitura, como cores contrastantes para os continentes e marcações claras para os países do G20. A orientação invertida, com o Hemisfério Sul no topo, é uma das características mais marcantes, desafiando a percepção convencional de mapas tradicionais. Essa escolha, segundo cartógrafos, não altera a precisão geográfica, mas provoca uma reflexão sobre as convenções cartográficas.
Alguns detalhes técnicos do mapa incluem:
- Escala ajustada: A projeção mantém proporções consistentes, com o Brasil como ponto de referência central.
- Marcações diplomáticas: Embaixadas e consulados brasileiros são destacados, evidenciando a presença global do país.
- Foco no G20: Os 19 países membros, além da União Europeia e da União Africana, recebem destaque visual.
- Ênfase na Amazônia: A região é apresentada com detalhes topográficos, reforçando sua importância ambiental.
A produção do mapa envolveu uma equipe de 20 cartógrafos e designers, que trabalharam durante seis meses para finalizar a projeção. O resultado é uma peça que combina estética, funcionalidade e simbolismo, destinada tanto ao uso educacional quanto à promoção da imagem do Brasil no exterior.
Demanda e comercialização
O sucesso comercial do mapa anterior, lançado em 2024, surpreendeu o IBGE, que registrou mais de 2 mil pedidos nas primeiras horas após sua divulgação. A nova edição, anunciada em maio de 2025, já superou essas cifras, com 3,5 mil solicitações em menos de 24 horas. O mapa estará disponível para venda em três formatos: A3 (R$ 10), A1 (R$ 20) e A0 (R$ 30), com frete adicional calculado conforme a localidade.
A comercialização será feita exclusivamente pela loja virtual do IBGE, com entrega prevista para começar em 20 de maio. Escolas públicas receberão versões digitais gratuitas, como parte de um programa de incentivo à educação geográfica. O instituto também planeja distribuir o mapa em eventos internacionais, como a cúpula do G20 e a COP30, para reforçar a visibilidade do Brasil.
A alta demanda reflete o interesse do público em representações cartográficas que valorizem a identidade nacional. Professores e estudantes têm elogiado o mapa por seu potencial didático, enquanto empresas já manifestaram interesse em utilizá-lo em campanhas de marketing com foco em patriotismo e sustentabilidade.
Perspectiva histórica da cartografia
Mapas-múndi sempre foram mais do que ferramentas de navegação; eles refletem visões de mundo e interesses políticos. Durante séculos, a Europa dominou a cartografia, com projeções como a de Mercator colocando o continente no centro e distorcendo as proporções de regiões como a África e a América do Sul. No século XX, países como a Rússia, a China e a Austrália começaram a criar suas próprias projeções, desafiando o eurocentrismo.
O Brasil, embora tardiamente, entra nesse movimento com o mapa do IBGE. A iniciativa se inspira em exemplos como o mapa argentino, que inverte o globo para destacar o Hemisfério Sul, e o mapa japonês, que centraliza o Pacífico. Essas representações, segundo historiadores, são respostas à globalização e à ascensão de novas potências regionais.
No caso brasileiro, o mapa reflete um momento de afirmação nacional. A presidência do G20, a liderança no Brics e a realização da COP30 são marcos que justificam a escolha de reposicionar o país cartograficamente. Para cartógrafos, a iniciativa pode inspirar outros países do Sul Global a criarem suas próprias representações, promovendo uma visão mais plural do mundo.
Repercussão internacional
A divulgação do mapa não passou despercebida no exterior. Portais de notícias em países como Argentina, África do Sul e Índia destacaram a iniciativa, elogiando a ousadia do Brasil em desafiar convenções cartográficas. No entanto, em nações do Hemisfério Norte, como os Estados Unidos e o Reino Unido, algumas críticas surgiram, com comentaristas argumentando que o mapa distorce a percepção geográfica tradicional.
Organizações internacionais, como a ONU, receberam o mapa com interesse, especialmente por sua conexão com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). O destaque dado à Amazônia e às pautas climáticas foi bem recebido por entidades ambientalistas, que veem na projeção uma oportunidade de chamar a atenção para a preservação de ecossistemas críticos.
A reação de países do G20 também foi positiva, com representantes da Índia e da África do Sul manifestando apoio à iniciativa. Durante uma reunião preparatória para a cúpula do grupo, em Brasília, o mapa foi apresentado como um símbolo da liderança brasileira, recebendo aplausos de delegados.
Aplicações educacionais
O mapa do IBGE já está sendo incorporado em materiais didáticos para escolas brasileiras. A partir de junho de 2025, o Ministério da Educação distribuirá versões impressas e digitais para 5 mil escolas públicas, com o objetivo de promover a educação geográfica e o debate sobre perspectivas globais. Professores de geografia têm elogiado a iniciativa, destacando seu potencial para estimular discussões sobre colonialismo, eurocentrismo e a ascensão do Sul Global.
Além do uso em sala de aula, o mapa será tema de oficinas e seminários promovidos pelo IBGE em parceria com universidades. Esses eventos abordarão desde os aspectos técnicos da cartografia até as implicações políticas de representações geográficas. Estudantes universitários, em especial, têm mostrado interesse em explorar como o mapa pode influenciar a percepção do Brasil no exterior.
A iniciativa também inspirou professores a criar atividades interdisciplinares, combinando geografia, história e relações internacionais. Em algumas escolas, o mapa já é usado como base para projetos que analisam a presença brasileira em fóruns globais, como o G20 e o Brics.
Preparação para a COP30
A realização da COP30 em Belém, em 2025, é um dos principais motivadores do novo mapa. A conferência, que reunirá líderes globais para discutir ações contra as mudanças climáticas, colocará o Brasil sob os holofotes. O mapa, ao destacar a Amazônia e o Atlântico Sul, reforça a centralidade do país nas negociações ambientais.
O governo brasileiro planeja usar o mapa em materiais promocionais da COP30, distribuindo-o para delegados e jornalistas internacionais. A projeção também será exibida em painéis durante o evento, como parte de uma campanha para destacar o papel do Brasil na preservação de biomas como a Amazônia e o Cerrado.
Organizações não governamentais já manifestaram apoio à iniciativa, sugerindo que o mapa pode ajudar a sensibilizar o público global sobre a importância de proteger ecossistemas tropicais. Durante a COP30, o IBGE também lançará uma versão interativa do mapa, com dados sobre emissões de carbono e áreas de conservação no Brasil.

